Projeto

Ruas de Lazer é espaço para toda família curtir

Comunidade prestigiou o evento, mesmo com o clima mais frio deste domingo, e as crianças tomaram conta do setor de esportes

26 de Junho de 2022 - 21h58 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

A criançada se aqueceu em meio as brincadeiras

A criançada se aqueceu em meio as brincadeiras

Pesquisadores da UFPel pretendem avaliar o impacto do evento na vida da comunidade

Pesquisadores da UFPel pretendem avaliar o impacto do evento na vida da comunidade

Mesmo com o clima frio, em torno de 10º, e sem sol o Ruas de Lazer, projeto realizado em parceria entre Prefeitura e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), foi o entretenimento escolhido por centenas de pelotenses na tarde de domingo (26). Montado na avenida Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, a partir da Barão de Butuí até a avenida Bento Gonçalves, o evento reuniu diferentes atrativos, como prática esportiva, cultura, arte e artesanato, gastronomia e até serviços de saúde, como teste rápido de Covid-19 e aferição de pressão arterial. A terceira edição da iniciativa ocorreu das 9h às 18h.

Quem transitou pelo local pode curtir apresentações artísticas, saborear diferentes quitutes, comprar algum item artesanal ou levar para casa por empréstimo, por exemplo, na Bibliovan e até mesmo dar uma checada na saúde. Vizinha do Ruas de Lazer, a família da servidora Federal, Bianca Silveira, 44, resolveu aproveitar o evento para sair de casa, mesmo com o clima pouco convidativo.

Junto com os dois filhos, o marido e a mãe de 84 anos, Bianca ficou surpresa com as atrações e confessou que essa foi estreia dos Silveira no evento. "Estamos gostando muito, tem atrações para todo mundo, mas para as crianças é muito bom sair de casa, da frente da TV, um pouco", falou. A servidora avalia que é uma oportunidade de lazer sem gastos, especialmente para quem mora perto. "Tem coisas pra comprar, mas só gasta quem quiser e pode."

Um dos setores mais movimentados era o que acolheu os projetos esportivos da UFPel, o basquete, o tênis de mesa e o mini handebol para crianças. Também estava presente o Hóquei, uma iniciativa da comunidade, e o grupo de Tae-kwon-do do Vida Ativa, da prefeitura, além de diferentes tipo de brinquedos, uma alegria para os pequenos e para os adolescentes. "Nessa parte mais direcionada aos esportes o nosso maior público são as crianças mesmo", comentou o doutorando Ítalo Guimarães, aluno do Programa de Pós-graduação em Educação Física da UFPel, responsável pela parte de pesquisa no Ruas de Lazer. Além de levar projetos de extensão para o evento, a UFPel está promovendo uma pesquisa em diferentes âmbitos do Ruas.

A proposição da pesquisa é da Escola Superior de Educação Física, juntamente com a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPel, em parceria com a prefeitura. "A gente tenta sempre fazer um componente de avaliação dessas intervenções e políticas públicas e um dos estudos que a gente está desenvolvendo é sobre esse projeto como um todo, desde a parte de pactuação entre duas entidades (Universidade e prefeitura) até a percepção da população sobre as atividades que estão sendo propostas, por isso a gente coloca também a UFPel a produzir um conhecimento sobre esse projeto de intervenção que estamos fazendo", explica o professor Inácio Crochemore, coordenador do Ruas de Lazer, pela Universidade, e orientador do doutorado.

Quantificar quantas pessoas participam do projeto, que tipo de atividade estão fazendo, além mapear como a população está se apropriando do projeto são algumas das motivações da pesquisa. Guimarães explica que é importante avaliar o quanto o projeto afeta os usuários quanto a prática de atividades físicas. "Avaliamos quem está fazendo atividade física leve, moderada, quem está andando de bicicleta ou praticando algum esporte", explica o doutorando.

Para esse trabalho os acadêmicos fazem gravações da movimentação dos usuários ."Por enquanto não estamos conversando com ninguém, a gente faz as gravações sem identificar." As entrevistas fazem parte do planejamento para o segundo semestre. A expectativa é contribuir para que projetos como o Ruas de Lazer possam virar políticas públicas no município e incentivar que as pessoas adotem estilos de vida mais ativo. "A gente quer avaliar o quanto projetos como esse podem influenciar no comportamento das pessoas."


Atletas e plateia

Uma das atividades que movimentou os praticantes e agradou ao público foi a aula de Tae-kwon-do com a equipe do Vida Ativa. Na calçada, assistindo as crianças e os adolescentes desfrutando da prática, pais, familiares e público em geral. "A gente fica muito feliz de ver a criançada tomando conta dessa setor do esporte, porque nessa idade que elas começam a desenvolver hábitos de atividade física, práticas esportivas e depois conseguem levar para a vida toda. A gente sabe que existe uma barreira muito grande de acesso a locais adequados à essas práticas e o projeto vem, então, para tentar suprir essa desigualdade de acesso e as crianças são as principais beneficiadas", diz o coordenador Inácio Crochemore.

Entre os que estavam apenas assistindo as crianças no aulão de Tae-kwon-do estava a relações públicas Lita Medeiros, 43, moradora do centro, que foi acompanhar a filha Laurenn, 10, atleta da equipe. A estudante começou neste esporte oferecido pelo Vida Ativa há três anos. "Ela precisava emagrecer e deu certo", conta a mãe.

Além de ter trazido uma vida mais saudável para a filha, a prática também tem contribuído para a pequena ficar mais disciplinada e conquistar mais amigos. Para Lita é muito bom o convívio com crianças de diferentes bairros e situações familiares. "Eles precisam ver todas as realidades", comenta. Lita conta ainda que a atividade também a conquistou e ela só parou porque teve de submeter a uma cirurgia. "Tive de parar com tudo, mas quero voltar."


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados