Precariedade

Rodoviária de Pelotas deixa a desejar

Rodoviária falha na orientação aos turistas e tem estrutura defasada para atender à demanda

01 de Abril de 2017 - 08h43 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Pouco movimento no estacionamento dos ônibus intermunicipais na rodoviária de Pelotas na tarde da última terça-feira (Foto: Jô Folha - DP)

Pouco movimento no estacionamento dos ônibus intermunicipais na rodoviária de Pelotas na tarde da última terça-feira (Foto: Jô Folha - DP)

Coloque-se no papel de um turista que chega a Pelotas.

Provavelmente sua primeira impressão da cidade será a Estação Rodoviária e, após horas de viagem, o ideal seria encontrar um local limpo, com segurança, bons serviços e, principalmente, que possa funcionar como um cartão de visitas capaz de dar orientações básicas aos visitantes. Porém, não é isso o que acontece.

Cheio de bagagens, sentado em um dos bancos plásticos semelhantes aos de uma sala de espera, o arquiteto recifense Eduardo Amorim, 30, aguardava uma carona de amigos. Na última terça-feira, em sua segunda passagem por Pelotas, desembarcou no começo da tarde não por acaso. “Da primeira vez que estive aqui cheguei à noite. Não havia movimento, somente alguns poucos taxistas. Hoje o movimento de passageiros dá uma sensação melhor”, comenta.

Apesar de Pelotas não ser uma novidade para Amorim, diz não saber muito sobre onde ir, o que conhecer. Quem o ajuda são os amigos pelotenses. Também, pudera. Se dependesse do serviço de informações turísticas ficaria ainda mais perdido. Afinal, por volta das 15h, quando Eduardo desembarcou do ônibus que chegava de Porto Alegre, o balcão de informações dentro da Rodoviária estava fechado. Somente mais tarde uma funcionária assumiu o posto no guichê.

Assim como um turista faria, nossa reportagem buscou orientações. Que ônibus pegar para chegar ao Centro? Quais os principais pontos turísticos? Como visitá-los? “Tem que perguntar direto nos ônibus, não sei”, diz a atendente sobre o transporte coletivo. A respeito dos locais para visitar, a dica é procurar a estrutura montada especificamente para esse tipo de informação.

Impressos e nada mais
Como a própria Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sdet) reconhece, o posto de orientações está deslocado da Rodoviária. Quem não o conhece, dificilmente imaginará que ali, fora do prédio da Eterpel, atrás dos boxes de ônibus, encontrará o que precisa.

“Realmente não é o ideal. Ela foi colocada ali pensando em tornar aquele ponto o local de chegada e saída de todos os veículos turísticos da cidade, o que ainda não ocorreu”, explica Fernando Estima.

De acordo com o secretário, em até 30 dias essa desinformação sobre a cidade e seu potencial turístico deverá ser amenizada. Nas próximas quatro semanas a prefeitura começará a instalar totens eletrônicos em diversos locais - inclusive na Rodoviária - com um banco de dados sobre restaurantes, hotéis, pontos turísticos e outros detalhes sobre a cidade para que os próprios visitantes possam conhecer e saber como chegar.

Mesmo reconhecendo falhas da própria Eterpel e da Sdet, Estima acredita que também é preciso maior envolvimento dos prestadores de serviços como um todo na hora de atender os turistas. “Não existe força pública que dê conta sem envolvimento setorial. Estamos capacitando, investindo em tecnologia. Mas nada disso adianta sem a compreensão geral de que receber bem e auxiliar o turista é fundamental para a cidade.”

Estrutura precária
Fria, úmida e desconfortável. Essa é a percepção de muita gente que circula pela Rodoviária. “Há muita infiltração e quando chove já vi muita goteira aqui dentro. Poderiam dar uma boa melhorada na estrutura”, observa a aposentada Neida Geobetes, 65, enquanto espera o ônibus para Canguçu.

Enquanto isso, no segundo piso, a principal reclamação dos lojistas não é com o pouco movimento de clientes. O que incomoda é a falta do básico. Há 11 anos vendendo roupas para bebês, Roselaine Tomaschewski, 55, perdeu as contas de quantas reclamações já ouviu por conta das condições dos banheiros. “As pessoas viajam por horas, às vezes dias, e chegam aqui em Pelotas e não tem um chuveiro nos banheiros. Acredito que isso é essencial”, cobra.

De acordo com o diretor-presidente da Eterpel, Jorge Luiz Costa Vasques, aos poucos a estrutura física da Rodoviária está sendo qualificada. Porém, isso esbarra no orçamento apertado. Com 68 funcionários e faturamento médio mensal de R$ 340 mil, pouco sobra para grandes melhorias.

“Investimos em acessibilidade nos banheiros e na área externa. Também temos a intenção de tornar a estação mais atrativa aos viajantes, oferecendo serviços diferenciados”, afirma.

A estrutura
Quatro banheiros (dois no térreo, dois no segundo piso)
Oito lancherias
Uma agência dos Correios
Um guarda-volumes
Um fraldário
Duas agências de viagens
31 pontos comerciais diversos (20 lojas de roupas e confecções e apenas uma doceria)


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