Saúde

Rio Grande pode começar a tratar com plasma

Complexo Hospitalar Santa Casa está apto a aplicar o procedimento em pacientes com coronavírus

12 de Agosto de 2020 - 11h14 Corrigir A + A -
A alternativa tem tido bons resultados em vários países (Foto: Andreia Copinia - Prefeitura de Caxias)

A alternativa tem tido bons resultados em vários países (Foto: Andreia Copinia - Prefeitura de Caxias)

O aumento exponencial da Covid-19 e a falta de medicações comprovadas, bem como uma vacina, torna essencial a busca de alternativas para auxiliar no tratamento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus. Com o cenário incerto da pandemia, pesquisadores ao redor do mundo iniciaram suas pesquisas embasadas em diretrizes oficiais para verificar a eficácia da utilização do plasma em pacientes com quadro grave da Covid-19. Desde o começo de agosto, o Complexo Hospitalar Santa Casa do Rio Grande está apto a implementar o tratamento

As iniciativas de transfusão do plasma convalescente, parte líquida do sangue, como uma alternativa de tratamento, foi uma estratégia utilizada em outras pandemias, como a gripe espanhola e o vírus ebola, que resultou positivamente em pessoas contaminadas.

Há alguns meses, a administração e o corpo técnico do complexo hospitalar rio-grandino estiveram em tratativas para a implementação do procedimento em tratamento de pacientes graves, infectados pelo vírus. Foi elaborado um projeto, feita a procura de doadores e alguns plasmas passaram por análise.

“Como tudo voltado à Covid-19 ainda é novo, não há uma total segurança de eficácia, mas tem sido um projeto científico que demonstra bons resultados no mundo inteiro e uma forma alternativa de tentarmos conduzir a situação e garantir a saúde de nossos pacientes”, pontua a direção técnica da casa de saúde

O projeto está sob a coordenação da hematologista Aline Kosinski e ocorre em parceria com o Banco de Sangue e laboratório Lunav. As tratativas tiveram também a participação do diretor técnico da Santa Casa, Evandro Augusto Oss.

O que é o plasma?

O plasma é um dos componentes que corresponde à parte líquida do sangue, sendo composto por proteínas, sais e vitaminas, entre outros. Sua principal função é garantir o deslocamento de substâncias pelo corpo, como os nutrientes, por exemplo. Nele se encontram anticorpos, incumbidos de garantir a defesa do organismo.

Como funciona o tratamento?

O tratamento com o plasma se dá de uma maneira passiva, ou seja, é feita uma transfusão de um anticorpo já existente em uma pessoa em algum paciente que ainda não teve tempo hábil para formar o próprio. No tratamento de combate contra o novo coronavírus, o componente será aplicado em pacientes triados, que estejam em um quadro grave e instável da doença e que se enquadrem nos protocolos, desta forma, não será aplicado em todos que contraíram a doença.

Como é o processo de doação?

Os pacientes, neste primeiro momento, do sexo masculino, com idade de 18 a 60 anos, que tenham se recuperado da Covid-19, há mais de 30 dias, com comprovação da eliminação do vírus, que estejam produzindo anticorpos e que se enquadrem no perfil de um doador de sangue estão aptos a contribuir. Primeiramente, deve ser realizado um teste quantitativo de imunoglobulina classe IgG, para verificar se o candidato possui a quantidade suficiente de anticorpos circulantes para a transfusão nos receptores. Como a Santa Casa do Rio Grande não possui um laboratório quantitativo, apenas qualitativo, foi constituída uma parceria com o laboratório Lunav. Após a análise dos resultados apresentados no teste e a aprovação, o doador deve fazer o agendamento no Banco de Sangue, através dos telefones (53) 3036-8832 ou (53) 3036-8833, para realizar a coleta e passar por testes para outras doenças e exigências préestabelecidas pelo local. Feita a coleta, haverá a separação do plasma e, posteriormente, a classificação dos pacientes aptos a receber a transfusão.

Por que é importante fazer essa doação?

As pessoas que irão fazer essa doação passaram a experiência de viver com o vírus e conseguiram criar anticorpo e combatê-lo. Como não há tratamentos, medicações ou vacina, a solução é buscar alternativas. É uma atitude simples, que pode auxiliar na saúde dos pacientes e mudar um cenário inteiro.


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