Boletim da Zona Sul

Rio Grande: Pet Terapia usada como dispositivos de atenção à saúde mental

Centro de Atenção Psicossocial Conviver da avenida Presidente Vargas recebe a visita dos amigos de quatro patas todas as terças-feira

23 de Agosto de 2019 - 11h05 Corrigir A + A -
A iniciativa é uma ação transversal entre a Coordenadoria Municipal de Defesa dos Direitos dos Animais, ligada à SMMA, e a secretaria de Saúde (SMS).

A iniciativa é uma ação transversal entre a Coordenadoria Municipal de Defesa dos Direitos dos Animais, ligada à SMMA, e a secretaria de Saúde (SMS).

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Nas tardes das terças-feiras uma visitante ilustre de quatro patas tem sido bastante aguardada no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Conviver, da avenida Presidente Vargas, em Rio Grande. A “Teka”, uma cadela da raça Bernese, está levando carinho e afeto para as pessoas atendidas pelo Centro, através de sessões do projeto “Pet Terapia”, recentemente implantado na unidade.

A iniciativa é uma ação transversal entre a Coordenadoria Municipal de Defesa dos Direitos dos Animais, ligada à SMMA, e a secretaria de Saúde (SMS). A Teka é uma jovem de seis anos de idade e tem como tutor o veterinário do município, Marcelo Pereira, que compõe o projeto e acompanha de perto a interação com o animal. Ele conta que a pet terapia – o auxílio de animais de estimação no tratamento de enfermidades – é uma modalidade terapêutica que chegou ao país ainda nos anos 50, mas que só a partir dos anos 90 começou a ganhar espaço, e que em Rio Grande a introdução da experiência em dispositivos municipais de atenção à saúde mental está sendo pioneira. “Nós constituímos o projeto também com a ajuda da ONG Patas Therapeutas, que fica em São Paulo, e nos deu todo apoio com informações importantes para que pudéssemos começar. Surgiu então a possibilidade de iniciar o projeto com a Teka, que é um animal extremamente dócil, afetuoso e carinhoso, características necessárias para este procedimento”, explica o veterinário.

Trabalhos e pesquisas científicas tem mostrado, cada vez mais, os benefícios desta interação humano e animal. Para participar das sessões, que complementam o atendimento oferecido às pessoas assistidas pelo Centro, a Teka atende a todos os protocolos de saúde preconizados para este tipo de interação: está em dia com vacinação, com o parasitológico e higiene no geral. Prova disso é o pelo macio e lustroso, que automaticamente atrai as carícias de todo o grupo. Mas o veterinário explica que os direitos dos animais são também prioridade nesta interação, respeitando o tempo do bichinho, com sessões que duram em media uma hora. Depois disso a Teka aproveita o espaço do pátio para passeio e merecido descanso.

A Ivanir Miranda é arte-terapeuta no CAPS Conviver, participa das sessões dirigidas junto com a equipe técnica do local, e contou um pouco do dia a dia do trabalho realizado no dispositivo e como funciona a dinâmica do processo terapêutico envolvendo a Teka. “O CAPS é um dispositivo que tem que ter essa cara de ‘casa’, onde a gente possa se sentir à vontade, amado e compreendido. Nós recebemos aqui pacientes com vários tipos de transtornos, desde depressão leve a casos mais graves. A partir do acolhimento se seleciona com uma equipe multiprofissional, médicos, psiquiatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, arte-terapeutas, educadores, assistentes sociais, psicólogos, o que é melhor para cada tipo de paciente. Se a arte-terapia, a psicoterapia e, por que não, a pet terapia. É o momento em que nós estamos e, apenas com dois encontros, a gente percebe todo um carinho das pessoas com ela, que se achega para cada um. Depois que a Teka vai embora, a gente senta em roda e conversa sobre o quê que ela nos trouxe e nos causou”, detalha.

A ONG Patas Therapeutas assegura que a terapia assistida por animais funciona como um catalisador, modificando o ambiente, o cotidiano do tratamento e se apresenta como uma possibilidade de expressão dos sentimentos dos pacientes. Segundo a Organização, isto ocorre porque as pessoas projetam no animal, principalmente no cão, seus sentimentos. “Percebem” que o animal é tão vulnerável quanto elas. É um processo que se chama identificação projetiva, ou seja, se identificam com o bicho, onde este passa a ajudar na recuperação, tornando-se a força motivadora que melhora o tratamento.

A ideia é ampliar o projeto para mais CAPS de Rio Grande, incluindo outros animais na rotina da Pet Terapia. A coordenadora de Defesa dos Direitos dos Animais de Rio Grande, Maria de Fátima Maier, argumenta a importância de mostrar através do projeto o quanto “a relação com os animais não humanos ela é muito positiva e traz diversos benefícios para ambos os lados, porque desperta nos seres humanos o que há de melhor, o amor, o carinho, além do próprio cuidado e preocupação com os animais, ensina como tratá-los e como cuidá-los”, argumentou.


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