Pandemia

Rio Grande do Sul seguirá em bandeira preta até início de abril

No mesmo dia, cidades da região sul dão mais um passo para aquisição das vacinas

15 de Março de 2021 - 21h34 Corrigir A + A -
 Os oito imunizantes presentes no edital receberam propostas e quatro empresas já estão com as negociações avançadas para o fechamento do contrato

Os oito imunizantes presentes no edital receberam propostas e quatro empresas já estão com as negociações avançadas para o fechamento do contrato

Com as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotadas, e o sistema de saúde pública entrando em colapso, o governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou ontem, que o Estado seguirá em bandeira preta nas próximas semanas. A única alteração é uma possível volta da cogestão, porém com regras mais restritivas.

Também na corrida por salvar vidas e voltar à normalidade o quanto antes, o Consórcio Público do Extremo Sul (Coepes) abriu nesta segunda-feira (15), na sede da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), os envelopes eletrônicos para conhecer as empresas interessadas em fornecer as vacinas contra a Covid-19 para a Zona Sul. Os oito imunizantes presentes no edital receberam propostas e quatro empresas já estão com as negociações avançadas para o fechamento do contrato.

Quem acompanhou o processo foi o prefeito de Jaguarão, Favio Telis (PMDB), presidente do Consórcio. "Vai ser um grande ganho para todos. A partir da vacinação em massa poderemos ter um cenário harmônico e evolutivo entre o social, a economia e o bem estar de todos", disse Telis. Ele ainda explica que o processo é pioneiro no país e funciona como uma prateleira onde as vacinas serão reservadas para as cidades que terão acesso às doses conforme a necessidade e os recursos disponíveis.

Sobre os próximos passos, comenta que "partimos, agora, para uma segunda etapa de negociações onde buscaremos a melhoraria de valores e agilização dos prazos de entregas", disse o prefeito que participará hoje à tarde de videoconferências com os representantes dos imunizantes da Astrazeneca e Sputinik. Entre os assuntos que serão tratados está a diminuição no prazo de distribuição dos imunizantes que atualmente é de 15 dias.

Participam do Copes, as cidades de Arroio do Padre, Arroio Grande, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Chuí, Herval, Jaguarão, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Lourenço do Sul e Turuçu.

Consórcio Nordeste adquire 37 milhões de doses da vacina

Com um modelo parecido ao implementado aqui, no último sábado, o Consórcio Nordeste composto por governadores dessa região acertou a compra de 37 milhões de doses da vacina Sputinik V. Mesmo sendo um consórcio regional, as doses do imunizante serão distribuídas para todo país através do Plano Nacional de Imunização do governo federal. A compra foi firmada entre o consórcio e o Fundo Soberano Russo.

Segundo o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do consórcio, a previsão é que as vacinas sejam entregues entre abril e julho. No entanto, o imunizante russo desenvolvido pelo Centro Gamaleya, ainda aguarda a aprovação da Anvisa.

Primeira cidade completamente imunizada

Encerrou no último domingo (14), a primeira etapa de vacinação em massa na cidade de Serrana, em São Paulo. É a primeira cidade brasileira a imunizar toda população contra Covid-19. Os moradores participam de um estudo clínico no Instituto Butantan que avalia a eficácia da CoronaVac. A cidade com 45,6 mil habitantes foi dividida em quatro regiões de vacinação (verde, amarela, cinza e azul). Nesta terça-feira, a pesquisa entra em uma nova etapa, quando a população começa a receber a segunda fase da vacina. De acordo com o Instituto, as primeiras conclusões da pesquisa devem ser divulgadas em meados de maio.

Diferente das demais regiões do país, onde os grupos prioritários são imunizados primeiramente, em Serrana toda população está recebendo a vacina ao mesmo tempo. Para a cidade participar do estudo, foram analisados alguns critérios como o local de trabalho dos moradores. A adesão a pesquisa foi voluntária. Todo morador com mais de 18 anos estava apto a ser vacinado, com exceção das grávidas, das lactantes e de pessoas com contraindicação médica.

Estado permanecerá em bandeira preta

Pela terceira semana consecutiva, o Rio Grande do Sul continua em bandeira preta, com restrições mais rígidas que ocasiona o fechamento de serviços considerados não essenciais. O objetivo é frear o aumento exponencial de casos da Covid-19, mas como a situação não tem apresentado uma melhora considerável, a classificação será mantida pelo menos até o início de abril.

A informação foi confirmada ontem pelo governador Eduardo Leite (PSDB). "A análise dos indicadores não vai indicar simplesmente que a bandeira preta estará (em vigor) na semana que vem. Estará por algumas semanas, porque o sistema hospitalar está totalmente tomado de demanda por coronavírus. O número de pacientes confirmados com a doença em UTIs era de 800 há um mês. Agora, são 2,5 mil. É uma pressão muito forte. Isso vai significar que o Estado entre provavelmente o mês de abril com bandeiras pretas", declarou Eduardo.

Há uma previsão de retorno de cogestão a partir do dia 22 de março, dando maior autonomia aos municípios para determinar regras conforme a situação de casos em sua região. No entanto, o chefe do Executivo gaúcho já adianta que mesmo com o retorno da cogestão, devem ser feitos ajustes no protocolos de bandeira vermelha, deixando as atividades mais restritivas. Tudo será definido em uma reunião virtual na próxima sexta-feira com a presença de todos os prefeitos do estado.


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