Impactos da pandemia

Rio Grande do Sul registra mais mortes do que nascimentos pela segunda vez na história

Dados de abril do Portal da Transparência do Registro Civil apontam fenômeno no Estado

04 de Maio de 2021 - 15h41 Corrigir A + A -
Desde o início da pandemia, foi o segundo mês que o Estado registrou mais mortes do que nascimentos

Desde o início da pandemia, foi o segundo mês que o Estado registrou mais mortes do que nascimentos

Pelo segundo mês desde que se iniciou a pandemia da Covid-19, o Rio Grande do Sul registrará um mês com mais óbitos do que nascimentos. Com cerca de 11 milhões de habitantes, o Estado registrou no mês de abril 10.884 óbitos e 10.218 nascimentos, diferença de mais de 600 óbitos a mais do que nascidos vivos. O fenômeno se repete na capital gaúcha, que teve 2.077 óbitos e 1.311 nascimentos, registrando o décimo mês com decréscimo populacional de sua história.
Os dados preliminares, uma vez que registros de abril ainda podem ser lançados, constam no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

"É de extrema importância o auxílio que o Registro Civil tem dado à sociedade e ao Poder Público com a divulgação de dados sobre os atos praticados no Portal da Transparência do Registro Civil, especialmente na disponibilização de dados estatísticos sobre Covid-19", destaca o presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Rio Grande do Sul, Sidnei Hofer Birmann.

A queda na diferença entre os nascimentos e os óbitos no Estado vinha ocorrendo de forma gradual ao longo dos anos, mas se acentuou de forma contundente com a pandemia da Covid-19. Em janeiro de 2020, esta diferença era de 5.013 registros de nascimentos a mais. No mês passado, o RS vivenciou o primeiro mês com mais óbitos que nascimentos e o recorde negativo em sua história, com 3.905 óbitos a mais, fato que se repetiu neste mês, com 746 falecimentos a mais do que nascidos vivos.

Na capital gaúcha, a realidade é semelhante, com uma diferença entre os dois atos que vinha caindo ao longo dos anos, mas se acentuou com a chegada do novo coronavírus. Em janeiro de 2020 eram 407 nascimentos a mais. Já julho e agosto de 2020 registraram os primeiros meses com mais óbitos do que nascimentos, fato que viria a se repetir no mês de março deste ano.

Brasil

No país, a região Sudeste, com cerca de 85 milhões de habitantes tem até a última sexta-feira, 81.525 óbitos e 76.508 nascimentos, realidade que se repete em três dos quatro Estados que compõe a região: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que os dois primeiros registram também o primeiro mês com maior número de mortes do que de nascidos em seus territórios na série histórica.

Além do Sudeste e dos três Estados com mais óbitos do que nascidos na região, o Rio Grande do Sul também registrou um maior número de mortes do que nascimentos em abril. Entre as capitais brasileiras, nove viram os óbitos superarem o número de nascidos vivos, sendo que em quatro delas isso ocorre pela primeira vez desde o início da série história, em 2003: São Paulo (SP), Curitiba (PR), São Luís (MA) e Vitória (ES). As outras cinco, Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), já haviam registrado este fenômeno em meses anteriores.

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