Retomada frustrada

Retorno da rede estadual em Pelotas ainda sem previsão

5ª CRE aguarda o recebimento dos itens em 18 municípios

20 de Outubro de 2020 - 12h06 Corrigir A + A -
Em Pelotas, são 57 educandários na incerteza do retorno (Foto: Jô Folha - DP)

Em Pelotas, são 57 educandários na incerteza do retorno (Foto: Jô Folha - DP)

O retorno das aulas de nível médio e técnico na rede estadual de educação do Rio Grande do Sul, previsto para essa terça-feira (20), não aconteceu em 121 escolas da Região Sul. A chegada dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) estava prevista para duas semanas atrás nos 18 municípios sob responsabilidade da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE) - sem os itens, as atividades presenciais não podem iniciar.

Parte dos colégios já começou a receber os itens, enquanto os demais ainda aguardam - em Pelotas, são 52 educandários na incerteza do retorno. A 5ª CRE acredita que o recebimento total deve ocorrer até a próxima semana. De acordo com a titular da Coordenadoria, Alice Maria Szezepanski, não é preciso que todos os educandários da rede estadual da região estejam com os itens de proteção a Covid-19 para que as salas de aulas passem a ser ocupadas pelos estudantes, professores e equipe escolar. "A partir do momento que a escola receber os EPIs, ela já pode iniciar as aulas", ressalta.

Serão entregues às escolas materiais como máscaras descartáveis, máscaras reutilizáveis, termômetros infravermelho e luvas, além de produtos de higiene e limpeza como o álcool 70. Ainda segundo a 5ª CRE, parte dos itens destinados à higienização já fora comprado pelas escolas, com a verba da autonomia financeira, que não foi suspensa na pandemia.

Segundo o Governo do Estado, o investimento para o retorno seguro da comunidade escolar foi de R$ 270 milhões. Apenas em equipamentos de proteção individual, o valor investido foi de R$ 15,3 milhões.

Durante a tarde desta terça-feira (20), uma reunião entre as escolas de nível médio e a 5º Coordenadoria Regional de Educação deve ocorrer.

Escolas afirmam despreparo para o retorno

Apesar do grande investimento na rede estadual para que o retorno das atividades escolares seja estabelecido, 25% dos colégios de todo Rio Grande do Sul afirmam não estarem preparados para reabrir as portas. A falta de um número suficiente de servidores e a não chegada dos EPIs são algumas das razões, somadas aos decretos municipais que proíbem a retomada das atividades presenciais.

Na região, municípios como Herval, Piratini, Canguçu e Capão do Leão estão nessa situação, de acordo com a 5ª Coordenadoria Regional de Educação. "As escolas respeitam o decreto municipal e aguardam qualquer novo posicionamento", afirmou a titular.

Os colégios dos 18 municípios da região finalizaram a formação do Centro de Operação de Emergências e dos planos de contingenciamento, enquanto outros estão com dificuldades. Para que seja concluído, os Centros de Operação precisam contar com três integrantes da comunidade escolar, um impasse para muitas cidades. Conforme dados da Secretaria Estadual da Educação, das 2,4 mil escolas da rede, em torno de 600 ainda não formaram o COE.

Retorno é escalonado e não obrigatório

O cronograma de retorno das aulas construído pela Seduc não estipula obrigatoriedade de retomada pelos alunos, assim como para professores em grupos de risco. O plano de contingência ordena que a ocupação máxima seja de 50% por parte dos estudantes.

A ideia também é realizar a retomada de forma escalonada e hibrida. A previsão era que os ensinos médios e técnicos voltasse nessa terça-feira. E, seguindo o calendário da Seduc, os anos finais do ensino fundamental retornam a partir de 28 de outubro e anos iniciais, a partir de 12 de novembro.


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