Esperança

Renascimento e fé na vida

Após vencer a Covid-19, Valéria necessita de ajuda financeira para tratamento de sequelas

22 de Julho de 2021 - 15h10 Corrigir A + A -
Milagre e renascimento. Essas são as duas palavras que explicam a história recente de Valéria Pimenta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Milagre e renascimento. Essas são as duas palavras que explicam a história recente de Valéria Pimenta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Milagre e renascimento. Essas são as duas palavras que explicam a história recente de Valéria Pimenta, 47 anos. Após diagnóstico positivo para Covid-19, a professora aposentada passou 27 dias internada na Beneficência Portuguesa de Pelotas, entre enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com cerca de 15 quilos a menos e após ter mais de 50% do pulmão comprometido, algumas sequelas ocasionadas pela doença permaneceram e, devido ao alto custo necessário para os tratamentos, suas filhas criaram uma corrente de solidariedade para ajudar a mãe a vencer mais uma batalha.

Dona da quarta placa "Venci a Covid" da ala São José, da Beneficência, Valéria começou a sentir os primeiros sintomas no dia 8 de junho, quando procurou a UPA Areal. Aquele momento seria o último da professora fora de um leito, sensação que presenciaria novamente apenas um mês depois. Bastou um dia no Pronto Atendimento para que o encaminhamento ao hospital se tornasse indispensável. Com a piora, Valéria passou da enfermaria, onde contava com auxílio de oxigênio, para a UTI, onde foi intubada pela primeira vez. "Quando me levaram da UPA para a Beneficência eu já não aguentava mais, pedia pelo amor de Deus que me colocassem no oxigênio porque eu estava morrendo", relembra.

A partir do dia 13 de junho a história tomou rumos mais dolorosos, tanto para a professora como para a família que recebia notícias apenas uma vez ao dia. Após a intubação, Valéria apresentou uma pequena melhora e veio a primeira tentativa de remover a ajuda mecânica. "Eles tentavam tirar a sedação levemente, disseram que ela estava um pouco agitada, muito nervosa, mas que ao mesmo tempo reconhecia o local em que estava. Tentaram fazer a extubação, mas não conseguiram porque quando tiraram o tubo ela ficou por um segundo respirando e logo teve uma crise bronquiasmática", relata a filha Kamylle. Portadora de arritmia cardíaca, o temor dos médicos era que houvesse uma parada cardíaca e logo Valéria precisou passar por uma nova intubação.

A segunda tentativa de extubação aconteceu somente 12 dias depois. A sedação foi novamente retirada aos poucos devido à agitação e os médicos optaram por não arriscar uma nova crise e consequentemente a necessidade de repetição do processo. "Quando ele nos ligou e disse que iam tentar tirar pela última vez, senão a única opção era a traqueostomia, a gente rezou muito. Fazíamos oração todo o dia, uma corrente com a nossa família de Santa Vitória do Palmar. E aí ela conseguiu sair do tubo", conta Kamylle, emocionada. Na extração houve uma lesão na traqueia, a qual comprometeu a voz da professora, que seguiu para o quarto, onde permaneceu até o dia 4 deste mês.

Exemplo de fé

Uma coisa é certa: os dias no hospital sempre estarão na memória de Valéria. "Lá dentro da UTI tu sente que estão te cuidando, mas é o céu e o inferno andando lado a lado. Tu está bem e daqui a pouquinho ouve alguém dizer que tu está com saturação baixa, que a pressão caiu. Teve um dia que comecei a colocar sangue pela boca e a enfermeira se apavorou. O médico disse que achava que eu não iria aguentar". Mesmo sedada, Valéria garante que consegue lembrar do que era falado dentro da ala.

Questionada se houve momentos de medo ou uma possível desistência, a professora aposentada conta que em alguns dias sentia suas forças se esvaindo. "Pensei várias vezes e ainda falei que não tinha mais forças, que eu não aguentava mais". Ela conta que no momento da última sedação repetiu para si mesma "vamos lá, tu vai conseguir". Sustentada na crença em Deus, ela afirma sua recuperação foi um milagre da Medicina e de sua fé.

Os relatos daquelas que esperavam ansiosas pela recuperação da mãe também são tomados de emoção. As filhas Kamylle e Luiza passaram 27 dias de apreensão e, juntas, precisaram se consolar e buscar forças para se reerguer. "Para nós foi terrível. Foi como se tivéssemos perdido o chão. A gente sabia que se perdêssemos ela, perderíamos tudo, pois só temos ela e uma a outra", relata Luiza. A irmã mais velha conta que o pior sentimento foi o de impotência. "A gente se sentia de mãos atadas porque quando tu tem um familiar doente tu sabe que pode estar junto e cuidar e nesse caso não podíamos. Por horas ficávamos pensando que somos filhas e não estávamos nesse momento juntas. Pensávamos no tanto que ela faz por nós e a gente não podia fazer nada por ela", conta Kamylle.

Sequelas

Com a primeira batalha vencida, Valéria passa agora a lutar contra novas adversárias: as sequelas. A primeira grave consequência surgiu ainda no hospital, com o diagnóstico de trombose venosa profunda. "Eu estava no quarto, era quatro da manhã e eu tinha uma dor insuportável na minha perna. Quando levantei o cobertor ela já estava enorme", conta. Após diversos exames foi constatado que apenas uma artéria estava irrigando a perna direita.

Atualmente, Valéria passa todo seu tempo em repouso e ainda depende do marido para se locomover. Para isso, a família luta por uma cadeira de rodas e também pede ajuda financeira para arcar com os medicamentos que precisarão ser utilizados por um período de seis meses. O custo é de R$ 230,00.

Além da trombose, Valéria desenvolveu diabetes, está sem olfato e paladar. Houve piora na visão, falta de memória e ela ainda conta com 30% do pulmão comprometido. "É tudo muito difícil, lá [hospital] é muito difícil e agora também está muito difícil", frisa a professora. Para retornar à normalidade, a orientação médica aponta para a necessidade de acompanhamento com psicólogo, pneumologista e fisioterapeuta - este para cuidar da respiração e da parte física para que a perna direita volte a contar com movimentos.

Enquanto as filhas lutam pelos procedimentos de forma gratuita, o tempo está passando e as dores aumentando. Logo, elas criaram uma corrente solidária para ajudar a mãe e pedem a ajuda da população.

Como ajudar dona Valéria?

Qualquer ajuda financeira pode ser realizada através de transferência bancária

PIX: luizapim1@gmail.com ou kpimentavianna@gmail.com

Telefone/Whatsapp para contato: (53) 99930-8438 ou (53) 99701-5754


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