Alerta

Reformas na Igreja do Porto são urgentes

Plano de salvamento da estrutura foi apresentado na tarde desta quarta e prevê sete etapas para recuperação da paróquia, que corre risco de desabar

24 de Setembro de 2020 - 11h56 Corrigir A + A -
Fundada em 1912, a igreja é a segunda mais antiga da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Fundada em 1912, a igreja é a segunda mais antiga da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Live foi realizada na tarde de quarta-feira (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Live foi realizada na tarde de quarta-feira (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em prol da preservação de seu patrimônio, a Igreja Matriz da Paróquia Sagrado Coração de Jesus irá passar por reformas de urgência em suas estruturas. A segunda igreja mais antiga da cidade - fundada em 1912 - está comprometida após a passagem do ciclone-bomba, na transição entre junho e julho. Os efeitos do fenômeno trouxeram graves prejuízos para a igreja, que corre o risco de desabar. Em live na tarde desta quarta-feira (23), nas redes sociais da paróquia, o padre Wilson Fernandes apresentou plano de salvamento da estrutura, que contará com o apoio dos fiéis e também com a busca por investimentos do Poder Público.

A Igreja foi gravemente atingida pelo ciclone-bomba. O fenômeno fez com que as colunas de sustentação fossem prejudicadas. “A Igreja pode cair, há a possibilidade de colapso”, explicou o pároco Wilson Fernandes. 25 dias após a passagem do ciclone, surgiu outro prejuízo. Houve o desprendimento de um bloco de gesso das paredes. Este cenário resultou na interdição da paróquia. “Diante desta iminente possibilidade de colapso, impedimos completamente o acesso dos fiéis. Havíamos voltado com as missas com poucas pessoas, mas fechamos novamente”, afirmou. Além da interdição, foi chamada a responsável técnica pelo restauro, acompanhada dos mestres de obras e dos engenheiros, que elaboraram o projeto e realizaram um trabalho técnico para atestar as pequenas reformas que já tinham sido feitas.

Desde 2017, a igreja já realiza intervenções cotidianas em suas estruturas, como a reforma do piso e do salão paroquial. Uma pequena obra também foi realizada no telhado, mas com efeito provisório. Os fortes ventos escancararam estas questões estruturais da Igreja. O telhado atual é muito leve, feito de cerâmica. As paredes não possuem nenhum tipo de ferro, são compostas de tijolos e de uma argamassa muito fina, que era a tecnologia existente na época. Com esta fragilidade do telhado, acentuada após o ciclone, as paredes começaram a ceder.

O plano apresentado é o primeiro passo para o processo de restauração da Igreja. Com a possibilidade de queda da estrutura, o salvamento é visto como urgência. As ações dentro deste planejamento foram divididas em sete etapas. A estimativa é de quatro meses de obras. Na segunda-feira serão feitas as primeiras ações deste salvamento. A primeira delas consiste no escoramento inicial e salvamento dos elementos decorativos. Também prevê a proteção do piso, dos vitrais, do para-vento e dos mármores.

Em um segundo momento, haverá a execução de um laudo técnico e a projeção de um escoramento estrutural, pensado pela equipe técnica. A terceira parte deste salvamento é, justamente, a execução do projeto de recuperação. “Com esta preparação para a obra e consolidado o escoramento, iniciaremos os trabalhos”, aponta o pároco. As quatro primeiras fases da obra estão previstas em um montante de R$180 mil, com cada uma destas quatro partes exigindo orçamento de R$ 45 mil. Nestes investimentos estão previstos todos os laudos, mão de obra e aquisição de materiais para as obras.

Verbas públicas

A Igreja busca recursos para iniciar os trabalhos já há alguns anos, mas teve uma certa demora em decorrência de não possuir os tombamentos definitivos. Para conseguir verbas públicas, é necessário cumprir um protocolo junto às autoridades, algo que ainda está sendo realizado pela paróquia. O tombamento municipal foi concedido apenas em fevereiro deste ano. “Para acessar a verba, precisa de um projeto, de uma licitação pública e são no mínimo três meses para fazer isso. Não temos este tempo, a demanda é grave e urgente. Mas, vamos em busca também do tombamento estadual e federal para conseguirmos este suporte”, afirmou o padre.

Celebrar, cuidar e partilhar

“É um bem da comunidade pelotense. Pertence a história de muitas pessoasque viveram muitos dos momentos especiais de suas vidas. É um lugar que faz parte da história também da cidade. A primeira imagem que as pessoas enxergam quando chegam de Rio Grande é a torre da Igreja e seria muito triste perder esta vista”.

Com este princípio foi lançada a campanha Celebrar, cuidar e partilhar, que prevê uma série de ações junto à comunidade. O primeiro ato concreto acontecerá no próximo dia 12, data em homenagem à Nossa Senhora Aparecida. A Igreja fará um almoço beneficente, no sistema drive-thru, em prol das obras de restauro.

É possível colaborar através do telefone da paróquia, (53) 3222-3678 ou do WhatsApp da Igreja, (53) 99703-3999. Outras ações também serão realizadas ainda neste ano para arrecadar fundos para a restauração. Será lançada uma conta bancária, para o depósito de doações, e um site que trará as informações do andamento da campanha.


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