Rural

Quantidade de áreas semeadas com arroz deve ser menor este ano

De acordo com a projeção do Irga a redução para a safra 2021/2022 deve ser de 1,21% no Estado e 0,34% na Zona Sul em relação ao esperado no ano passado

21 de Outubro de 2021 - 09h46 Corrigir A + A -
Responsável por mais de 70% do arroz produzido no Brasil, o Rio Grande do Sul deve contar com 957.449,07 hectares semeados com o grão na próxima safra, segundo a projeção do Irga -(Foto: André Matos)

Responsável por mais de 70% do arroz produzido no Brasil, o Rio Grande do Sul deve contar com 957.449,07 hectares semeados com o grão na próxima safra, segundo a projeção do Irga -(Foto: André Matos)

Os próximos dias serão decisivos para a safra do arroz 2021/2022. A colheita, que deve ocorrer entre janeiro e fevereiro, irá depender do avanço do plantio, que ocorre até a próxima semana. No entanto, um levantamento da intenção de semeadura feito pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indicou a diminuição de 1,21% no cultivo em todo o Estado se comparado à estimativa do ano passado. Na Zona Sul, os dados mostram uma redução de 546 hectares de terras destinadas ao grão. Um dos motivos para a queda é o custo de produção.

Responsável por mais de 70% do arroz produzido no Brasil, o Rio Grande do Sul deve contar com 957.449,07 hectares semeados com o grão na próxima safra, segundo a projeção do Irga. No ano passado, a área estimada de plantio era de 969.192 hectares, mas acabou não se concretizando e fechou o período com 945.971 hectares plantados. A produção no Estado foi de 8.523.429 toneladas. Ainda sem projeções de volume para a próxima safra, a diretora técnica do Instituto, Flávia Tomita, afirma que o clima será definitivo. "Se conseguirmos semear a maior parte das áreas dentro da época de semeadura, isso nos dará uma boa perspectiva. Tudo vai depender das condições climáticas que teremos durante a safra", comentou.

Zona Sul também deve apresentar queda

Na região, a intenção de semeadura na safra 2020/2021 era de 160.284 hectares, quantidade que caiu para 159.738 este ano, representando 0,34% a menos de área destinada ao cultivo do arroz. Na colheita passada o grão foi cultivado em 163.208 hectares, que produziram 1.521.927 toneladas, ficando atrás apenas da Fronteira Oeste com 278.349 hectares semeados e colhidos.

Um dos produtores que optou por reduzir a área plantada foi Carlos Alberto Iribarrem, de 76 anos. No ano passado, eram 1.400 hectares destinados ao plantio do grão. Nesta safra, serão 1.110. No espaço, será cultivada soja. Ele conta que a perspectiva com arroz é incerta, principalmente com a suba no preço de itens necessários, como óleo diesel e fertilizantes. "Na realidade, estamos fazendo um voo cego, pois estamos plantando com um custo muito alto, sem saber o que vamos ter de preço na hora de vender", comentou.

O engenheiro agrônomo ainda diz que a cultura do arroz se trata de "uma lavoura mais cara", porém mais estável em relação à soja. "Precisamos ter um pouco mais de cautela em tudo o que vai se fazer hoje em dia", ressaltou Iribarrem. Atualmente, o produtor está fazendo o plantio do arroz em sua lavoura para a colheita que deve ser feita em março ou abril do ano que vem, ação que depende do clima para o desenvolvimento do grão.

Previsão de pouca chuva

Com a recente confirmação da presença do fenômeno La Niña no verão, as chuvas devem ficar abaixo do esperado na Zona Sul segundo o meteorologista Fernando Rafael, da Sigma Meteorologia. Ele conta que a diminuição nas precipitações já vem sendo percebida ultimamente se considerado que a média para outubro é de 120 milímetros e, até o momento, foram registrados apenas 60. E não há previsão de muita chuva para os próximos dias. Os meses de novembro e dezembro também devem ser de escassez segundo Rafael. Já para o verão, ele explica que será possível afirmar as condições certas mais próximo da estação, mas já se sabe que será de poucas e irregulares precipitações.

Mesmo com o fim do inverno e o começo da primavera registrando bons índices de chuva, possibilitando a manutenção dos reservatórios, o meteorologista explica que tendo em vista a previsão de tempo seco, a médio prazo, essa situação pode ser prejudicial para a agricultura, já que com os dias maiores e a radiação mais intensa pode ocorrer a perda de água, causando problemas na irrigação. "Vai evaporando mais água do solo e, ao mesmo tempo em que sai e não entra a água necessária ou a quantidade que normalmente entraria, a gente começa a ter um déficit que vai acumulando", finalizou.


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