Educação

Professores fazem ato simbólico em frente à 5ª CRE

Suspensão de novas matrículas para EJA e cursos técnicos virou protesto em diferentes cidades

15 de Setembro de 2020 - 22h48 Corrigir A + A -
Integrantes do Cpers-Sindicato foram até a Coordenadoria para marcar posição (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Integrantes do Cpers-Sindicato foram até a Coordenadoria para marcar posição (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Durante a última semana de agosto, as escolas da rede estadual de educação em todo o Rio Grande do Sul voltaram a atenção à rematrícula dos alunos para o segundo semestre letivo de 2020. Contudo, dessa vez novas vagas não serão ofertadas na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nos cursos técnicos. Nesta terça-feira (15), educadores de todo o Estado realizaram atos simbólicos contra a decisão. Por aqui, a mobilização se deu em frente à 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ª CRE).

Para o Cpers-Sindicato, a não disponibilização de novas matrículas ameaça o funcionamento dos dois modelos de ensino na rede pública de educação. “Nosso receio, sabendo das políticas do atual governo, é que essas modalidades de ensino não sejam mais oferecidas no próximo ano”, explicou o diretor do 24º Núcleo do Cpers, Mauro Amaral.

Além disso, sem as matrículas, a carga horária dos professores diminui, como salientou a representante do Sindicato, Sônia Solange. “Isso atrapalha a vida dos professores que já estão organizados. É uma forma de remanejá-los em outras escolas, diminuindo carga horária e, assim, a folha de pagamento”, frisa. Por conta do ensino remoto, a categoria garante estar passando por sobrecarga de trabalho, ao realizar jornada dupla e precisar improvisar salas de aula dentro da própria casa. A medida, conforme a representante, afeta ainda mais o psicológico dos profissionais. “Nossos professores estão adoecendo”.

Estrutura existente e mobilizações

Pelotas possui nove escolas com turmas destinadas às matriculas de EJA e cursos técnicos. A Escola Estadual Adolfo Fetter é uma delas: a cada semestre cerca de 35 alunos concluem o último semestre da formação através da EJA. De acordo com a professora Mara Rosana, a oportunidade abre portas ao Ensino Superior e para uma ascensão social. “É uma nova oportunidade de vida. Os alunos se formam e nos anos seguintes retornam à escola contando da mudança que o curso proporcionou na vida deles”, contou.

No segundo semestre letivo do último ano, a Secretaria Estadual de Educação ofertou mais de nove mil vagas em 45 cursos técnicos em toda rede estadual. A formação oferecia 11 eixos tecnológicos, compostos pelas áreas de Informática, Indústria, Infraestrutura, Serviço, Saúde, Comércio, Administração, Campo e Turismo.

Em Porto Alegre, um ato simbólico também ocorreu em frente ao Palácio Piratini nesta terça. Há duas semanas, 18 escolas da rede estadual localizadas na capital gaúcha protocolaram representação no Ministério Público (MP) a fim de denunciar a medida e solicitar providências. “Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelas escolas, em nenhum momento elas deixaram de desempenhar sua função social, que é a de principalmente acolher esses jovens e adultos, oportunizando condições de mudarem suas vidas, proporcionando-lhes formação qualificada em diferentes níveis”, diz o documento.

O que diz a Seduc?

Por nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que o trancamento de novas matrículas ocorre em decorrência da pandemia da Covid-19, além de servir como um prolongamento dos prazos das etapas de cada um dos cursos estipulados aos estudantes atualmente matriculados na rede. Outras ações seguem em andamento, como a busca ativa por alunos para evitar a evasão escolar e as transferências entre escolas. Confira a íntegra da posição:

"A Secretaria Estadual da Educação informa que orientou para que as escolas estaduais não recebessem novas inscrições nas modalidades de ensino que funcionam por regime semestral. Entre elas, estão a Educação para Jovens e Adultos (EJA), Cursos Técnicos e Aproveitamento de Estudos do Curso Normal. A iniciativa, que ocorre de forma excepcional em função da pandemia de coronavírus, tem o intuito de aumentar o prazo para que os alunos que já estão matriculados possam concluir as etapas dos cursos. A Seduc ressalta que as transferências seguem normais e realiza uma busca ativa dos alunos para evitar a evasão escolar."


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados