Caos

Problema sem fim

UCPel volta a se manifestar e a clamar por ações do Poder Público para conter o barulho na quadro do Campus I, na rua Gonçalves Chaves

13 de Março de 2019 - 08h30 Corrigir A + A -
Imagens da câmera de segurança da UCPel mostram o grande fluxo de pessoas em frente ao Campus I. (Foto: Divulgação - DP)

Imagens da câmera de segurança da UCPel mostram o grande fluxo de pessoas em frente ao Campus I. (Foto: Divulgação - DP)

Na manhã de terça-feira (12), a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) divulgou uma nota que pode ser vista como um pedido de socorro. Nela, a instituição veio a público se manifestar contra a grande concentração de pessoas que acontece a cada início de semestre em frente à entrada do Campus I, localizado na rua Gonçalves Chaves. O sentimento de impotência predomina, o que levou a novas cobranças dos governantes da cidade, principalmente depois do que aconteceu na noite da última segunda-feira (11). A universidade afirma que os serviços disponibilizados são diretamente afetados pelo "caos" que se instala na rua. A Secretaria de Segurança Pública (SSP), de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana (SGCMU) e de Transporte e Trânsito (STT) foram ouvidas pelo Diário Popular, para falarem das ações que estão sendo tomadas para conter o problema.

Na nota divulgada pelo Núcleo de Comunicação e Relacionamento da UCPel, a instituição lembra que o problema vem ocorrendo ao longo da última década. Quando o semestre se inicia para a comunidade acadêmica da UFPel, "professores e funcionários da Católica precisam contar apenas com a sorte para que possam oferecer serviços educacionais com a qualidade esperada e desejada". Isso porque as pessoas que se juntam no local geram um barulho consideravelmente alto e impedem a passagem de pedestres e veículos. Além disso, "a venda e o consumo de drogas lícitas e ilícitas" causam insegurança a quem transita por lá. Ainda segundo a nota, a coordenação da universidade inicia a "peregrinação por gabinetes de órgãos públicos e das forças seguranças, para suplicar ajuda", feita desde 2012, na expectativa que o Poder Público encontre uma solução para o problema. "Sabemos que a resposta está nas mãos dos poderes Executivo e Legislativo de Pelotas, que deveriam atuar para garantir o cumprimento da lei. Mas isto, infelizmente, não acontece", ressaltaram. A Católica, por sua vez, se vê prejudicada por não conseguir prestar seu serviço de melhor maneira, "o que gera impacto direto no processo de aprendizagem de seus estudantes".

As ações do Poder Público
Devido ao número de pessoas que tomaram conta do entorno da UCPel na noite de segunda-feira, os agentes de trânsito optaram por fechar a rua Gonçalves Chaves para preservar a segurança de todos. A intenção inicial, no entanto, não era essa, explicou o secretário de Transporte e Trânsito, Flavio Al Alam. Ele relembrou as ações conjuntas feitas entre a Guarda Municipal, Brigada Militar e agentes de trânsito no local, necessárias para que a situação seja controlada de forma eficaz. Al Alam também ressaltou que a maioria dos ônibus e vans que levam e buscam estudantes estão estacionando na rua Félix da Cunha, com o objetivo de tentar desafogar o trânsito em frente à Católica. Além disso, a STT recolocou o estacionamento dos dos lados da Gonçalves Chaves para evitar o tráfego de pessoas no meio da rua. É esperado que essa situação não se repita, mas de acordo com o secretário, "não se pode tirar (as pessoas) pelo braço", apenas promover um controle.

Em relação aos bares situados no entorno da universidade, vistorias sistematizadas são realizadas pela Secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana. O secretário Jacques Reydams explicou que, dos oito bares, seis estão legalizados. Os outros dois estão com a documentação vencida e serão fiscalizados ao longo desta semana para que os alvarás sejam colocados em dia. Até o final do mês, uma reunião será feita entre a SGCMU, Ministério Público, Brigada Militar, Guarda Municipal e os donos dos estabelecimentos para a tomada de decisões. "As atividades são permitidas, mas é conflitante", admitiu Reydams. O problema, segundo ele, não é apenas dos bares, mas sim da comunidade acadêmica no geral. Legalmente não é permitido proibir a circulação de pessoas e o consumo de bebidas alcóolicas, mas deve haver um controle mais rigoroso. O secretário é enfático ao afirmar que a comunidade acadêmica é itinerante, ou seja, os estudantes sempre irão encontrar algum outro local convivência. Todos possuem o direito a lazer, mas, é claro, com limites.

Desde 2018, a Secretaria de Segurança Pública mantém um conjunto de estratégias no entorno da UCPel e em todos os campus da UFPel, a chamada "região universitária". De acordo com o secretário Aldo Bruno Ferreira, com a retomada do espaço, o fluxo foi normalizado e o assalto a pedestres reduzido. O que aconteceu na rua Gonçalves Chaves na noite de segunda-feira já estava previsto. Quatro viaturas estavam presentes no local e câmeras de segurança monitoravam a movimentação. O secretário explicou que, por se tratar de um dia atípico - com aulas de menor duração e recepção dos calouros -, o melhor caminho escolhido foi de preservar quem estava lá e não entrar em confronto. "Foi um dia festivo", justificou. O bom senso falou mais alto e resguardar as pessoas foi a opção escolhida. O trabalho da Guarda Municipal, Brigada Militar e agentes de trânsito seguirá normal, e a expectativa é que tudo seja normalizado com o passar dos dias. "Ontem (segunda) foi excepcional, pois não ocorre todos os dias", reiterou Aldo Bruno.

A opinião dos estudantes
O Diretório Acadêmico (DA) do curso de Direito da UCPel mantém um diálogo aberto com alunos, professores e funcionários. Muitas reclamações referentes ao grande fluxo de pessoas que dificulta o trânsito, a entrada e saída na instituição e, principalmente, ao barulho que ecoa na maioria das salas chegam até os membros da equipe no início e final de ano letivo. "O problema não é as pessoas, mas sim o barulho", afirmam. Carros de som e divulgações de festas mostram "a falta de consideração e respeito com quem está lá dentro". O DA não defende o fechamento de bares e sim o controle. Além disso, ressaltam que não são apenas os alunos da UFPel que transitam por lá. "Tem muitos alunos da UCPel que vão ali. A culpa não é da UFPel, e sim da comunidade acadêmica", justificam.

Na visão do Diretório, espaços que possibilitam a confraternização são essenciais. "A gente entende que é um ponto de convívio social e de nenhuma maneira a gente acha que ele não deveria existir. Talvez ali não seja o lugar mais adequado para isso", explicaram os estudantes. Portanto, se a Gonçalves Chaves continuar sendo ponto de encontro entre membros da comunidade acadêmica, é preciso que exista controle e empatia com quem está estudando. "Somos todos colegas, independente de Federal ou Católica, todo mundo se dá bem", finalizam.


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