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UFPel reserva 25% das vagas na pós para cotistas; instituição possui 47 programas de pós-graduação

12 de Julho de 2018 - 16h44 Corrigir A + A -
UFPel foi a primeira universidade gaúcha a tomar a medida.  (Foto: Paulo Rossi - DP)

UFPel foi a primeira universidade gaúcha a tomar a medida. (Foto: Paulo Rossi - DP)

Há pouco mais de um ano, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foi pioneira no Estado em abrir o sistema de cotas nos programas de pós-graduação. Aprovada pelo Conselho Universitário (Consun), hoje são reservadas 25% das vagas para estudantes negros, indígenas, quilombolas ou com alguma deficiência. A portaria que deu o prazo de 90 dias para todas as universidades públicas implementarem o sistema de cotas foi publicado no Diário Oficial da União em agosto de 2016, porém a política não é uma regra entre as instituições.

Conforme dados da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFPel, a maior parte das vagas é ocupada por negros e os cursos mais procurados são da área de humanas. Segundo levantamento da entidade, são a parcela de estudantes com maiores índices de permanência e de desempenho no meio acadêmico. A universidade dispõe de 47 programas de pós-graduação.

Considerada uma política de reparação com a comunidade negra brasileira, a política de cotas se popularizou e entrou em ação em 2003. Para os cursos de graduação, a UFPel foi a última do Estado a adotar o sistema, em 2012, com 40% das vagas destinadas para estudantes com formação em escolas públicas.

Um dado que chama a atenção de Rafael de Castro, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, é a representatividade das raças nas universidades públicas brasileiras. "Estudos mostram a maior proporção de alunos brancos. Em torno de 10% a mais do que apresenta a média dos autodeclarados em dados do IBGE. Enquanto negros é de 24% a 34% a menos que a média identificada em cada região", contextualiza a importância da política.

Permanência
A política de cotas na pós-graduação já fazia parte do programa de gestão da atual Reitoria da UFPel, responsável por implementá-la sendo uma das pioneiras em todo o país. Até hoje há dúvidas se foi a segunda ou terceira universidade a adotar a medida. Foi também em 2016 que a instituição criou uma política de permanência, através de auxílios, para esta parcela de estudantes.

Em outubro de 2017 decidiu-se então dar prioridade entre as bolsas administradas pela universidade para estudantes cotistas. Atualmente são direcionadas a cotistas 27 bolsas, de um total de 35, no mestrado, e oito, de um total de 18, no doutorado. "São 10% de todas as bolsas existentes que nós temos gerenciamento", explica de Castro.

Atualmente também quem faz pós-graduação na UFPel pode utilizar do auxílio moradia, residindo na Casa do Estudante, além de auxílio transporte e alimentação, que já eram disponibilizados a alguns estudantes da graduação.

Minoria
Em abril de 2016, de um total de 1,3 mil professores, cerca de 20 eram negros. O número representa 1,4% do total de docentes, um dos motivos que fizeram a administração planejar e criar políticas para aumentar este índice, conta o coordenador. "É uma reparação com a nossa região também, com forte presença de comunidades negras", argumenta.

No final deste ano, a UFPel pretende reunir todos os estudantes cotistas da pós-graduação para uma avaliação e ouvir demandas dos estudantes.

 


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