Estação

Primavera deve ser de tempo seco na Zona Sul

Fenômeno La Niña, mais intenso na segunda metade de outubro e ao longo de novembro, já motivou plano de ação realizado pelo Sanep

22 de Setembro de 2020 - 08h45 Corrigir A + A -
 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

(Foto: Carlos Queiroz - DP)

A primavera começa, oficialmente, nesta terça-feira (22) no Hemisfério Sul e gera um alerta na Zona Sul do Estado. A estação, reconhecida pelo colorido das flores, deve ser marcada por períodos de seca, que já impulsionaram a elaboração de um plano de ação do Sanep. O objetivo é reduzir os impactos de uma possível estiagem que pode se consolidar na reta final de outubro e no mês de novembro.

A tendência é de que haja uma irregularidade muito grande nos índices pluviométricos durante a primavera. As perspectivas de chuva acumulada estão abaixo da média da estação e a estimativa é que devam se assemelhar às demais estações do ano. O diferencial é que, pelas temperaturas, a evaporação reduzirá o potencial hídrico de abastecimento.

A experiência com a estiagem no primeiro semestre de 2020 serviu como aprendizado para o Sanep. Diante deste prognóstico, já foi elaborado um plano de ação para administrar um possível quadro de nova redução no nível da barragem. A diretora-presidente do Sanep, Michele Alsina, confirmou que a autarquia prevê uma intervenção na estação de tratamento Sinnott, o que traria maior eficiência na ampliação do sistema de captação de água na barragem Santa Bárbara.

“Esta intervenção será feita no Sinnott. Em períodos de longa estiagem, o Sanep recorreu a transposição do arroio Pelotas para a barragem. Como estes custos são altos, se chegou a uma análise de que, através de uma adutora já existente no Sinnott, é mais fácil levar a água do arroio para lá para depois ela chegar até a barragem”, afirmou a diretora.

Ela ainda explicou que, para viabilizar esta intervenção, será colocado um outro posto de sucção para o arroio, que irá utilizar a mesma galeria existente na estação. “Esta solução foi a que o grupo técnico entendeu ser a mais eficiente neste momento. Também prevemos a execução de uma segunda galeria que irá expandir ainda mais esta capacidade. Mesmo que o quadro de estiagem não se confirme, esta intervenção ficará de herança para o Sanep. Entendemos que ela é o início de uma futura expansão do sistema de captação de água na cidade”.

Quando o assunto é agricultura, as chuvas que ocorreram em setembro - que atingiram 175 milímetros - trouxeram um equilíbrio, que permite aos produtores estarem mais bem preparados para esta provável diminuição. “A redução das chuvas nos meses iniciais não será um problema. Temos as reservas cheias de água, depois do período bastante difícil que passamos, foi um período bem crítico de seca”, destacou o técnico da Emater, André Perleberg. “Conseguimos repor e estaremos seguros por um certo tempo, mas sempre atentos a como se desenvolverá durante a estação. Na fruticultura, os açudes trazem esta segurança para fazer a irrigação”.

La Niña vem aí

O fenômeno consiste na diminuição das temperaturas da superfície das águas do Oceano Pacífico, em suas regiões mais próximas aos trópicos centrais e orientais. Sua ocorrência acarreta mudanças significativas no panorama de temperaturas e de chuvas, o que deve refletir na Zona Sul nos próximos meses. O fenômeno já está em formação no Oceano Pacífico e deve causar episódios tardios de frio. Há também a previsão de maior frequência de granizo na região.

Esta previsão de frio preocupa os produtores. A variação da amplitude térmica prejudica o cultivo de algumas culturas, que necessitam de índices mais estáveis para se desenvolver. “Teremos temperaturas mais elevadas, como fez em Pelotas nos últimos dias, e outras mais baixas. Algumas culturas são mais sensíveis a estas grandes variações. Os produtores de tomate e pimentão já começaram a se preparar para esta instabilidade”, comentou o técnico da Emater.


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