Alta do leite nos supermercados

Preço do leite nos supermercados deve seguir subindo até julho

Aumento nos custos de produção é o principal fator que afeta o valor do produto

22 de Junho de 2022 - 11h03 Corrigir A + A -

Por Victoria Fonseca
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Até julho, o preço do leite deverá continuar subindo e pode chegar a R$7,00 nos supermercados (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Até julho, o preço do leite deverá continuar subindo e pode chegar a R$7,00 nos supermercados (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Desde o início do ano, o preço do leite longa vida continua subindo nas prateleiras dos supermercados. Atualmente, é difícil o consumidor encontrar a caixa de um litro integral do produtor por menos de R$ 5 e a tendência é que até pelo menos o mês de julho esse quadro prossiga. De acordo com pesquisa realizada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o leite está entre os cinco itens da cesta básica com as maiores altas em maio. Em Pelotas, o menor preço encontrado foi de R$ 5,19.

O valor do produto, que aumentou 6% no último mês na maior parte das capitais do país é afetado por fatores como o preço internacional das commodities, especialmente do milho e da soja, aponta o instituto de pesquisa. O que é sentido nos custos de produção.

Essa constatação é feita por produtores de leite e representantes de supermercados da Zona Sul do Estado. Dulcinéia Lubke é uma das produtoras em Pelotas. Ela, junto com seus dois filhos, vendem para as fábricas em média cerca de 3,5 mil litros de leite por mês. Com esse volume de produção, é pago aos produtores uma média de R$ 2,25. Acima de cinco mil litros, o valor passa a ser de cerca de R$ 2,40.

Custo de produção

Dulcinéia explica que com o valor que está sendo pago ao produtor, a margem de lucro é pequena, pois o custo de produção está cada vez mais alto. Entre os motivos, estão a estiagem e a suba de preço de adubos. Para plantar a pastagem que serve de alimentação para o gado leiteiro, é necessária a utilização de fertilizantes como ureia, que nos últimos meses teve uma suba considerável de valor. Além disso, com a pastagem seca por causa do volume de chuva abaixo da média, há a necessidade de complementar a alimentação dos animais com rações, que são compostas por milho e soja.

"O custo de produção aumentou porque o farelo está muito caro. Tudo é um contexto. O adubo, a ureia, a semente para produzir, tudo aumentou. Para render bastante leite tem que botar ureia no pasto. Se tu não tem dinheiro, tu não consegue fertilizar e o gado produz menos", explica.

Jeferson Maciel é outro produtor de leite que menciona os mesmos motivos para o aumento do valor final do produto. De acordo com ele, neste ano o preço dos insumos para manter o gado dobrou. "O saco da ureia no ano passado era entre R$ 80 e R$ 90, agora está cerca de R$ 200. O custo subiu muito e nós só tivemos um implemento de em torno de R$ 0,10 no valor pago pelo litro", contabiliza.

O produtor conta ainda que neste ano muitos produtores estão trocando a criação de gado leiteiro pela produção de soja e milho, pois com o aumento de custos há mais despesa do que lucro. "Sem pastagem e insumos não tem leite. O que as vacas comem é o que gera o produto de qualidade", conta. Quanto menor for o número de produtores, maior fica o valor do litro do produto.

Aumento de preços no horizonte

A tendência ainda é que o preço do leite continue a subir nos supermercados até o final de julho. Essa previsão é feita pelo presidente do Sindicato dos Gêneros Alimentícios da Zona Sul do RS (Sindigêneros), Hélio Berneira. Além do aumento no custo de produção, ele aponta também o preço das embalagens e dos combustíveis.

"A propensão é que o leite chegue a R$ 7. Previsão de baixa até fim de julho não tem, pode até ter uma promoção aqui, outra lá, mas nada além disso", projeta.

Berneira afirma ainda que, após o mês de julho, há a possibilidade que o preço do produto baixe. Porém, não será uma queda muito expressiva para o consumidor. "Lá por agosto, a pastagem do gado está melhor e o preço cai, voltando ser em torno de R$ 4,90, por aí, não menos que isso." Além disso, ele aponta que a margem de lucro dos supermercados sobre o leite não é o motivo para os preços altos do produto, já que a taxa "não é grande", ficando em cerca de 3%.


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