"O Mercado é nosso"

População pede a volta da música no Mercado

Músicos se reuniram no pátio interno para protestar e reunir assinaturas que serão entregues ao Ministério Público

20 de Abril de 2019 - 23h40 Corrigir A + A -

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(Fotos: Carlos Queiroz - DP)

“O Mercado hoje é uma galeria de arte que a principal obra é a música”. A frase de Wagner Lopes, do grupo Amigos do Sereno, é um resumo do que hoje é o Mercado Central de Pelotas. Um ponto de encontro, de lazer e entretenimento onde se encontra toda a cidade.

Com os instrumentos em silêncio, o som neste sábado saiu da voz de músicos, vereadores e da comunidade em protesto pelo retorno da música no local que se tornou um ponto forte da cultura popular de Pelotas. O protesto organizado pelo grupo O Mercado é nosso também reuniu assinaturas e leu uma carta que será entregue ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) nesta semana.

Foi do MP que partiu a decisão de proibir as rodas de samba e apresentações semelhantes no espaço. Ao promotor André de Borba chegou um abaixo-assinado de moradores do entorno com reclamações do barulho oriundo da música tocada nos bares, restaurantes e pátio interno do local.

Às secretarias responsáveis pelo Mercado, o MP determinou a permissão de apresentações feitas com voz e violão. A decisão significa a proibição do samba, pagode, choro, hip hop, charme, entre outras manifestações populares.

Somado a isso, foi cancelada uma roda de samba do grupo Amigos do Sereno no final de março com o argumento do número de pessoas confirmadas no evento nas redes sociais. Outro agravante foi a proibição do evento Sexta Black, voltado para a música charme. Expressões populares que preenchiam de gente e deram uma nova função social ao espaço, desde a sua revitalização.

Resistência cultural
Uma das principais falas do protesto foi de Luis Carlos Mattozo, integrante do movimento O Mercado é nosso. Ele recorreu à história e lembrou que, desde a sua construção, o Mercado se tornou palco da cultura popular e espaço frequentado por trabalhadores e a população negra e da periferia. “Já enfrentamos isso quando negros eram proibidos de entrar e circular. Foi assim no século XIX e agora, no século XXI a nossa geração está enfrentando as mesmas barreiras”, disse.

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“Basta de racismo, o Mercado é de todos”, disse Luiz Carlos Mattozo, integrante do movimento O Mercado é nosso. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Outro ponto tratado foi o acesso à cultura. No local, todos os eventos eram e são gratuitos e de livre acesso da população. “Muitas pessoas não tem R$100,00 para pagar por um ingresso de um show. Aqui é democrático, quem chegava podia assistir e curtir de graça”, lembrou Wagner Lopes.

Mattozo também lembrou de eventos com o Festival Internacional de Música do Sesc, Virada Cultural, Sete ao Entardecer, Samba no Mercado e classificou o Mercado como espaço cultural e responsáveis por levar novamente a população ao lugar. “Basta de racismo, o Mercado é de todos”, protestou.

Nova reunião pode ser nesta semana
A vereadora Daiane Dias (PSB) já solicitou uma data na promotoria do MP-RS para se reunir com o promotor e entregar a carta juntamente com o abaixo-assinado.

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(Foto: Carlos Queiroz - DP)

Presente no protesto representando a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), a assessora especial Clotilde Vitória disse que a prefeitura está empenhada para chegar a um bom termo para que a música volte a habitar o espaço. “A prefeita esteve no MP se reunindo com o promotor e de forma organizada queremos manter as apresentações aqui”, informou.

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