Boletim da Zona Sul

Pinheiro Machado: RS conhece detalhes da fábrica de pellets

Investimento na cidade da Zona Sul é calculado em R$ 1,5 bilhão

11 de Setembro de 2019 - 11h01 Corrigir A + A -
Conversa. Governador em exercício (E) recebeu os empresários. (Foto: Itamar Aguiar - Palácio Piratini)

Conversa. Governador em exercício (E) recebeu os empresários. (Foto: Itamar Aguiar - Palácio Piratini)

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O projeto para instalar uma fábrica de pellets (combustível sólido de granulado de partículas de madeira), em Pinheiro Machado, está mais próximo de ser concretizado. Os empresários Luiz Eduardo e Guilherme Batalha, que criaram a BrasPell, levaram na terça-feira (10) ao governador em exercício, Ranolfo Vieira Júnior, e aos secretários Artur Lemos (Meio Ambiente e Infraestrutura) e Rubens Bender (adjunto de Desenvolvimento Econômico e Turismo), no Palácio Piratini, alguns dos primeiros clientes da futura indústria gaúcha - a empresa francesa Albioma - e atualizaram sobre o andamento do projeto.

Com a licença de instalação em fase final de elaboração, a intenção da BrasPell é iniciar as obras no começo de 2020. O investimento total está estimado em R$ 1,5 bilhão, o que inclui a construção da fábrica (que ocupará parte de uma fazenda de 140 hectares de Pinheiro Machado), os primeiros 45 mil hectares de floresta para matéria-prima também na região, bem como as melhorias na ferrovia (que corta a propriedade) e no terminal portuário e, ainda, em uma usina termelétrica, que vai abastecer todo o complexo industrial e gerar excedente para o sistema elétrico nacional.

A previsão é de que leve dois anos para que a fábrica comece a produzir pellets - gerando cerca de mil empregos diretos. Os granulados obtidos a partir do processamento de madeira de florestamento deverão ser exportados para Europa, Japão e Estados Unidos, onde são utilizados como combustível, tanto em caldeiras de usinas termelétricas como no aquecimento residencial.

Guilherme Batalha explicou que, na primeira fase, serão produzidas 900 mil toneladas de pellets por ano, envolvendo 300 produtores, “que terão renda fixa e garantida”, mas a expectativa é de que, em dez anos, a capacidade chegue a 7,2 milhões de toneladas. Para isso, além da região de Pinheiro Machado, outras três plantas de “lavouras de madeira” deverão ser iniciadas em São Borja, Alegrete e Rio Grande. “Queremos criar aqui, no RS, a maior fábrica de pellets do mundo”, afirmou o CEO da BrasPell.

“O RS já tem cerca de 80% da matriz elétrica renovável. Esse projeto vai nos permitir associar a atividade de plantio à busca pela compensação de emissão de dióxido de carbono (CO2). Acredito que o RS tem capacidade de ser um exportador de fontes renováveis de energia tanto para países subdesenvolvidos que precisam reduzir a emissão de gases, quanto para países ricos que não têm área para florestas, mas querem reduzir”, afirmou o secretário Artur.

Visitantes franceses
A francesa Albioma está presente no Brasil desde 2014, onde utiliza o bagaço da cana-de-açúcar como biomassa para gerar energia elétrica renovável. O grupo, segundo os empresários, veio ao Rio Grande do Sul conhecer de perto o projeto - vai visitar as florestas na Metade Sul e o Porto de Rio Grande -, pois tem interesse na biomassa dos pellets. “É um projeto estratégico para a nossa empresa, pois queremos produzir energia 100% renovável em nosso país, mas, considerando o tamanho do nosso território, não temos espaço para plantio”, afirmou David Agid, um dos diretores da empresa. Estiveram presentes no encontro, ainda, representantes do BNP Paribas, também de origem francesa, um dos maiores bancos da Europa, que está estruturando o financiamento do projeto e ajudará na atração de investidores, e os deputados estaduais Ernani Polo e Fábio Branco, que estão colaborando na articulação dos empresários com as lideranças políticas desde o governo passado.


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