Prevenção

Pescadores pressionam por mais fiscalização

Em audiência na Câmara de Vereadores de Rio Grande, trabalhadores falaram da dificuldade de se manter na profissão

15 de Fevereiro de 2019 - 13h29 Corrigir A + A -
Renda baixa. Categoria enfrenta dificuldades para pagar compromissos. (Foto: Paulo Rossi - DP)

Renda baixa. Categoria enfrenta dificuldades para pagar compromissos. (Foto: Paulo Rossi - DP)

A Câmara de Vereadores do Rio Grande promoveu ontem uma reunião a pedido de pescadores para discutir a necessidade de ampliar a fiscalização de pesca na Lagoa dos Patos. O presidente da Colônia de Pescadores Z-1, Nilton Machado, fez um desabafo, afirmando que se a situação continuar sem controle mais efetivo, a atividade artesanal na Lagoa dos Patos acabará.

“Nós que somos pescadores e cumprimos a legislação queremos que a atuação predatória de outras pessoas seja contida, pois está trazendo um grave prejuízo. Peço encarecidamente que os órgãos de fiscalização atuem firmes e de forma contumaz. Só assim evitaremos o fim da pesca na região”, enfatizou o presidente.

Em tom de denúncia, Machado afirmou que existem muitas pessoas inabilitadas atuando na pesca, não observando, inclusive, a Instrução Normativa 03/2004 do Ministério do Meio Ambiente e Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, não respeitando, por exemplo, o espaço entre as andainas de pesca e o tamanho da malha das redes, as quais deveriam ser de 12 milímetros - mas feita com redes de sete.

Representando a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, o capitão de Corveta, Octacílio Araújo Junior, mencionou que o órgão enfrenta um grande problema, que é a colocação de calões (toras de madeira que sustentam as redes dos pecadores) no canal de navegação. O procedimento oferece perigo à navegação. E destacou que a Capitania realiza ações fiscalizatórias periódicas em embarcações e tripulantes.

Alex Cunha, do Ibama, observou o declínio na quantidade de pescado, causado pela pesca predatória e pela falta da exigência dos consumidores da origem do pescado. Alex relatou que há sobreposição de redes em alguns pontos da lagoa e que os trabalhadores não retiram os calões, a fim de marcarem “lugar” para o próximo ano.

Já o comandante da Polícia Ambiental da Brigada Militar (antiga Patram), tenente Eliseu Foscarini, disse que ao longo dos anos tem havido uma intensificação da fiscalização, mas reconheceu as dificuldades dos pescadores.


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