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Perfil dos infectados em Pelotas revela descumprimento do isolamento social

Levantamento mostra que 31,6% dos infectados fazem parte de categorias que deveriam permanecer em casa para evitar a progressão da pandemia

04 de Agosto de 2020 - 17h53 Corrigir A + A -
A análise corresponde ao período de janeiro a 30 de julho (Foto: Michel Corvello - Ascom)

A análise corresponde ao período de janeiro a 30 de julho (Foto: Michel Corvello - Ascom)

Na sexta verificação do perfil de casos confirmados de coronavírus pela Vigilância Epidemiológica, um índice revela uma das maiores dificuldades enfrentadas para a contenção da pandemia: o descumprimento do isolamento social. Segundo o Observatório de Segurança Pública, responsável pela análise, 31,6% do total de pessoas atingidas pelos vírus em Pelotas fazem parte de categorias que poderiam permanecer em casa e evitar o contágio.

Conforme a coordenadora do Observatório, Cíntia Aires, do total de 955 infectados - a análise corresponde ao período de janeiro a 30 de julho - 302 são casos positivos de aposentados, estudantes, donas de casa, profissionais da educação, desempregados, crianças sem idade escolar e servidores públicos. Essas pessoas fazem parte de categorias com indicação de teletrabalho ou de manutenção do isolamento social.

O levantamento ainda aponta que do total analisado de infectados, 396 são pessoas que fazem parte de atividades consideradas "linhas de frente" da pandemia, ou seja, têm maior exposição ao vírus, representando 41,5% dos positivos até o dia 30 de julho. Neste perfil estão os profissionais de saúde, segurança, transporte, comunicação e os comerciários/atendentes.

"Na comparação não há uma diferença muito grande entre os profissionais da linha de frente e as categorias que têm indicação para realizar teletrabalho ou permanecer em casa e isso confirma que as pessoas, realmente, não estão respeitando as medidas de restrição. Estão circulando aquelas que deveriam ficar em casa", explica Aires.

As crianças, menores de quatro anos, ainda destaca a coordenadora do Observatório, fazem parte do grupo com orientação de permanência o maior tempo possível em casa, mas têm crescido nos registros. A probabilidade é que estejam sendo contaminadas por membros da família que estão trabalhando ou não cumprem as medidas de isolamento social. 

Cinco perfis mais infectados

Na última verificação do perfil dos infectados, os profissionais da saúde permanecem sendo os mais atingidos pelo coronavírus em Pelotas, com 181 casos, o que representa 19% do total. Os comerciários/atendentes estão em segundo lugar no ranking do contágio, sendo 16,9% dos positivos do município, 161 pessoas. Os trabalhadores dos estabelecimentos comerciais foram os que tiveram maior aumento no número de infectados de uma semana para outra com 22 novas confirmações. Já os moradores com mais de 60 anos, perfazem 113 casos confirmados, permanecendo como a terceira categoria mais contaminada, 11,8% do total. 

Estudantes e donas de casa também se mantém entre os cinco perfis mais atingidos pelo vírus, representando 5,9% e 4,9%, respectivamente, do montante de registros feitos pela epidemiologia local, um total de 103 pessoas.

Outros números

Profissionais da indústria e administradores/empresários representam 3,9% e 3,7% dos confirmados de Pelotas, com pouca alteração na comparação com o levantamento anterior. Novos sete casos são atribuídos a pessoas que não informaram suas profissões, totalizando 34 positivos, superando, na comparação com a semana anterior, profissionais da educação e prestadores de serviços, ambos com 32 infectados.

Os trabalhadores da segurança, transporte e construção civil variam entre 2,6 e 2,7% dos casos, um total de 76 pessoas. Seis categorias - desempregados, servidores públicos, advogados, crianças sem idade escolar, autônomos e profissionais do esporte- apresentam percentual entre 2 e 1% do total de infectados, sendo 97 moradores de Pelotas. 

Os demais perfis notificados até agora totalizam 54 pessoas, que exercem atividades como empregada doméstica, psicólogo/psiquiatra, profissionais rural, portuário, da tecnologia e comunicação, pesquisador, cozinheiro, veterinário e líder religioso.


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