Desperdício

Perda de água chega a 45%

Estudo do Instituto Trata Brasil coloca Pelotas na 79ª posição entre as cem cidades com maior número de habitantes do país e quarta no RS que mais perdem água tratada

29 de Junho de 2020 - 12h05 Corrigir A + A -
Estatísticas. Parte do desperdiçado acaba indo nos vazamentos. (Foto: Angélica Mengue - Sanep)

Estatísticas. Parte do desperdiçado acaba indo nos vazamentos. (Foto: Angélica Mengue - Sanep)

O estudo Perdas de Água 2020, promovido pelo Instituto Trata Brasil, apontou Pelotas entre os municípios que mais perdem água tratada. As informações são constituídas com base nas cem cidades com maiores índices populacionais em todo o país. Os dados são referentes a 2018 e levam em consideração tratamentos de água e esgoto. Os resultados das análises apontam o município na 79ª colocação entre a classificação de dados levantados pela instituição. Em solo gaúcho, Pelotas ocupa a quarta colocação, atrás apenas de Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas.

A realidade pelotense se difere das outras cidades brasileiras por possuir o Sanep como referência única para a execução dos quatro serviços básicos de saneamento, computados na lista. Na cidade, a autarquia é responsável pelos procedimentos de água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos. As estatísticas do estudo apontam prejuízos de quase a metade da água tratada no município. Nos cálculos realizados pelo Sanep, há perda de 45% na medição dos volumes na cidade. Segundo as informações da autarquia, 10% da água tratada em Pelotas já se perde nas próprias estações de tratamento, com lavagem de filtros e decantadores, com o objetivo de garantir a qualidade. A instituição organiza as perdas de água na cidade em físicas, que consistem nos vazamentos das redes ou perdas no próprio tratamento, e em comerciais, compreendidas como o desperdício que não pode ser registrado. O segundo tipo de perdas é enquadrado em casos que o Sanep não consegue medir, ou o local não possui hidrômetro, ou não se tinha um dado do que se consumia ou, até mesmo, pela identificação de fraudes.

O cotidiano dos pelotenses ainda traz diferentes causas para os vazamentos, que são presença recorrente na cidade. Entre os principais fatores dos vazamentos, estão o rompimento de tubulações antigas, em decorrência da pressão da água. Foram registrados casos também de obras de empreendimentos particulares atingirem as tubulações e, em consequência disso, toda uma região ficar desabastecida.

A estiagem que atinge a Zona Sul também impactou fortemente a realidade hídrica de Pelotas. O decreto de restrição de uso de água promulgado pelo Sanep há quatro meses proporcionou também mais de 1,5 mil consertos para buscar reparar estas perdas. O advento da pandemia, que trouxe impactos mais visíveis a Pelotas em março, fez com que acontecesse uma redução nas equipes da instituição, visto que existiam funcionários em grupo de risco. Mesmo com a diminuição no quadro, são realizados, em uma média semanal, cerca de 70 consertos na rede.

O saneamento básico é uma das infraestruturas consideradas mais atrasadas do país. O combate às perdas de água potável nos sistemas hídricos tem sido uma das demandas mais ignoradas no que se refere às garantias de água potável para as populações. Entretanto, em Pelotas, foi criado o programa de controle de perdas, que consiste na substituição ou, em determinados casos, de 45 mil hidrômetros na cidade e na realização de operações de fraudes no município. Segundo dados do Sanep, foram registradas 2,5mil casos de irregularidades hídricas nos últimos dois anos. Para proporcionar um controle mais efetivo do que é desperdiçado de água, a autarquia desenvolveu um programa de substituição de redes de água, que concluiu a troca de 80 km de tubulações ao final de 2019.

 


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