Mobilização

Pelotas vira cenário a ato unificado dos servidores estaduais em greve

Manifesto se transformou em marcha pelas ruas centrais e incluiu abraço simbólico à escola Ondina Cunha

03 de Dezembro de 2019 - 19h56 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Largo Edmar Fetter foi o ponto de encontro aos trabalhadores  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Largo Edmar Fetter foi o ponto de encontro aos trabalhadores (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Jovem Everton Ruritzki, 15, veio de Santa Rosa para participar do manifesto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Jovem Everton Ruritzki, 15, veio de Santa Rosa para participar do manifesto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Não faltou criatividade aos servidores, em manifestações de protesto ao pacote (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Não faltou criatividade aos servidores, em manifestações de protesto ao pacote (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Trabalhadores de diferentes pontos do Rio Grande do Sul uniram-se em Pelotas, na tarde desta terça-feira (3), em grande ato contra o pacote de medidas apresentado pelo governo do Estado. Em três horas e meia de manifesto, os servidores reforçaram um mesmo recado: É greve. É greve. É greve. É greve até a vitória. Uma vitória que se consolidaria com a derrubada dos projetos que tramitam na Assembleia Legislativa e mexem tanto no plano de carreira do funcionalismo gaúcho quanto provocam reflexos no bolso dos aposentados. Para o Executivo seria uma das possibilidades de reduzir gastos com a folha de pagamento e atacar a crise financeira.

Para suportar o calor e reforçar a mobilização que uniu diferentes categorias - inclusive de servidores federais e municipais -, a sombra de árvores e prédios, no largo Edmar Fetter, foi disputada. Bandeiras, bonés, guarda-chuvas e cartazes também viraram artifícios para espantar o sol intenso. O adolescente Everton Ruritzki, 15, foi um dos que decidiu engrossar o movimento. Saiu de Santa Rosa, viajou cerca de nove horas e 560 quilômetros e, através da decoração do guarda-chuva, espalhava uma mensagem: por trás de todas as profissões haverá sempre um professor. "Tô aqui pelo futuro. Que a gente lute agora pra não ter que passar por esse tipo de situação depois", ensinava o estudante de 1º Ano do Ensino Médio do curso Normal.

Cornetas, apitos, narizes de palhaço, sinetas e fantasias. Os trabalhadores, que têm precisado exercitar a criatividade para suportar cinco anos sem reajuste e quatro anos de salários atrasados, nesta terça, esbanjaram imaginação para dizer não ao pacote. Em discursos entusiasmados endureceram o tom, principalmente, em Pelotas; a terra do governador e ex-prefeito Eduardo Leite (PSDB). "Nós vamos parar este país. Cada dia, a cada momento, vamos estar mais fortalecidos. Nós, dos povos indígenas, apoiamos esta luta. Estamos lutando há quase 520 anos e vamos sempre continuar sendo resistência", reiterou a professora de origem Kaingang, Ângela, moradora da cidade de Água Santa, na região nordeste do Estado.

Marcha, fita amarela e sensibilização da comunidade
Às 16h, o ato se transformou em caminhada pelas ruas centrais de Pelotas. Foi mais uma oportunidade para ampliar o chamamento à comunidade. Trabalhador tem que apoiar. Esta luta é pro teu filho estudar. Fitas amarelas também passaram a ser distribuídas e devem virar símbolo de apoio à greve de professores e funcionários de escola em todo o Rio Grande do Sul.

Servidores das áreas da Saúde, Agricultura, Planejamento e Cultura integram as categorias que têm se juntado à interrupção das atividades por tempo indeterminado.

Escola Ondina Cunha ganha abraço simbólico
A caminhada partiu em direção à Escola Ondina Cunha, na rua Gonçalves Chaves. Às 16h30min, de mãos, organizados em várias fileiras, os trabalhadores fizeram a volta no quarteirão e deram abraço simbólico à instituição, com 198 alunos. "Não vamos nos entregar pra nenhum governo. Esta é uma luta pela escola pública e a Ondina Cunha não vai fechar", sustentou a presidente do Cpers-Sindicato, Helenir Schürer. Nos últimos meses, a informação de que a instituição correria o risco de fechamento chegou a circular pelas redes sociais e levou preocupação à equipe, a pais e a alunos.

O que diz a 5ª CRE
A titular da 5ª Coordenadora Regional de Educação (5ª CRE), Alice Szezepanski, garantiu não existir qualquer possibilidade de a escola fechar. A Ondina Cunha apenas mudará de endereço em função de problemas estruturais, que representam riscos e não permitiriam a continuidade das atividades. Além disso, o proprietário também teria solicitado o prédio. O novo local, nas proximidades, foi escolhido pela direção e aceito pelo governo - reitera. Uma reunião nesta quarta-feira (4), às 15h, deve inclusive colocar tratativas da mudança na pauta. A fase é de vistoria e análise de documentação, para confirmar o contrato de aluguel.

"Voltar a este assunto é trazer de novo algo que não existe. É bom que isso fique bem esclarecido. Isto está servindo a outros desejos, que não os de apaziguar e arrumar a melhor solução possível aos alunos", enfatiza. "Nunca se falou em fechar. E tudo está decidido há cerca de um mês. Toda esta celeuma não tem mais razão de ser".


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