Pandemia

Pelotas tentará lockdown para conter aglomerações

Até o final da semana, prefeitura irá anunciar o período de duração da medida; Azonasul recorreu, Estado aceitou e região fica na bandeira laranja

03 de Agosto de 2020 - 18h15 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Prefeita fez live nesta segunda-feira (Foto: Michel Corvello - Ascom)

Prefeita fez live nesta segunda-feira (Foto: Michel Corvello - Ascom)

Multidão: foto mostra a área central da cidade nesta segunda-feira à tarde (Foto: Jô Folha - DP)

Multidão: foto mostra a área central da cidade nesta segunda-feira à tarde (Foto: Jô Folha - DP)

*Atualizada às 19h53min para acréscimo de informações.

O período de duração ainda não está definido, mas Pelotas também adotará lockdown nos próximos dias, como já fizeram os municípios de Pedro Osório e de São José do Norte. O anúncio ocorreu em live da prefeita Paula Mascarenhas (PSDB), no final da tarde desta segunda-feira (3). A dúvida é se a medida restritiva, mais dura, ficará em vigor só ao longo do final de semana ou se poderá estender-se por mais dias. O avanço da pandemia e, principalmente, a ocupação de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) devem servir de base à tomada de decisão.

A primeira segunda-feira de agosto registrou o pior cenário da Covid-19, desde o começo da pandemia, em Pelotas. Três mortes foram notificadas e mais 59 casos positivos foram confirmados, em apenas 24 horas. Agora são 22 óbitos e 1.127 infectados.

As vítimas são três mulheres. Duas idosas estavam internadas no Hospital Universitário São Francisco de Paula da Universidade Católica de Pelotas (HUSFP-UCPel) para tratamento de outros problemas de saúde e, por decisão médica, passaram por testagem do novo coronavírus. A senhora de 79 anos de idade faleceu nesta segunda. Já a paciente de 82 anos havia perdido a batalha para a infecção no dia 29 de julho, mas o resultado - com a confirmação do diagnóstico - só foi conhecido nesta segunda-feira.

A terceira morte envolve uma idosa de 72 anos que estava na ala Covid do Hospital-Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel) e foi vencida pela doença na última sexta-feira. O exame positivo também só foi conhecido nesta segunda. Todas elas tinham histórico de doenças crônicas.

Outros dois óbitos, de homens de 64 e de 71 anos, permanecem sob suspeita.

Enquanto isso, Pelotas seguirá com protocolo intermediário

A expectativa era de que a terça-feira começasse com regras mais restritivas, em função da bandeira Vermelha - já que a prefeitura de Pelotas não recorreu da posição estadual. Uma Comissão Técnica da Azonasul composta por advogados e economistas, entretanto, apresentou dados de retaguarda hospitalar que levam em conta a estrutura da Macrorregião Sul - que inclui as sete cidades da região da Bagé - e argumentou também que o número de pessoas recuperadas teria crescido, desde a última análise realizada pelo governo do Estado.

Ao comentar a reavaliação, que permitiu à Zona Sul ficar em bandeira de risco médio para disseminação da Covid-19, a prefeita Paula Mascarenhas afirmou que Pelotas irá manter os protocolos intermediários, que mesclam cuidados da bandeira Laranja com restrições da Vermelha - como o limite de 25% dos trabalhadores nas empresas - e já adiantou que os próximos dias serão de ação mais forte.

“Precisamos tentar parar a cidade. Precisaremos de um esforço coletivo, mais radical. Precisamos fazer um lockdown o mais amplo possível”, destacou. Embora tenha ponderado que a extensão da medida e a estrutura de fiscalização serão definidas nos próximos dias, com base em números, estudos e análise do agravamento da própria doença.

Azonasul defende mais autonomia aos prefeitos

Depois de horas de debate, em reuniões virtuais pela manhã e à tarde, os 22 prefeitos da região aprovaram, por maioria, a proposta em que defendem mais autonomia aos municípios. O documento sucinto, organizado em cinco pontos, foi encaminhado nesta segunda, no final da tarde, à Famurs.

Entre as propostas, os chefes de Executivo da Zona Sul sugerem que, em caso de as bandeiras do Distanciamento Controlado migrarem para Vermelho (de alto risco) e para Preto (de altíssimo risco), as regras permaneceriam em vigor por 14 dias - e não por uma semana, como o modelo instituído pelo Governo do Estado. Evitando-se a descontinuidade, principalmente, das atividades econômicas - indica o texto.

Os prefeitos da região também apontam que a bandeira Laranja, de risco médio, pudesse ser implantada como um meio-termo, em todo o Rio Grande do Sul, já que o Amarelo - de risco baixo - não tem mais aparecido nas reavaliações, em meio ao agravamento da pandemia no Estado. A proposta da Azonasul também prevê que os governos municipais possam estabelecer regras menos restritivas, mas, para isso, precisaria haver votação aprovada por maioria, nas associações regionais.

As lideranças ainda cobram outras duas medidas do governo gaúcho: a destinação de exames RT-PCR para que os municípios tenham condições de testar, pelo menos, 20% da população; assim como o credenciamento de laboratório que permita agilizar os resultados. No documento, os prefeitos também reivindicam que o Governo do Estado determine que a Brigada Militar (BM) e a Polícia Civil atuem, em apoio às prefeituras, na fiscalização para proibir aglomerações de qualquer natureza. Intervindo, inclusive, coercitivamente, se necessário - solicitam os governos municipais.

Tudo, para barrar a propagação da doença que já provocou a morte de 115 moradores da região, até o início da noite de segunda-feira.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados