Saúde pública

Pelotas sedia 4º Congresso de Cuidados Paliativos do Mercosul

Evento começa nesta quinta-feira, estende-se por três dias e reunirá mais de 400 pessoas

12 de Junho de 2019 - 22h53 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Durante a tarde desta quarta, escada metálica, adquirida através de vaquinha virtual, foi instalada (Foto: Jô Folha - DP)

Durante a tarde desta quarta, escada metálica, adquirida através de vaquinha virtual, foi instalada (Foto: Jô Folha - DP)

Dionélio Furtado, 69, é voluntário, familiar e usuário da Unidade Cuidativa, onde passa várias horas todos os dias, ao lado da esposa (Foto: Jô Folha - DP)

Dionélio Furtado, 69, é voluntário, familiar e usuário da Unidade Cuidativa, onde passa várias horas todos os dias, ao lado da esposa (Foto: Jô Folha - DP)

Mais de 400 profissionais e acadêmicos de Argentina, Uruguai e vários estados brasileiros reúnem-se em Pelotas a partir desta quinta-feira (13) para o 4º Congresso de Cuidados Paliativos do Mercosul. Durante três dias, 12 minicursos, conferências e mesas colocam em pauta uma série de temas, que passam por Reabilitação física para pacientes oncológicos e não oncológicos, Assistência ao final de vida, Amparo social e jurídico e chegam a abordagens como Sedação paliativa, Ressuscitando sonhos e Sofrimento existencial. A importância de os Cuidados Paliativos se transformarem em política pública com acesso garantido para todos através do Sistema Único de Saúde (SUS) - como preveem lei estadual e Resolução federal - também estará no centro das discussões.

A médica Julieta Fripp, organizadora do evento, é enfática: o serviço deve ser ofertado à comunidade o mais precocemente possível diante do diagnóstico de qualquer doença ameaçadora à vida. "Com essa medida, além de maior qualidade de vida, asseguramos mais autonomia ao paciente". E se as ações chegarem no momento certo, não raro, poderão ser desencadeadas em âmbito ambulatorial - como ocorre na Unidade Cuidativa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) - e não somente no ambiente hospitalar, quando o quadro já está agravado. E o mais importante: se o Cuidado Paliativo é desenvolvido cedo, um dos seus princípios fundamentais é respeitado: provocar alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual. Uma atenção direcionada a pacientes e familiares.

O desafio daqui para frente, portanto, são os gestores públicos atentarem-se para o perfil epidemiológico de suas cidades, identificarem as doenças de maior incidência para poder realizar atividades dirigidas a esse público. Não importa se são municípios pequenos e os tratamentos de alta complexidade ocorrem em cidades maiores, referências aos serviços. "Precisamos ter um controle rigoroso de sintomas, para evitar a dor. Por isso, não é possível que essas pessoas fiquem em sofrimento ao retornarem para as suas cidades", defende Julieta.

Daí a importância de a lei gaúcha 15.277, sancionada em janeiro de 2019, tornar-se efetiva, com ações de Cuidados Paliativos que podem ser oferecidas desde a rede básica até as internações hospitalares. Cada município é que precisará identificar através de que ferramentas - como oficinas e práticas integrativas - buscará trazer mais qualidade de vida aos seus moradores com diagnóstico de doenças ameaçadoras à vida. O Congresso, portanto, ajudará a fomentar ideias e reflexões.

"Aqui somos uma família muito organizada"
As palavras de Dionélio Furtado, 69, dão dimensão de como ele se sente na Unidade Cuidativa. Começou a frequentar o local há cerca de dois anos, como voluntário. Servidor aposentado da UFPel, passou a envolver-se no cultivo da horta que serve de oficina aos usuários. A esposa Euveni Farias Furtado, 68, vítima de quatro Acidentes Vasculares Cerebral (AVCs), também tinha muito a ganhar ao estar por ali, em um misto de tratamento e troca de experiências.

Há quatro meses, além de voluntário e familiar, Dionélio passou a ser um dos pacientes da Cuidativa. Após perda repentina de peso, uma endoscopia confirmou: o adorador de futebol estava com câncer de estômago. "Ainda tenho que fazer quatro sessões de quimio, mas graças a Deus não tenho dor", agradece. E, ali, ele e a companheira de 44 anos de união têm passado os dias. Lado a lado. Entre uma atividade e outra. "Viemos todos os dias. Aqui somos uma família muito organizada".

Saiba mais
- Escada metálica virou realidade: A vaquinha virtual deu o resultado esperado e a Unidade Cuidativa, no prédio da antiga Laneira, no bairro Fragata, acaba de ganhar uma escada metálica larga para substituir a escada caracol. Praticamente só professores, pesquisadores e alunos podiam circular pelo andar superior, qualificado nos últimos meses. A próxima meta é voltar à arrecadação de recursos para tirar do papel o sonho de instalar um elevador-plataforma, que permitiria o acesso de todos ao local.

- Confira a legislação
* Lei estadual 15.277, de 31 de janeiro de 2019: A Política Estadual de Cuidados Paliativos tem como princípios reafirmar a vida e a morte como processos naturais, a melhoria da qualidade de vida das pessoas e seus familiares, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais. Para implementar as medidas, cada município pode estabelecer as estratégias e deve também reservar recursos. A lei não estabelece o repasse de verba às prefeituras.
* Resolução federal 41, de 31 de outubro de 2018: Está no parágrafo único: Os Cuidados Paliativos deverão fazer parte dos cuidados continuados integrados ofertados no âmbito da Rede de Atenção à Saúde (RAS). O compromisso tripartite ainda dependerá da publicação de portaria do governo, para se efetivar no dia a dia das comunidades de todo o país, nos diferentes tipos de atenção: Básica, Domiciliar, Ambulatorial, Urgência e Emergência e Hospitalar.

(*) Enquanto isso, Pelotas torna-se referência pelos serviços de Cuidados Paliativos que presta há anos à população.

Participe do Congresso! - QUADRO 2
- As inscrições podem ser feitas ainda nesta quinta-feira, na hora do evento. Os minicursos começam às 8h e as conferências e mesas iniciam às 18h.
- As atividades dividem-se entre o auditório do Colégio Pelotense e a própria Unidade Cuidativa.
- Mais informações podem ser obtidas em wp.ufpel.edu.br/paliativomercosul/


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