Inovação

Pelotas ganha primeiro ponto de recarga para carros elétricos

Veículos mais silenciosos e menos poluentes têm ganhado espaço e já são mais de 3,6 mil em todo o Estado, segundo o Detran-RS

24 de Junho de 2022 - 08h30 Corrigir A + A -
Ponto de recarregamento está disponível para hospedes.  (Foto: Divulgação - DP)

Ponto de recarregamento está disponível para hospedes. (Foto: Divulgação - DP)

Os carros elétricos, ou híbridos (que podem receber gasolina ou serem carregados), já são realidade no Brasil. Eles surgiram como uma opção menos danosa ao meio ambiente e, segundo o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS), já são mais de 3,6 mil no Estado. No mês de maio, Pelotas ganhou o seu primeiro ponto de recarga para este tipo de veículo.

Os primeiros carros elétricos surgiram ainda no século XVIII, mas com a criação do carro a combustão a produção entrou logo em declínio. Anos mais tarde, esses automóveis voltaram a ganhar força. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), em 2021 houve um aumento de 77% nas vendas, com 34.990 unidades vendidas, números conquistados junto à produção de novos modelos, como o Tesla.

Mas você sabe a diferença entre o motor elétrico e a combustão? Segundo o professor do curso de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Educação Tecnológica Sul-riograndense (IFSul), Adilson Tavares, a grande diferença é que o motor a combustível é ruidoso e poluente. "Diferentemente do motor a combustão, o motor elétrico é silencioso e não polui. A sua eficiência energética é bem alta, maior do que 90%, dependendo do tipo de motor". Além disso, Tavares conta como acontece o funcionamento. "O motor elétrico é um dispositivo eletromagnético, ou seja, depende de eletricidade e de magnetismo para a produção do torque, responsável pela propulsão do veículo elétrico".

Em relação às vantagens dos carros elétricos em relação a outros modelos, o professor Wagner Brignol, do curso de Eletrotécnica do IFSul traz alguns dados. "Nos veículos à combustão, periodicamente são necessárias trocas de óleo, filtros, correias entre outros itens de desgaste intenso. Nos veículos elétricos, grande parte desses itens não está presente. Não são necessárias trocas de óleo, filtros ou combustível, correias e fluído a arrefecimento. Além disso, um veículo abastecido por gasolina, por exemplo, libera em média 120 gramas de gás carbônico por quilômetro rodado. Outros gases também são emitidos, contribuindo para a poluição da atmosfera e prejudicando a saúde humana", pontua.

O recarregamento dos veículos elétricos pode ser feitos em pontos de recarga ou de uso comum de carregadores, os quais podem ser ligados em uma tomada 220V comum. Com isso Brignol, traz um comparativo de gastos em relação à gasolina. "Para o proprietário de um veículo a combustão percorrer 1.500 quilômetros em um mês, levando em consideração o consumo médio de dez quilômetros por litro e o custo de R$ 7,10 no litro do combustível, precisaria gastar em média R$ 1.065,00 mensalmente em combustível. Considerando que o preço médio da energia residencial, já com impostos, está na faixa de R$ 0,90 por kWh, o gasto total do veículo elétrico para percorrer os mesmos 1.500 quilômetros em igual período seria de apenas R$ 168,75. Para quem possui sistema de geração de energia solar em sua residência, o valor pode ser ainda menor.

O cenário local

De acordo com dados do Detran-RS, em Pelotas há 62 carros elétricos. Deste total, 59 são modelos híbridos - que também aceitam gasolina ou álcool - e apenas três totalmente elétricos. Apesar da ainda pouca adesão, este tipo de automóvel já está no radar de muitos pelotenses, como conta o gestor comercial, Régis Leonardo Magalhães. "Os modelos totalmente elétricos estão para chegar, mas já há uma procura. Os clientes vêm aqui à procura desses modelos. Temos até uma lista de clientes que estão na espera", afirma.

Apesar dos benefícios ao planeta, por conta da alta tecnologia, os valores para a aquisição destes carros podem ser mais altos. Em comparação ao preço de automóveis populares movidos a combustíveis comuns, há um diferença expressiva. De acordo com o professor Tavares, essa diferença tem suas razões. "Há a necessidade de componentes importados, que são caros em virtude da alta cotação do dólar. Os veículos a combustão também necessitam de componentes vindos do exterior, mas a produção em larga escala contribui para a redução do custo final", explica.

Os cinco modelos mais baratos de cada categoria

1. Renault Kwid Zen 1.0 - R$ 59.090 1.JAC E-JS1 _ R$ 149.900
2. Fiat Mobi Like 1.0 - R$ 60.990 2.JAC iEV20 _ R$ 159.900
3. Fiat Argo 1.0 - R$ 71.490 3.JAC iEV40 _ R$ 189.900
4. Hyundai HB20 1.0 Sense _ R$ 71.590 4.Renault Zoe _ R$ 204.990
5. Volkswagen Gol 1.0 _ R$ 72.690 5.Fiat 500e e Mini Cooper S E _ R$ 239.990


Pioneirismo na região

O hotel Jacques Georges instalou o primeiro sistema de recarga para carros elétricos na Zona Sul em uma de suas unidades. A diretora da rede de hotéis, Jacqueline Halal, conta que a ideia surgiu a partir de um cliente que estava realizando uma viagem. "Um hóspede entrou em contato conosco e contou a história de que ele estava viajando de São Paulo a Buenos Aires e indicou que de Porto Alegre até o Chuí não havia pontos de recarga para o seu veículo elétrico. Foi aí que ele deu a ideia de inserirmos em nossos hotéis", relata.

A gestora conta que, a partir desta demanda, foi atrás do sistema. "Nós instalamos o sistema de recarga em uma quinta-feira e já no domingo estreamos. Percebemos que é um mundo que está crescendo e agora estamos mais preparados". Jacqueline conta que até o momento a ideia é não cobrar taxas extras pelo seu uso, mas ressalta que o sistema está disponível apenas aos hóspedes.

Quem estreou a recarga em Pelotas foi o jornalista Marco Rozan. Neste ano, ele criou o site "Use Elétrico", com a finalidade de popularizar e desmistificar o uso do veículo. Rozan começou, em maio, o desafio de viajar de São Paulo a Buenos Aires com um automóvel elétrico. "Existe um aplicativo chamado Plugshare que marca onde há pontos de recarga. Eu fiz uma pesquisa prévia sobre esses pontos e, a partir daí, definimos o roteiro da viagem", conta.

A ideia inicial era ir pelo litoral, mas no Rio Grande do Sul seria necessário mudar a rota por não haver pontos de recarga na Zona Sul do Estado. Foi quando o jornalista entrou em contato com o hotel. "Eles ficaram sabendo que era uma demanda importante e buscaram pesquisar e entender sobre o assunto. Fui informado que colocariam por aqui e que poderíamos passar por Pelotas. E acabou dando certo", celebra.

Com a gasolina a mais de R$ 7,00 e o valor do diesel também aumentando, Rozan garante que o carro elétrico é uma opção que gera menos custos em questão de abastecimento. "Tanto na Argentina quanto no Brasil, até o momento a recarga é grátis. Mas no Uruguai a recarga já é cobrada. Mesmo assim, quando 'enchi o tanque', custou cerca de R$ 50,00".

Já na capital argentina, Marco Rozan finaliza: "Eu queria mostrar que é possível fazer uma viagem longa com carro elétrico. Viemos até Buenos Aires sem emitir poluentes".


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