Emprego

Pelotas fechou mais de nove mil postos de trabalho

Dados do Caged apontam saldo negativo nos quatro primeiros meses do ano de 2020

01 de Junho de 2020 - 07h28 Corrigir A + A -
Março e abril representaram períodos de grande impacto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Março e abril representaram períodos de grande impacto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Mais uma vez, Pelotas encerrou os quatro primeiros meses do ano com um saldo negativo na oferta de emprego. Divulgados na última sexta-feira, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que ocorreram mais de nove mil desligamentos de postos de trabalho no município durante o período - 3.586 apenas no comércio. No mês de abril, o saldo foi negativo: 867 admissões contra 2.128 desligamentos.

No Rio Grande do Sul, o saldo de empregados e dispensados também é negativo. Isso porque, somente em abril, 109,9 mil pessoas foram desligadas de vagas formais de emprego. O saldo negativo bateu os 74,6 mil nesse mês. Em todo Brasil, o cenário também não é agradável; em quatro meses, 5,7 milhões de pessoas foram demitidas.

Para o Observatório Social do Trabalho, projeto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a forte queda do emprego celetista em março e abril é um reflexo da atual crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19. Como descreve um artigo publicado pelo portal do grupo de estudos, é um "período particularmente afetado pelas práticas de distanciamento social e restrição às atividades econômicas". No último ano, as saídas de emprego também representaram a maior fatia nas movimentações trabalhistas. De janeiro a abril de 2019, ocorreram 8,4 mil admissões versus 9,2 mil desligamentos - saldo de menos 724 postos de trabalho. Contudo, o mês de abril fechou com uma geração de emprego maior que a deste ano, 65 novos vínculos empregatícios foram gerados, número que demonstra o contraste entre os dois períodos.

O fechamento do ano na cidade apresentou uma pequena recuperação. Dos 24.266 novos empregos, houve 24.779 dispensas; 513 vagas ainda em negativo. Conforme o Observatório, até fevereiro deste ano, o desempenho era positivo em comparação ao ano anterior. No segundo mês do ano, 141 novas admissões foram contabilizadas pelo Caged. "Esse quadro se altera drasticamente com a crise sanitária dos meses seguintes", afirma a publicação.

O professor coordenador do projeto, Francisco Vargas, lembra que a recessão econômica deve se estender ao longo do ano ou além disso. "Qualquer previsão é temerária nesse momento. O quadro é de muita incerteza, tanto econômica como em relação aos rumos da epidemia", afirma. A saída para ajudar os pequenos negócios e os grupos mais vulneráveis da população é a implementação de políticas públicas adequadas. "As desigualdades sociais tendem a aumentar e é preciso garantir renda e emprego às pessoas. O papel do Estado é fundamental neste momento", completa.

O comércio é o setor mais afetado

De todos setores contabilizados pelos dados do Caged, os ramos do comércio, reparação de veículos automotores e bicicletas despontam como os mais prejudicado com a atual crise econômica em Pelotas e no país. Tanto nos primeiros quatro meses do ano como apenas em abril, o saldo de novas ofertas de emprego foi negativo na cidade. Ao longo dos quatro meses, 3.586 postos de trabalho foram fechados no setor, contra 2.380 novas admissões. Só em abril, foram 967 desligamentos e 354 contratações.

O ramo dos serviços entra no segundo lugar da lista, em principal o setor de alojamento e alimentação. Em abril, 189 pessoas foram demitidas e apenas 14 contratadas. Nenhum dos setores fecha o mês com saldo positivo; o ramo de atividades financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados desempenhou o melhor resultado, entre todos os piores: foram sete admissões entre nove desligamentos, o saldo negativo é de duas vagas.


Setores com pior desempenho nos primeiros quatro meses de 2020 em Pelotas, no Rio Grande do Sul e país

Pelotas

- Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas: - 613

- Alojamento e Alimentação: -175

- Construção: -116

- Indústrias de Transformação: -57

Rio Grande do Sul

- Indústrias de Transformação: -25.302

- Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas: -19.747

- Alojamento e Alimentação: -7.839

- Atividades Administrativas e Serviços Complementares: -4.666

Brasil

- Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas: -230.209

- Indústrias de Transformação: -191.752

- Alojamento e Alimentação: -127.876

- Atividades Administrativas e Serviços Complementares: -86.448

Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)


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