Pandemia

Pelotas é selecionada em projeto da OMS

Município é o único do RS porque criou rede específica para casos de síndrome gripal e de coronavírus

12 de Agosto de 2020 - 20h23 Corrigir A + A -
Iniciativa inclui serviços prestados em cidades de 20 países (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Iniciativa inclui serviços prestados em cidades de 20 países (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

As primeiras atividades de um grupo de especialistas da área da saúde, voltadas para analisar o trabalho realizado por Pelotas no enfrentamento à pandemia causada pelo coronavírus, começaram na última terça-feira (11). A construção de uma rede diferenciada para casos de síndromes gripais e Covid na Atenção Primária e a manutenção do atendimento de outras demandas da população estão entre os motivos para o município ter sido incluído em um projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS). A coordenação nacional é da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Instituto Fernandes Figueira/FioCruz.

No Brasil, além de Pelotas, São Luís no Maranhão também faz parte da iniciativa, que busca identificar os efeitos indiretos da Covid-19 nos serviços de saúde essenciais a gestante, recém-nascidos, crianças, adolescentes e idosos. A ação só é possível devido a um termo de cooperação existente entre o país e a Opas.

“Vamos articular para que todos conheçam o que está sendo feito pelo Rio Grande do Sul, por Pelotas. É um processo de aprendizado, uma oportunidade para vocês mostrarem o que têm feito para o mundo todo”, elogia o representante da OMS, Léslie Gusmão, ao oficializar a participação da cidade gaúcha no projeto mundial.

A escolha da cidade

Coordenadora regional de saúde, Caroline Hoffmann relata que a Opas se interessou pela estratégia criada pela Secretaria de Saúde (SMS) por indicação do governo do Estado. “Todas as coordenadorias encaminharam as ações dos municípios, mas Pelotas se destacou porque apresentou inciativas que estavam dentro dos objetivos do projeto e foi escolhida para fazer parte, o que nos orgulha muito”, justifica Caroline.

O projeto, que deve ser desenvolvido até novembro, vai compartilhar serviços prestados em cidades de 20 países pertencentes a cinco regiões administradas pela Organização Mundial da Saúde. Todas são consideradas diferenciadas no trabalho de redução dos efeitos indiretos da pandemia, ocasionados pela adaptação dos serviços de saúde - o caso do atendimento exclusivo em um único turno para pessoas com sintomas gripais nas UBSs de Pelotas.

Reconhecimento mundial

Para a secretária de Saúde, Roberta Paganini, que apresentou a estrutura montada pela prefeitura aos coordenadores do projeto, com foco em antecipação de processos e prevenção à contaminação entre profissionais e pacientes, a inclusão de Pelotas em grupo de cidades que se diferenciaram no combate à pandemia é sinônimo de reconhecimento do trabalho. Esforços, estes, em parceria com hospitais, universidades e todos os órgãos de linha de frente.

“Nós gostaríamos de não ter casos confirmados, nem óbitos, mas sabemos que não é possível. Mas os números de Pelotas, comparados com os de outros municípios do mesmo porte, mostram que o trabalho que estamos desenvolvendo tem resultado positivo. O olhar de instituições, com tanto conhecimento internacional na área de saúde, vai contribuir para que consigamos ampliar e qualificar o que temos feito”, diz a secretária.

Dados e estratégias

No encontro virtual, considerado a primeira reunião de trabalho do projeto, a SMS apresentou dados da Pactuação Interfederativa, ou seja, os resultados do primeiro quadrimestre de serviços básicos como a cobertura da população na Atenção Básica, saúde bucal, vacinação, exames ginecológicos e mamografias, pré-natal, ações de combate à dengue, além das iniciativas incorporadas ao trabalho em razão da pandemia. Exemplo destas é a capacitação de profissionais da saúde para o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

A utilização da tecnologia como estratégia de comunicação com a comunidade, tanto para realizações ações de telemedicina, quanto de informação sobre a pandemia, também foram apresentadas.

O desafio na prática

A consultora sênior e representante da Opas Brasil, Tatiana Coimbra, esclarece que o próximo passo será o município escolher entre 23 indicadores apresentados pelo projeto. Ela menciona, como exemplos, o número de atendimentos ambulatoriais ou consultas na rede primária; a quantidade de altas hospitalares, incluindo mortes por Covid ou não; e a cobertura vacinal, para monitorar o acesso aos serviços de saúde essenciais no período da crise sanitária.


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