Caos

Pelotas ainda sente impactos do temporal

Até a tarde desta quarta-feira, ainda havia pessoas sem energia elétrica e água e comerciantes dependendo de geradores para trabalhar

13 de Janeiro de 2021 - 20h25 Corrigir A + A -
Juleana perdeu muitos produtos em sua padaria pela falta de luz (Foto: Jô Folha - DP)

Juleana perdeu muitos produtos em sua padaria pela falta de luz (Foto: Jô Folha - DP)

Cleusa precisou pagar caro para alugar um gerador no Laranjal (Foto: Jô Folha - DP)

Cleusa precisou pagar caro para alugar um gerador no Laranjal (Foto: Jô Folha - DP)

Dois dias após um temporal tomar conta da região, Pelotas ainda sente os impactos do vento e da chuva. Durante a tarde desta quarta-feira (13), ainda havia residências sem luz, comerciantes tendo que pagar aluguel de geradores e o medo de danos ainda maiores. Na tarde de quarta-feira, ainda eram 14 mil unidades consumidoras sem energia elétrica na região.

De acordo com o Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa (Agromet), foram registrados na última segunda-feira 31 milímetros de chuva e ventos de até 96 km/h. Devido ao fenômeno. a CEEE informou que mais de 200 mil pessoas chegaram a ficar sem luz desde o início da noite daquele dia - 180 mil só em Pelotas e 40 mil em Rio Grande. O temporal ainda deixou uma pessoa morta, na Noiva do Mar, e três feridas na Princesa do Sul. Na atualização feita às 10h30min da manhã desta quarta, a companhia informou que ainda havia 18 mil unidades sem luz em Pelotas, além de casos pontuais na cidade vizinha.

A distribuição de água para locais como Pestano, Getúlio Vargas e Sanga Funda, por conta de falta de energia elétrica na Estação de Tratamento de Agua (ETA) Sinnott, permanecia interrompida até a tarde de quarta-feira. A área do reservatório de água do Recanto de Portugal também estava sem luz nesta quarta, impossibilitando o abastecimento na região. O rompimento de uma adutora na BR-116 deixou a Vila Princesa sem água.

Comércios sofrem prejuízos

Conforme boletim emitido pela prefeitura, as principais áreas afetadas foram as macrorregiões do Laranjal. E é lá que fica a padaria do casal Arthur e Juleana Conceição. Eles contam que a energia elétrica deixou de ser fornecida as 19h da segunda-feira, sendo restabelecida apenas no início da tarde desta quarta. Produtos como sorvetes, frios e salgados, que necessitam de refrigeração ou aquecimento contínuo, foram totalmente perdidos. “É desesperador ver o teu negócio completamente parado e as coisas estragando sem poder fazer nada”, relata a comerciante. Uma alternativa seria o aluguel de geradores, mas o casal não conseguiu: estavam já todos reservados.

Também comerciante no Laranjal, Cleusa Coelho teve mais sorte, mas também não vivia boa situação na tarde desta quarta: sem luz desde o temporal, ela alugou um gerador com custos consideravelmente elevados: R$ 700,00 a cada 12 horas, além de R$ 50,00 por hora para o combustível. “Não quero nem fazer as contas do prejuízo”, comentou ao Diário Popular. “Ontem (terça) ainda corria fogo. Chamamos a CEEE e a Defesa Civil e ninguém veio. Seguimos apreensivos”, continuou, referindo-se a fios que restavam soltos na rua.

Coelho tem comércio no Laranjal há 20 anos e relata que essa não é a primeira vez que passa por problema semelhante no bairro. “Sempre precisamos fazer aluguel de gerador para não perder produtos. Quando falta luz, já sabemos que vai demorar um dia para voltar. Considero descaso”, critica.

Sem luz, a preocupação é com o alimento

A família da professora Rita Pereira, moradora do Areal, aguardava na frente de casa que, após quase 48 horas, a energia elétrica voltasse. Com dois filhos pequenos, ela disse estar particularmente preocupada com os alimentos dentro da geladeira, como o leite das crianças. “É sempre assim quando acontece um temporal dessa força. Ano passado chegamos a ficar quatro dias sem luz”, relata. Rita também se somou aos pelotenses que atualmente têm apreensão por conta de fios de alta tensão e árvores caídos. Além disso, a professora relatou dificuldades para realizar atividades profissionais sem ter acesso à energia elétrica e à internet. “Estamos incomunicáveis”, completou.

Trabalho árduo

A cobrança das pessoas é exatamente o maior desafio do trabalho, segundo um servidor da CEEE que não quis se identificar, ouvido pelo Diário Popular no Laranjal. Há 15 anos desempenhando o serviço de fazer os reparos na cidade após temporais, ele estava no bairro desde as 7h30min da manhã e já havia perdido as contas dos atendimentos feitos desde então. “A reclamação é o pior. A gente quer resolver e entende a ansiedade das pessoas, mas muitas vezes não conseguimos dar conta. São muitas ocorrências.”

Município cria força-tarefa

Defesa Civil, Corpo de Bombeiros de Pelotas e CEEE formaram uma força-tarefa para normalizar a situação da cidade após os estragos causados pela tempestade. Foram 60 cargas de galhos e troncos recolhidos até a manhã desta quarta-feira. A solicitação de recolhimento pode ser feita à Secretaria de Serviços Urbanos (Ssui), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelos telefones 3229-1401 e 3283-1129. Fora desse período, a equipe de plantão recebe pedidos por meio do 98445-3647. Também houve entrega de lonas para cobrir casas destelhadas.

UBS Barro Duro retoma atendimento parcialmente

Após ser fechada temporariamente por conta dos estragos causados pelo temporal, a UBS Barro Duro retomou nesta quarta à tarde, parcialmente, os atendimentos. A unidade segue sem energia elétrica, mas voltou a realizar atendimentos de rotina. O horário de funcionamento é das 8h às 17h. As UBSs Fraget, Guabiroba, Laranjal e Pestano, assim como a Ubai Navegantes, que estavam fechadas, já retomaram também nesta quarta as atividades normais.


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