Debate

Para refletir o racismo no judiciário

1º Encontro Antirracista do Sindjus é realizado em Pelotas

28 de Novembro de 2021 - 17h26 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke

Evento ocorreu na charqueada São João - Foto: Vitória Leitzke - DP

Evento ocorreu na charqueada São João - Foto: Vitória Leitzke - DP

Um preconceito ainda enraizado na nossa sociedade, o racismo ainda necessita de debates nas mais diversas esferas públicas para que deixe de existir. Buscando extinguir o crime no sistema judiciário, o Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Sindjus) promoveu o 1º Encontro Antirracista e, valorizando a relevância de Pelotas para a cultura negra no RS e no Brasil, realizou a primeira edição em terra pelotense no sábado.

Promovido pelo Coletivo de Igualdade Racial do Sindjus, além da cidade escolhida a dedo, o local para a realização também foi proposital: uma charqueada, neste caso específico a São João, onde o sofrimento de escravos foi uma realidade por anos. Hoje, o tempo é aliado para a ressignificação da carga cultural que os negros vindos obrigados perpetuaram e deixaram para as futuras gerações.

Com mais de 12h de programação, o encontro iniciou com festa e encerrou do mesmo jeito. A abertura contou com uma celebração de religião de matriz africana e encerrou ao som da DJ Helô, discotequeira conhecida da noite pelotense. Mas não só de musicalidade foi o evento. Falas, debates e palestras também marcaram o sábado das 80 pessoas presentes, dentre elas servidores do Estado e também de Pelotas.

Integrante do coletivo e servidor do Foro de Pelotas, Ari Schuller destaca que a necessidade do evento se dá por toda a história de sofrimento, de esquecimento, de luta do povo negro, além do desejo de resgate histórico, principalmente no local escolhido.

“O coletivo se reuniu e trouxe pessoas de sindicatos de estados diferentes para fazer essa junção nessa reunião, construir algo que possa ser passado mais adiante pra gente ver quais as ações, quais os tipos de atitudes que a gente pode tomar para fazer um futuro um pouco melhor para o negro que é historicamente vítima de um racismo estrutural, uma violência estrutural que existe na nossa sociedade”, complementa.

Uma das convidadas foi a coordenadora adjunta do sindicato no Paraná, Andrea Regina Ferreira da Silva falou sobre o racismo estrutural no sistema de Justiça durante o encontro. “É uma discussão que eu me proponho a estar fazendo a todo momento. Por ter conhecido a história de Pelotas e das charqueadas, isso me interessou ainda mais a vir”, afirmou. “Aquilo que é escondido, a gente pode até fazer de conta que não existe, mas quando você expõe, você precisa enfrentar e o racismo estrutural precisa disso”, complementou.

“A reflexão, a discussão, se torna muito mais profunda, mais verdadeira e real. Eu espero que esse evento seja multiplicador, que as pessoas que estão aqui, principalmente as do judiciário, como eu, sintam a necessidade de levar o debate para a sua comarca, para o seu local de trabalho, para a sua família, para a sua rede de amigos, de relacionamento e expandir essa discussão, porque ela não pode ficar fechada”, defendeu Andra, que acrescentou que sua expectativa é que hajam mais Encontros Antirracistas mais ampliados, de outros estados.

Além de Andrea, a mesa que debateu o racismo estrutural na Justiça contou também com a fala do advogado, historiador e professor Fabio dos Santos Gonçalves. Uma outra roda de conversa, realizada depois de uma apresentação cultural com tambor de sopapo - patrimônio imaterial de Pelotas - contou com a mestre em Educação Ledeci Coutinho e a vereadora em Porto Alegre pelo PCdoB, Daiana dos Santos, para debater os “520 anos de escravidão e a luta do povo negro”. Uma visita guiada à antiga casa grande da São João também foi realizada.


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