Pacote anticrime

Para Maia, Câmara não enfraqueceu projeto anticrime do governo

"Se o excludente de ilicitude tivesse sido aprovado, policiais não seriam investigados no caso de Paraisópolis", afirma o presidente

09 de Dezembro de 2019 - 17h15 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Segundo Maia, itens retirados do pacote não estavam maduros para ser votados (Foto: Divulgação - DP)

Segundo Maia, itens retirados do pacote não estavam maduros para ser votados (Foto: Divulgação - DP)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negou que a Casa tenha enfraquecido o pacote anticrime que recebeu do governo. O texto aprovado incorporou propostas do ministro da Justiça, Sergio Moro, e de uma comissão de juristas criada pela Câmara em 2017, coordenada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Itens polêmicos foram retirados da proposta, como o excludente de ilicitude e o chamado plea bargain (acordo entre acusado e Justiça, que prevê a admissão de culpa e a dispensa do julgamento, com atenuante de pena). Maia concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira (9) após participar de evento em São Paulo.

Segundo Rodrigo Maia, muitas dessas propostas ainda não estão maduras para ser aprovadas. Ele citou como exemplo a operação policial na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, que resultou na morte de 9 jovens que frequentavam um baile funk.

“Tiramos do projeto a questão do excludente de ilicitude. No caso agora de Paraisópolis, se esse projeto tivesse sido aprovado com o excludente, os policiais não teriam sido investigados. Havia coisas muito duras e polêmicas e de difícil compreensão por parte da sociedade”, afirmou o presidente.

“Você ter uma lei dura que caminhe para o enfrentamento da impunidade é importante também, mas limitada àquilo que não é excesso. Essas duas propostas que citei eram excessos. Nos EUA, por exemplo, [o plea bargain] gerou um encarceramento enorme, principalmente da população negra; são temas não maduros e radicais”, ponderou Maia.

Em relação à PEC da segunda instância, Maia afirmou que é legítima a manifestação da sociedade, mas ressaltou que foi importante alterar o mérito do texto para não gerar inconstitucionalidade.

“Aprovamos a admissibilidade, criamos a comissão, temos um bom relator que vai fazer um trabalho e avançar no início do ano com esse tema”, disse.


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