Inclusão

Para facilitar a percepção de si mesmo e do todo

Seminário Sou surdx, sou LGBTI+. E agora? traz debates promovidos pela escola Alfredo Dub e a Associação dos Surdos de Pelotas

06 de Junho de 2018 - 10h23 Corrigir A + A -
Ideia é ampliar o debate quanto às dificuldades do público LGBTI+ com surdez para comunicar-se sobre sua sexualidade  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Ideia é ampliar o debate quanto às dificuldades do público LGBTI+ com surdez para comunicar-se sobre sua sexualidade (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Imagine os percalços da juventude. A fase, com todas as questões, dúvidas e ânsias, é quando a comunicação mais se torna necessária para explanar essas vivências. Quando entra toda a percepção de sexualidade neste mix de emoções, fica ainda mais complexo. Agora, imagine precisar comunicar e lidar com tudo isso sendo uma pessoa surda.

O lidar com a sexualidade e a surdez ao mesmo tempo será o tema do seminário Sou surdx, sou LGBTI+. E agora?, promovido pela Escola Alfredo Dub e pela Associação dos Surdos de Pelotas (ASP) na sexta e no sábado. As discussões abordarão questões de gêneros, muitas vezes não debatidas em escolas e com as famílias, seja por tabu, seja pela natural dificuldade do público surdo em receber estas informações apenas pela percepção do ambiente.

Um dos responsáveis pelo projeto é o professor José Francisco Duran. Ele percebeu em seus alunos a dificuldade de lidar com as questões LGBTI+, tanto ao perceber em si mesmo quanto ao identificar no próximo. "É preciso discutir em todos os níveis", pontua. Segundo ele, por vezes os alunos nas escolas tendem a se dividir em clubes, e acabam por afastarem-se da interação que poderia fazê-los aprender a lidar com as questões de gênero.

Por não obter informações da mesma maneira que os ouvintes, a dependência de aprender apenas através de mídia escrita ou por intérpretes também é um fator que acabou afastando o aluno surdo das questões de gênero. Para isso, o evento discutirá em todos os níveis, incluindo principalmente familiares e intérpretes.

Para o professor, a motivação do evento é o Dia Internacional Contra a Homofobia, celebrado no último dia 17. A inspiração surgiu a partir de sua própria vivência. Lecionando nos colégios Pelotense e Assis Brasil, percebeu há dez anos a dificuldade do debate de gênero com alunos surdos e, mesmo sendo matemático, incluiu o tema em suas aulas. "A escola nem debatia isso", recorda.

O evento
São 170 vagas a serem preenchidas através de formulário. Ele pode ser encontrado no endereço www.facebook.com/sousurdxlgbtieagora. Embora a preferência seja dada aos públicos surdo, intérpretes e familiares, o evento é aberto à população em geral, conforme a disponibilidade de vagas.

Dentre os palestrantes, homossexuais e transexuais já utilizando seus nomes sociais, para facilitar essa percepção. A importância das políticas públicas LGBTI+, relatos de projetos em escolas públicas e um filme com roda de debates marcarão o primeiro dia.

Já no segundo dia, palestras sobre a relação entre os intérpretes LGBTI+ e a comunidade surda, assim como a escola e a família nas relações marcarão os debates. O encerramento terá uma palestra com surdos LGBTI+ falando sobre como lidaram com suas sexualidades.

 


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