Educação

Para desenvolver consciência ecológica

Escola da Z-3 é ponto de descarte de resíduos sólidos e já entregou mais de duas toneladas de material ao Sanep

13 de Janeiro de 2020 - 10h03 Corrigir A + A -
Ação teve início em março de 2019, no aniversário da escola (Foto: Paulo Rossi - DP)

Ação teve início em março de 2019, no aniversário da escola (Foto: Paulo Rossi - DP)

Alunos, professores, funcionários e familiares são peças essenciais no projeto (Foto: Paulo Rossi - DP)

Alunos, professores, funcionários e familiares são peças essenciais no projeto (Foto: Paulo Rossi - DP)

O propósito é despertar consciência ambiental nos alunos e viver em um bairro mais limpo e responsável. Foi com esse pensamento que a professora da Escola Municipal Almirante Raphael Brusque, Laci Ribeiro, começou um trabalho de separação de resíduos com os alunos. O educandário fica localizado na Colônia Z-3 e hoje é uma das 81 escolas que pertencem ao projeto Adote uma Escola, vinculado ao Sanep.

A iniciativa começou em março de 2019 durante uma gincana que comemorava os 91 anos da escola. A partir da data, os alunos foram incentivados a separar o lixo seco do orgânico, o incentivo foi levado para dentro de casa e hoje os responsáveis se tornaram protagonistas da ação e levam diariamente os resíduos recicláveis para a escola. No dia 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, surgiu uma nova ideia: ir para as ruas do bairro recolher o que pode ser reciclado.

Desde então, alunos e professores vão às ruas pelo menos uma vez por mês e, além de recolher o que poderá gerar renda para muita gente, eles conscientizam os moradores a fazerem o certo. “A nossa escola passou a ser referência para a comunidade”, garante a professora. Quem acompanha e ajuda no projeto desde o início é Ravi dos Santos, de apenas oito anos. O pequeno conta que já tinha o hábito de separar o lixo em casa, mas depois da iniciativa tudo ficou mais prático. “Ajudo minha mãe a lavar e separar as caixas de leite antes de trazer para a escola”, disse.

Aluno do terceiro ano, Ravi pode ter pouca idade, mas esbanja consciência. O que motiva ele a separar diariamente os resíduos é o desejo de ter uma praia limpa. A dica do pequeno cidadão para os que ainda não realizam a separação é que comecem rápido, pois para manter praias e florestas preservadas a reciclagem é indispensável.

De acordo com a docente responsável pelo projeto, já é possível perceber a mudança de comportamento das pessoas, tanto dos alunos como dos pais. “O meio ambiente é pauta diária na escola”. O grupo já é reconhecido pela comunidade e aos poucos já estão colhendo os frutos dessa boa ação. Algo muito comum na colônia dos pescadores é o acúmulo de lixo oriundo da pesca nas areias, mas essa realidade já vêm mudando. “Hoje os pescadores já vem aqui entregar os resíduos”, completou, orgulhosa. Além disso, a limpeza no pátio da escola depois do recreio é motivo de orgulho para todos os envolvidos.

O vice-diretor Vilson Rebello conta que até o momento 2.053 quilos de resíduos sólidos já foram entregues ao Sanep, que recolhe quinzenalmente o montante arrecadado pelo educandário (a exceção é agora, período de férias). O ponto destacado por Rebello é a união de todos para fazer a ação acontecer. Segundo ele, alunos e professores trabalham igualmente na separação. “A gente fica feliz de ver”. Agora, a instituição já pode retirar a quantia que ganhará em cima da venda das toneladas. Mesmo não sabendo qual o valor recebido, o plano é investir no próprio projeto. “Vamos arrumar o espaço que guardamos os resíduos e investir em lixeiras”, disse Laci. 

Além de alunos, professores e responsáveis, os funcionários da escola também são protagonistas da iniciativa. Enilda Rodrigues já tinha o costume da separação, mas ter um ponto de entrega facilitou ainda mais o hábito. Além de ajudar na separação ela diz conversar com as crianças e incentivar a separação diariamente. “Eu já estou viciada, fico procurando garrafinhas nas ruas”, brincou.

Outras iniciativas

Como a escola preza pela consciência ambiental durante todo o ano, diversos trabalhos acabam fomentando o assunto. Em um projeto também coordenado por Laci, que une literatura, produção textual e português, os alunos foram desafiados a criarem personagens com materiais recicláveis e contar a história de cada um deles. “Para unir meio ambiente e leitura”, frisou a professora.

Os pequenos ficaram livres para criar suas histórias e exercer cada vez mais a criatividade. De acordo com a docente, histórias de filmes e da própria comunidade serviram de inspiração para a criação dos trabalhos.

O projeto Adote uma Escola

O projeto surgiu para que moradores de regiões que ainda não contavam com coleta seletiva ou ecopontos pudessem descartar seus resíduos de maneira correta. A escolha por educandários ocorreu para fomentar a educação ambiental entre crianças e adolescentes, fazendo com que eles sejam os principais agentes da transformação. 

Os materiais recolhidos pelo Sanep são enviados diretamente para as cooperativas conveniadas, então, elas são as responsáveis por repassar uma quantia para as escolas. De acordo com a chefe da divisão de resíduos sólidos, Margarida Araújo, o valor é simbólico, mas busca estimular cada vez mais a prática.


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