Educação

Os desafios que vão de falta de pessoal à infraestrutura

Nova titular da 5ª CRE, Alice Szezepanski, garante que irá percorrer as 125 escolas dos 18 municípios para receber demandas e conhecer de perto iniciativas e projetos desenvolvidos, mesmo em meio às dificuldades

09 de Novembro de 2019 - 13h49 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

 (Foto: Paulo Rossi - DP)

(Foto: Paulo Rossi - DP)

Cerca de 40% das escolas da rede estadual já possuem algum tipo de solicitação para melhorias em infraestrutura, de reparos de menor porte até grandes obras. A estimativa integra um primeiro balanço realizado pela 5ª Coordenadoria Regional de Educação, que admite: este é um dos pontos mais nevrálgicos a serem resolvidos. Valorização dos trabalhadores e revisão de contratos do setor de transportes também despontam entre as prioridades. Neste momento, as atividades dividem-se em frentes principais: identificação de lideranças, verificação e aperfeiçoamento de métodos internos de trabalho na 5ª CRE e um roteiro de viagens pelas instituições localizadas em 18 municípios.

"Se eu não escutar, não dialogar com a ponta, não vou conseguir fazer algo que seja relevante", enfatiza a titular da 5ª CRE, Alice Szezepanski, ao assegurar que irá percorrer as 125 escolas da rede, com dois objetivos: conhecer as reivindicações de perto e prestigiar iniciativas e projetos que mereçam ser replicados. Entre os desafios, a professora destaca: é preciso bem mais do que vagas para acolher estudantes. É essencial mantê-los na escola e combater a evasão. E, para isso, é fundamental partir de um princípio: ao chegar à escola, o aluno traz um capital, uma família, uma história. "Quando tu matriculas uma criança, tu matriculas tudo isso junto. Não é só aquele nome, aquele número." 

Começa, então, um compromisso que ultrapassa o compartilhamento de conhecimentos, com vistas à formação para o futuro. É preciso fincar o olhar também no hoje e suas consequências, para evitar, inclusive, situações como as constatadas pelas Comissões Internas de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipaves).

Confira alguns temas em pauta

- Valorização das equipes - Reconhecer o esforço diário de professores e funcionários e oferecer suporte na área pedagógica para garantir o desenvolvimento das atividades. "São ações que não pagam salário, mas ajudam a minimizar um pouco o que a categoria está sofrendo com outras questões", afirma Alice. E compromete-se a valorizar o trabalho dos servidores e ir em busca de solução para queixas de falta de pessoal, que levam à sobrecarga.

Quando a pauta se volta aos quase quatro anos de atrasos no pagamento do funcionalismo estadual, a nova coordenadora ressalta: "Adoraria ter ingerência e solução pra isso, mas não é o caso. Então, o meu maior papel neste momento é respeitar a luta legítima dos nossos servidores". Uma afirmação que a faz traçar paralelo com o período de mais de 30 anos como municipária e professora de Educação Artística.

- Execução de obras - Alice Szezepanski não apresentou cronograma de obras nem mencionou prazos ou cifras, mas assegurou que lutará para os processos longos e burocráticos - que passam pela elaboração de projetos e processos licitatórios até a realização efetiva das obras - tornarem-se menos morosos. E o argumento está alicerçado no próprio ensino. "Sabe-se da importância do espaço físico na aprendizagem. Um espaço agradável, bem constituído, dá estímulo para aprender."

- Transporte escolar - O formato dos contratos com as empresas prestadoras de serviço deve ganhar debate e possível revisão. Hoje, a cada pedido de transferência de aluno, por exemplo, com alterações na quilometragem, os contratos precisam receber aditivos. Na prática, o setor, não raro, está em meio a tensionamentos. E o que não pode ocorrer são as crianças e os jovens ficarem sem o transporte.

Em carta, Fórum de Diretores faz desabafo

O texto de 57 linhas transforma-se na voz indignada de 60 diretores e diretoras da rede estadual de ensino, integrantes de Fórum recentemente constituído no Sul do Rio Grande do Sul. No documento, os educadores usaram tom direto, de cobrança, de quem sofre há anos a falta de investimentos, tanto na carreira quanto em infraestrutura.

Salários parcelados e há quase cinco anos congelados. Perdas de mais de um terço do poder de compra. Defasagem de 102% em relação ao Piso Nacional. Congelamento de mais de 17 anos nas gratificações de direção. Foram apenas alguns dos pontos levantados na carta, que ainda escancarou as deficiências estruturais nas escolas, que enfrentam a escassez de recursos da chamada autonomia financeira.

As escolas encontram-se desassistidas, com estrutura precária, com rede elétrica que não suporta nem a instalação de ventiladores, com problemas estruturais nos forros, paredes e assoalhos, com janelas sem vidros e danificadas deixando o ambiente gélido para os tempos de aulas no inverno, quadras esportivas corroídas pelo tempo, parques infantis em precárias condições, sem laboratórios, sem bibliotecas, refeitórios insalubres e laboratórios de Informática em ruínas e atolados de lixo eletrônico.

A precariedade de pessoal e a dúvida sobre o fechamento de turmas, turnos e instituições também apareceram no documento. Um absoluto desabafo dos trabalhadores da Educação. À beira do caos - resumem. Estamos escolhendo entre comer e pagar as contas, com a alma e o coração feridos, com a dignidade dilacerada e a vida por um fio.


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