Eleição

Os desafios do 2º turno vão começar

Paulo Ferreira e Fábio Cerqueira disputam quem será o novo reitor da UFPel em nova votação que ocorre nos dias 14 e 15 de outubro

26 de Setembro de 2020 - 09h02 Corrigir A + A -
Expectativa é de que mais pessoas participem da Consulta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Expectativa é de que mais pessoas participem da Consulta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Os próximos 18 dias serão decisivos para definir quem será o novo reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Agora, a gestão 2021- 2024 está sendo disputada pelos professores Paulo Ferreira e Fábio Cerqueira. Com o objetivo de chegar ao segundo turno alcançado, a Chapa 1 - UFPel Diversa e Chapa 2 - UFPel Mais dividem os mesmos desafios: seguir mobilizando a comunidade acadêmica e conquistar os votos que foram destinados as outras chapas na Consulta Informal do primeiro turno.

Mesmo com menos votos conquistados (20,07%), a UFPel Mais arranca na frente no quesito apoio, pois contará com a contribuição da Chapa 3 - Tô Contigo UFPel e da Chapa 4 - UFPel Raiz, encabeçadas pelos professores Julieta Fripp e Mario Canever e Míriam Alves e Michele Rodrigues, respectivamente. De acordo com Julieta, as ideias do grupo seguem vivas e seguirão sendo defendidas através da união com a Chapa 2. “Estaremos engajados para apoiá-los no segundo turno, levando as nossas propostas para encorpar o programa que busca melhorar a qualidade da nossa universidade”, completou. Entre os projetos estão a construção do condomínio estudantil no campus Capão do Leão, ampliação de leitos e construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na Laneira.

A UFPel Raiz informa que depois de uma conversa com a militância também decidiu apoiar a Chapa 2, “pois somos totalmente oposição à forma de gestão atual”, frisaram. O grupo irá propor que a UFPel Mais coloque na agência de propostas temas que são essenciais para eles, como o enfrentamento às opressões, a luta pelo reconhecimento e valorização dos técnicos administrativos, políticas de ações afirmativas e reparação, valorização do ensino, pesquisa e extensão que transcendam muros da universidade, além de práticas efetivas de acolhimento e inclusão para toda comunidade universitária.

Expectativas e desafios dos candidatos

Com 4.129 votos (46,43%) e vitória nas três categorias - estudantes, docentes e técnicos administrativos -, Ferreira garante que a UFPel Diversa atingiu o objetivo do processo democrático. “O primeiro turno acabou muito bem, pois vimos a aprovação da comunidade nas urnas”. Mesmo agradecidos com a ampla vantagem, o professor alerta para queda no número de alunos votantes, comparado a 2016. Na eleição passada mais de oito mil estudantes participaram da consulta. Nesta, o número caiu para 6.701. “Acredito que em função de estarmos na época de recesso entre um calendário alternativo e outro”, completou.

Para o segundo turno, o desafio é buscar os que não votaram e seguir engajado com os que já participaram. “Queremos a participação de todos para debater e mostrar os nossos projetos”, frisou. Mesmo sem o apoio oficial de nenhuma chapa, Ferreira diz que a UFPel Diversa convida o restante da comunidade acadêmica a somar os projetos da Chapa 1. Como o calendário alternativo já terá retornado, a expectativa é de que mais alunos sejam mobilizados e queiram participar da Consulta.

A UFPel Mais, que já conta com o apoio das demais, garante que quer tornar a universidade mais humanista, cuidativa e inclusiva. Para isso ocorrer, precisará reverter uma boa quantia de votos, mas garante que o objetivo do primeiro turno foi vencido. “Parabenizamos a Junta, a COE, a comunidade acadêmica e toda base da Chapa 2, que construiu um lindo trabalho”, ressaltou Cerqueira. Um ponto destacado pelo docente é a diminuição de votos dos técnicos administrativos. “Cerca de 300 não votaram”, lamentou. Agora, o objetivo é buscar ampliar esse número e reverter a abstenção da classe estudantil.

Possíveis cortes orçamentários

Com a previsão de um corte de 21% no orçamento de 2021, o reitor que assumirá terá um grande desafio pela frente. A expectativa de Ferreira é que a situação seja revertida. “Trabalharemos para reverter, eleitos ou não”, apontou. Para fazer uma análise mais detalhada do cenário é necessário esperar o final de 2020 para saber como o ano financeiro da UFPel acabará. “Mas infelizmente temos experiência, pois gerimos a UFPel em um dos piores momentos financeiros”, completou.

“O jogo ainda está sendo jogado”, disse Cerqueira, referindo-se que o corte orçamentário ainda pode ser revertido. O plano é buscar uma atuação forte em todos os canais da universidade e ir atrás de recursos em diversos organismos, sejam eles nacionais ou internacionais. Uma das propostas da campanha é criar um Escritório de Desenvolvimento de Projetos para democratizar a captação de recursos. Segundo ele, essa será uma boa medida para lidar com o possível cenário. “A crise é um desafio para crescer”, falou.

Em comum, os candidatos têm o desejo de abrir ainda mais os muros da UFPel e, com isso, desmanchar o que - inacreditavelmente - vem sendo reproduzido por uma parcela da sociedade, que enxerga as instituições federais como locais de balbúrdia e não de ensino, pesquisa e extensão.

Agradecimentos

Segundo a Chapa 3, o sentimento é de dever cumprido, “Trabalhamos com uma campanha limpa, com desejo de mudança, num espaço plural e com respeito às diferenças”, disse Julieta. Com isso agradeceram os 1.204 votos (17,94%) que somaram. Com os principais eixos da campanha sendo o diálogo e o cuidado com as pessoas, a professora acrescenta o contratempo dos não recebimentos dos e-mails com link de votação. “E teve votante que não recebeu o e-mail e mesmo entrando em contato com o suporte não teve seu problema resolvido”, lamentou. 

Mesmo contabilizando 15,5% dos votos e acabando o pleito em quarto lugar, a UFPel Raiz foi a segunda chapa mais votada em números absolutos e a segunda mais votada entre os estudantes. “Fizemos uma campanha necessária, providencial para a UFPel, articulamos um campo político que ainda não havia sido colocado no cenário de disputa à Reitoria, com as vozes de quem sempre foi invisibilizado”, completaram, orgulhosos.


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