Reforma

Obras para mudar o Grande Hotel

Assinatura de ordem de serviço em cerimônia realizada nesta segunda é o último passo antes do início dos trabalho no prédio

18 de Novembro de 2019 - 11h45 Corrigir A + A -
Aprendizado. No futuro, local irá  abrigar um Hotel-Escola. (Foto: Infocenter DP)

Aprendizado. No futuro, local irá abrigar um Hotel-Escola. (Foto: Infocenter DP)

Por Daniel Batista
daniel.batista@diariopopular.com.br
(Estagiário sob supervisão de Débora Borba)

O início do processo de restauração do Grande Hotel começará nesta semana. A emissão da ordem de serviço, que acontece às 14h desta segunda-feira (18), permite o início das obras para restauração integral do prédio. Em um prazo de até dois anos, com um contrato de R$ 8,7 milhões, o projeto que será executado pela empresa goiana Marsou Engenharia promoverá a transformação do local em um Hotel-Escola, com atividades que unem a prática acadêmica e serviços de hospedagem.

“Uma das maiores conquistas da cidade nos últimos anos”, afirma o reitor da UFPel, Pedro Hallal. Segundo ele, o início das obras de restauração do prédio representa um ganho para a comunidade acadêmica e também para o município, que passará a contar com mais um prédio de grande importância histórica restaurado. Para Hallal, a importância da obra pode ser comparada à da restauração do Teatro Sete de Abril, outro patrimônio histórico localizado no entorno da praça Coronel Pedro Osório que passa por processo semelhante, promovendo aumento no potencial turístico do município.

Após a conclusão, a ideia é que o local seja sede do curso de Hotelaria, mas que atividades de outras graduações também sejam desenvolvidas no local. Com isso, o prédio também irá auxiliar no aprendizado de cursos com sede fora do Hotel-Escola “O curso de gastronomia e nutrição poderiam atuar na parte do café da manhã, por exemplo, e o de administração no gerenciamento do local”, explica Hallal. Para o reitor, a conclusão da obra representará o final de uma demanda constante entre os acadêmicos do curso de hotelaria e da comunidade pelotense.

Hotel e escola
Ao todo, serão 4.300 m² de área construída entre o subsolo e o terraço, em quatro pavimentos. No porão, serão abrigadas as áreas de infraestrutura e apoio do hotel, como reservatórios, cozinhas, rouparia, governança, almoxarifado, sanitários de serviço, financeiro e gerência. Para o térreo estão previstas a recepção, restaurante, café, sanitários, sala de jogos, webspace e lounge. Além disso, o edifício contará ao todo com 28 quartos distribuídos em dois pavimentos, sendo quatro adaptados para pessoas com deficiência e dois com suítes. O quarto pavimento terá três salas de aula, laboratório de gastronomia, laboratório de informática, sala de professores, secretaria, sala de coordenação, área de convivência, sala de projetos, sala para Diretório Acadêmico, guarda-volumes, sala de infraestrutura e sanitários.

De acordo com Emanuel Lopez, representante da Marsou Engenharia no Rio Grande do Sul, a previsão é de que obra seja concluída em 20 meses, executando um projeto amplo de restauração do edifício. Conforme o engenheiro civil, o prazo pode ser alterado em caso de surgimento de situações não previstas. Por se tratar de um prédio histórico, as alterações precisam de autorização de órgãos que cuidam destes patrimônios. “É preciso preencher critérios antes de tomar medidas”, afirma. Nos próximos dias, devem ocorrer a mobilização de equipamentos e de funcionários da empresa para início das obras.

Conforme Otávio Peres, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento (Proplan), o contrato da obra com a empresa responsável já está devidamente assinado. Assim, o evento de hoje marca a emissão da ordem de serviço, que possibilita o início dos trabalhos. Os recursos no valor de R$ 8,7 milhões serão repassados conforme o avanço da obra, integralmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), assinado entre o Instituto e a UFPel. Com a garantia do valor, houve a abertura do processo licitatório que contou com a participação de seis empresas. O projeto foi contemplado, em 2015, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, o que possibilitou o acesso aos recursos em 2019.

Hotelaria terá aulas no Salis Goulart
Durante o período das obras, as atividades do curso de Hotelaria serão realizadas no prédio do antigo Sales Goulart, na esquina das ruas Tiradentes e Félix da Cunha. Conforme Peres, a alteração não promoverá prejuízo aos alunos, e parte das aulas neste semestre já ocorreram em salas do local, que deverá contar, ainda, com a instalação de salas da coordenação do curso e dos professores. Há, ainda, a previsão de um laboratório de práticas hoteleiras no Salis Goulart. “Acreditamos que não há prejuízos aos alunos, pois a perspectiva de melhora do curso é grande”, afirma o pró-reitor.

Relembre
►A construção do prédio é datada entre 1925 e 1927.

►Em 2008, houve o início de uma reforma na fachada e na estrutura do prédio, porém as obras foram interrompidas.

►Em 2011, a doação do prédio para a Universidade Federal de Pelotas foi aprovada pela Câmara Municipal de Vereadores.

►Em 2015, o projeto de restauração da estrutura foi enviado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), passando por adaptações técnicas nos dois anos seguintes.

►Em junho de 2019, houve a confirmação dos recursos necessários para a restauração pelo Iphan.


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