Desigualdade

Número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza aumenta

54,8 milhões de brasileiros passaram a viver com menos de R$ 406 por mês - um aumento de dois milhões de pessoas em comparação ao ano anterior

05 de Dezembro de 2018 - 16h00 Corrigir A + A -

Por: Redação
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Pessoas pretas e pardas são maioria entre os mais pobres (Foto: Carlos Queiroz - Infocenter - DP)

O número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil aumentou entre 2016 e 2017, conforme mostra a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o índice proposto pelo Banco Mundial, a proporção de pessoas pobres no Brasil subiu de 25,7% para 26,5% da população. Em números absolutos, 54,8 milhões de brasileiros passaram a viver com menos de R$ 406 por mês - um aumento de dois milhões de pessoas em comparação ao ano anterior.

O contingente de pessoas com renda inferior a R$ 140 por mês, que estariam na extrema pobreza de acordo com a linha proposta pelo Banco Mundial, também aumentou. Em 2016 eles representavam 6,6% da população do país e, em 2017, passaram a 7,4%. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas em 2017.

No Nordeste, 44,8% da população estava em situação de pobreza, o equivalente a 25,5 milhões de pessoas. Por outro lado, a Região Sul possuía cerca de 3,8 milhões de pessoas em situação de pobreza, o equivalente a 12,8% dos quase 30 milhões de habitantes. No Sudeste, o percentual de pessoas abaixo dessa linha subiu para 17,4% da população, abarcando 15,2 milhões de pessoas.

Pretos ou pardos continuam a predominar entre os mais pobres
Entre os pretos ou pardos, 13,6% estavam entre os 10% da população com os menores rendimentos. No outro extremo, porém, apenas 4,7% deles estavam entre os 10% com maiores rendimentos. Já entre os brancos, 5,5% integravam os 10% com menores rendimentos e 16,4% os 10% com maiores rendimentos.

Por faixa de renda, os pretos ou pardos representavam, em 2017, 75,2% das pessoas com os 10% menores rendimentos, contra 75,4% em 2016. Na classe dos 10% com os maiores rendimentos a participação de pretos ou pardos aumentou: de 24,7% em 2016, foram para 26,3% em 2017. Apesar dessa evolução, a desigualdade permanece alta.

Entre as mulheres, a situação é mais complicada
Do total de moradores em domicílios em que a pessoa de referência era uma mulher sem cônjuge e com filhos de até 14 anos, 56,9% estavam abaixo dessa linha. Se a responsável pelo domicílio era uma mulher preta ou parda (igualmente sem cônjuge e com filhos no mesmo grupo etário), essa incidência subia para 64,4%. Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%).

Moradia inadequada afeta 27 milhões de pessoas

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13% da população vivia em residências inadequadas no ano passado (Foto: Carlos Queiroz - Infocenter - DP)

A SIS mostrou que 27 milhões de pessoas (13,0% da população) viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas. O adensamento excessivo (residência com mais de três moradores por dormitório) foi a inadequação domiciliar que atingiu o maior número de pessoas, foram 12,2 milhões (5,9% da população) em 2017.

O ônus excessivo com aluguel (quando o aluguel supera 30% do rendimento domiciliar) afetou 10,1 milhões de pessoas, num contexto em que 17,6% dos imóveis residenciais são alugados. Essa inadequação foi mais presente no Distrito Federal (9,1%) e São Paulo (7,1%), as duas unidades da federação com maior renda média.

Em 2017, 5,4 milhões de pessoas (2,6% da população) viviam em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Da população com renda inferior a R$ 406 por mês, 28,6% tinham pelo menos uma inadequação domiciliar (contra 13,0% da população em geral). Ainda entre as pessoas abaixo dessa linha de pobreza, 57,6% tinham restrição a pelo menos um serviço de saneamento (contra 37,6% da população em geral). 

Já a ausência de coleta direta ou indireta de lixo atingiu 10,0% da população e 15,1% do total de pessoas não era abastecida por rede geral de água. Uma proporção de 37,6% residia em domicílios onde faltava ao menos um desses três serviços de saneamento básico.

Em relação ao abastecimento de água por rede, a maior restrição foi em Rondônia (54,0%). A maior restrição à coleta de lixo foi no Maranhão (32,7%).


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