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Novas escolas de Educação Infantil seguem emperradas

Empresa anuncia dificuldades financeiras e prejudica seis obras em Pelotas

12 de Julho de 2018 - 20h32 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

No Sítio Floresta, além da movimentação de alunos de zero a cinco anos, uma vaca caminha e pasta  (Foto: Paulo Rossi - DP)

No Sítio Floresta, além da movimentação de alunos de zero a cinco anos, uma vaca caminha e pasta (Foto: Paulo Rossi - DP)

Na Sanga Funda, tapume é um dos exemplos do cenário cada vez mais deteriorado, enquanto obra não é restabelecida (Foto: Paulo Rossi - DP)

Na Sanga Funda, tapume é um dos exemplos do cenário cada vez mais deteriorado, enquanto obra não é restabelecida (Foto: Paulo Rossi - DP)

Na Vila Princesa, não há mais sinal de que o local, um dia, irá abrigar uma escola de Educação Infantil (Foto: Paulo Rossi - DP)

Na Vila Princesa, não há mais sinal de que o local, um dia, irá abrigar uma escola de Educação Infantil (Foto: Paulo Rossi - DP)

A cena, registrada no Sítio Floresta, parece brincadeira. Mas não é. Onde a movimentação deveria ser apenas de crianças dos zero aos cinco anos, uma vaca caminha e pasta. É um dos retratos das 14 escolas de Educação Infantil, anunciadas em 2011 pela prefeitura de Pelotas, através do Programa Proinfância. Até hoje nenhuma delas foi inaugurada. Nem a que estava mais perto de abrir as portas - no Navegantes - será concluída agora.

A empresa Bandeira e Silva Engenharia interrompeu a obra e comunicou insolvência ao governo.
O anúncio, entretanto, afetará outras cinco instituições: duas que também estavam em fase de construção, no Vasco Pires e no Laranjal, e, outras três, que já deveriam ter sido retomadas. Foi, exatamente, o roteiro que o Diário Popular cumpriu na quarta-feira, com visita às comunidades do Sítio Floresta, Sanga Funda e Vila Princesa.

Em breve, novos editais de licitação devem ser publicados. Ainda não há datas definidas. A expectativa, todavia, é de que a concorrência pública para estes últimos três locais seja aberta primeiro, já que o contrato entre a prefeitura e a empresa de Novo Hamburgo não chegou a ser assinado. Não haverá, portanto, a burocracia para rescindi-lo.

"Chegamos a pedir que eles concluíssem ao menos a escola do Navegantes, que falta apenas 5% da obra, mas eles confirmaram que a situação financeira era inviável", explica o secretário de Planejamento e Gestão, Paulo Morales. "Garantiram que já estavam com tudo desmobilizado".
O caminho, então, será o mesmo dos últimos anos: a população, mais uma vez, precisará aguardar.

O sonho nem recomeçou e será adiado de novo
Parte do cenário é o mesmo: fundações prontas, grama alta, paredes pela metade e falta de perspectiva para inauguração. Foi o que o DP conferiu ao voltar às três localidades. Na vila Princesa, não há mais sequer um sinal de que o terreno, um dia, abrigará uma escola de Educação Infantil.

No Sítio Floresta, o cenário de abandono é praticamente o mesmo. Estruturas metálicas expostas e uma vaca pastando eram as principais diferenças. Quem mora em frente torce para ver a retomada. E torce, sim, para uma vaga para filha Keila, de apenas três anos, que não havia nem nascido quando as instituições foram anunciadas pela prefeitura. "Se a escolinha estivesse funcionando, era só atravessar a rua e ir", resume a dona de casa Neila Peverada, 36.

Na Sanga Funda, a placa do Proinfância segue no chão. E segue, também, a deterioração do pouco que restou do tapume de madeira. "O pessoal encosta carro e charrete ali e vai levando tudo", conta Nelda Zanotti, 62, ao interromper o trajeto depois de buscar o neto Magno Júnior, de cinco anos, no anexo da escola Francisco Carúccio. "Esta creche faz muita falta pra toda a comunidade".

E não será agora que as três sairão do papel. A empresa Bandeira e Silva Engenharia foi a única a se candidatar ao processo licitatório que teve os envelopes abertos em 17 de abril. Não há, portanto, como recorrer ao segundo colocado para agilizar o processo.

Saiba mais
Os prédios do Proinfância previstos para Pelotas, do tipo 2, contarão com salas de aula, sala multiuso, sanitários, fraldários, recreio coberto, parque e refeitório, além de outros ambientes que, eventualmente, contribuam às atividades pedagógicas, recreativas, esportivas e de alimentação. Sem falar nos setores administrativo e de serviço.

Cada uma das escolas terá estrutura para acolher 94 crianças em turno integral. Mas, conforme a modalidade de horário para cada uma das turmas, a capacidade poderá ser bem maior.

Veja o que emperra cada uma das 14 instituições
- 3 construções interrompidas: As escolas no Navegantes, no Vasco Pires e no Laranjal deveriam ter sido concluídas em novembro de 2017. Ao menos era o previsto no contrato com a empresa Bandeira e Silva Engenharia, que anunciou há cerca de um mês o abandono das obras, devido a dificuldades financeiras.

- 3 retomadas frustradas: As escolas da Vila Princesa, da Sanga Funda e do Sítio Floresta continuarão presas ao papel. A empresa Bandeira e Silva Engenharia venceu a licitação, em abril, mas formalizou dificuldades financeiras à prefeitura antes de assinar o contrato. Em novembro de 2017, o Executivo já havia rescindido o contrato com a GR Indústria e Comércio Ltda, devido à demora na execução do trabalho iniciado em julho de 2016.

- 2 seguem só nos planos: As instituições no loteamento Dunas e no Eucaliptos integram o bloco das cinco construções interrompidas com a anulação do contrato com a GR Indústria e Comércio Ltda. A retomada ainda não tem data definida e depende da abertura de um processo licitatório à parte.

- 5 à espera de avaliação em Brasília: Há mais de um ano e meio, a prefeitura aguarda posição do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) sobre o método construtivo a ser aplicado. Sem a resposta, cinco projetos seguem emperrados. E o pior: a comunidade de Monte Bonito (9º distrito), vila Farroupilha, Residencial Eldorado, loteamento Getúlio Vargas e Colônia de Pescadores Z-3 continua no aguardo.

As obras chegaram a ser iniciadas pela MVC Componentes Plásticos, mas foram suspensas em 2015, ainda no alicerce. A empresa paranaense, que se comprometeu com construções em diferentes pontos do país, reivindicava realinhamento de preços, mas não houve acordo.

- 1 em negociação inicial: A construção da escola de Educação Infantil na vila Governaço envolve tratativas para compra de um terreno ao lado da área onde a instituição seria inicialmente erguida, para o projeto - em espaço mais amplo - ser finalmente aceito pelo governo federal.

 


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