Nosso Bairro

Nosso Bairro ruma ao São Gonçalo

Região apresenta as diferentes realidades de um espaço em constante transformação e com contrastes entre pobreza e luxo

25 de Junho de 2022 - 10h13 Corrigir A + A -

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Muitos acabam desconhecendo, mas dentro da divisão de bairros de Pelotas há a macrorregião do São Gonçalo. “Agora chamam de São Gonçalo aqui, né?”, foi um dos questionamentos ouvidos pela reportagem em diversos momentos enquanto circulava por lá. O bairro compreende os trechos entre as avenidas Juscelino Kubitschek, avenida Ferreira Viana, canal São Gonçalo e Arroio Pelotas. Dentro deste perímetro, locais como Cruzeiro, Village, Fátima, Ambrósio Perret, Navegantes, Umuharama, Marina e condomínios novos como Parque Una e Lagos de São Gonçalo. Nesta semana, o projeto Nosso Bairro percorre esta parte da cidade, após ter circulado por Laranjal, Areal, Fragata e Três Vendas.

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Bairro apresenta dualidade entre novas e antigas regiões (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Ao olhar justamente os nomes das regiões do São Gonçalo, nota-se a discrepância dentro deste bairro. De localidades humildes, como a Estrada do Engenho e o Navegantes, até espaços ultramodernos e de altíssimo padrão. Hoje, o Diário Popular inicia o tour por esta parte de Pelotas, com moradores contando um pouco de sua história e da dualidade que se encontra por ali, trazendo sua visão através do ponto de vista de quem está em um espaço em constante evolução imobiliária e estrutural. Nas próximas reportagens, você lerá sobre a cultura, comércio, práticas esportivas e a segurança, que vem apresentando queda nos indicadores de criminalidade nos últimos anos.

No Navegantes, a sensação de pertencimento
Há 35 anos, quando se mudou para o Navegantes II, Rogério Osório encontrou um espaço com muitos problemas estruturais. “Não tinha nada quando vim pra cá”, relembra. Hoje, com duas filhas criadas dentro do bairro, aponta uma grande evolução, com a valorização imobiliária também puxada pelos novos empreendimentos da localidade. “São vilas que ninguém dava nada e que hoje valem muito”, analisa. Ainda assim, situações como a falta de asfalto em diversas ruas, a baixa pressão de água e o canal do Pepino, que cruza o bairro, são lembradas como “coisas a evoluírem”.

Embora muitas vezes o Navegantes leve a fama de ser um dos bairros periféricos mais violentos de Pelotas, Osório dá de ombros. “Esse problema tem em tudo que é lugar”, afirma. Em vez disso, prefere prezar pelas qualidades do local e pela proximidade com vizinhos e amigos, criando laços e a sensação de pertencimento.

A oportunidade de descentralizar
Sócio da Idealiza, empresa responsável pelo Parque Una, o empresário André Beiler é enfático ao apontar o espaço não como um futuro, mas já como parte do presente de Pelotas. Lançado em 2015, já são sete empreendimentos entregues, outros sete em andamento e um a surgir em breve. Tudo isso não chega nem à metade da ideia, que é ter 32 torres e uma expansão de mais 20, no Parque Una II. “Tem muito para crescer ainda”, define.

A ideia de um espaço para morar, trabalhar e ter lazer é parte do novo urbanismo e Beiler diz que isso faz com que a região se torne mais valorizada, já que a infraestrutura é toda pensada voltada à qualidade de vida. A tendência de descentralizar, para ele, veio para ficar, criando um bairro multicultural para conviver em harmonia. “É algo que a gente se orgulha bastante de ter desenvolvido”, encerra.

Na Estrada do Engenho, a expectativa pela mudança
Em uma das regiões mais carentes de Pelotas, a moradora Tuani Dias é direta ao afirmar sua opinião sobre a qualidade de vida: “é horrível.” Ela mora com três filhos em uma casa construída com apoio da comunidade, às margens do canal São Gonçalo. Falta água, luz, há goteiras, tudo é longe… As moradias, irregulares, passam por uma longa novela para a retirada e realocação em outro espaço. Ela reclama da falta de diálogo com o Poder Público, mas mantém a expectativa de mudança. A esperança é por algo bem simples: “ter uma casinha onde o banho não seja de balde”, diz.

Em nota, a prefeitura afirma esperar que, em oito meses, as 22 primeiras moradias sejam entregues e, em breve, outras 36 deverão ser feitas. “Todas as famílias que construíram em cima do dique que passa sobre o canal São Gonçalo foram cadastradas junto ao Poder Público e serão realocadas para as casas do loteamento (...) A prefeitura manteve contato com todas as famílias que estavam instaladas no local, pois as habitações eram irregulares, e era preciso recuperar também a área degradada”, explica o texto.

Para participar do projeto
O DP quer ouvir suas sugestões de pauta e apresentar reivindicações, projetos sociais e bons exemplos de cada localidade de Pelotas. Até agora o Nosso Bairro já cruzou por Laranjal, Areal, Fragata e Três Vendas. Agora, o roteiro está direcionado ao São Gonçalo. Mas a pauta não para por aqui e seguiremos, após as apresentações, abordando a realidade. Portanto, participe! Você pode entrar em contato pelos e-mails nossobairro@diariopopular.com.br e lucas.kurz@diariopopular.com.br ou pelos telefones (53) 3284-7023 ou pelo WhatsApp (53) 99147-4781. Se preferir, pode dirigir-se à sede do Jornal, na rua 15 de Novembro, 718.


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