Pandemia

Nos Estados Unidos, professor da Furg relata obediência a isolamento

Morador de Pelotas, epidemiologista e professor universitário vive de perto preocupação norte-americana com avanço da pandemia

07 de Abril de 2020 - 11h08 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

César é casado com a professora Maria Aurora Crestani César, 42 e tem os filhos Pedro Ernesto, 11, e Maria Catarina, 6. (Foto: Divulgação - DP)

César é casado com a professora Maria Aurora Crestani César, 42 e tem os filhos Pedro Ernesto, 11, e Maria Catarina, 6. (Foto: Divulgação - DP)

Quando deixou Pelotas com a família em direção aos Estados Unidos, o professor universitário e epidemiologista Juraci Almeida César não imaginava que se instalaria próximo a um dos principais centros mundiais de pesquisa e acompanhamento daquela que já pode ser considerada das maiores crises de saúde pública da história. Embora soubesse seu endereço em Baltimore, na costa leste, e que atuaria como professor visitante na Universidade Johns Hopkins, era impossível prever que meses depois de se adaptar à nova rotina precisaria lidar com uma pandemia de coronavírus.

Aos 54 anos, César dá aulas na Universidade do Rio Grande (Furg) e é casado com a professora - e também epidemiologista - da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Maria Aurora Crestani César, 42. Junto com os filhos Pedro Ernesto, 11, e Maria Catarina, 6, foram para os Estados Unidos em setembro de 2019 e esperam retornar em agosto deste ano, tão logo termine o pós-doutorado de Maria Aurora.

Acostumada ao movimento da cidade com pouco mais de 600 mil habitantes, nas últimas semanas a família precisou readaptar a rotina. Saíram os dias de trabalho na universidade e as aulas na escola perto de casa, entraram os longos períodos de confinamento. Nada muito diferente do recomendado no Brasil atualmente. Com uma diferença. Por lá, ninguém duvida da ciência e se arrisca a sair às ruas sem necessidade.

"Recebemos mensagens direto do governador pedindo para ficar em casa e orientar quem eventualmente estiver se arriscando. Mas todos estão obedecendo a orientação. Quem está saindo são as pessoas da saúde, do transporte, da segurança. Os demais estão se adaptando e ficando em casa", conta César.

Com duas crianças precisando cumprir isolamento social, o professor explica que enfrenta a dificuldade de não poder aproveitar o ar livre, como era hábito da família na casa do Recanto de Portugal. "Aqui a gente mora em um apartamento de 110 metros quadrados. Em Pelotas era quase uma vida rural. Só o nosso pátio tinha dois mil metros quadrados, com animais, espaço para correr", lembra.

Preocupação com o que irá encontrar
Embora os Estados Unidos sejam o país com o cenário mais grave no momento, a família se diz tranquila diante das medidas tomadas pelo governo. Diferentemente do que percebe com relação ao Brasil. Mesmo distante e sem parentes em Pelotas, devido às origens do interior de São Paulo, César diz que acompanha as notícias e recebe informações da cidade e do país através de amigos. Sua maior preocupação está na forma como autoridades nacionais estão lidando com a crise social provocada pela Covid-19.

"Por aqui, o presidente até começou a falar coisas contra o isolamento há algumas semanas, mas ninguém deu bola porque sabem que ele não entende do assunto. Estamos preocupados em como isso é tratado no Brasil. Não parecem levar a sério a necessidade de isolamento. Se não houver isolamento, manejo e suporte financeiro às pessoas, a situação tende a piorar muito", avalia com a experiência de epidemiologista, embora sua especialidade seja saúde materno-infantil.

De longe, César, Maria Aurora, Pedro Ernesto e Maria Catarina torcem para que o novo coronavírus seja controlado o quanto antes. Lá e aqui. A esperança é que, ao retornar a Pelotas, possam voltar a viver a rotina da cidade plenamente. Incluindo as brincadeiras no pátio de casa e os passeios pela cidade.


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