Seca

Municípios cobram apoio contra a estiagem

Em Pelotas, o nível da principal barragem da cidade, a Santa Bárbara, cai e está mais próximo dos três metros negativos

25 de Março de 2020 - 11h20 Corrigir A + A -
Sem chuva. Cenário é cada vez mais preocupante

Sem chuva. Cenário é cada vez mais preocupante

Municípios da Zona Sul ainda aguardam por apoio do governo estadual destinado a ações voltadas para amenizar os efeitos da estiagem na região, que conta com 3.052 famílias registradas para receberem água para consumo humano, segundo a Emater. Ao todo, 12 dos 18 municípios com decreto de situação de emergência já receberam a homologação do Estado e oito o reconhecimento em esfera federal. Em Pelotas, a ausência de chuvas e as altas temperaturas contribuem para a redução no nível da barragem Santa Bárbara, a qual alcançou 2,76 metros em medição realizada na terça pelo Sanep. O último registro de chuvas foi feito na quarta-feira da semana passada, quando foram 18 milímetros de precipitação.

O nível do local, responsável pelo abastecimento de 60% do município, continua em queda. Desde a última semana, no período entre os dias 17 e 24, o nível de água do local recuou 14 centímetros, com quedas de dois a três centímetros por dia, indo de 2,62 metros para os atuais 2,76 metros. “A gente ainda está carente de muita chuva”, afirma o diretor-presidente do Sanep, Alexandre Garcia. Ele ressalta que a barragem vem mantendo um ritmo normal de queda, mesmo com o aumento no número de pessoas nas residências, como forma de prevenção à Covid-19. Com isso, a expectativa é que o crescimento do consumo nas residências seja compensado com a redução do uso em outros locais, como o comércio e restaurantes. No entanto, o consumo registrado no último domingo, segundo ele, foi acima do habitual. “É imprescindível que a população siga nos ajudando”, destaca.

Em razão do decreto de situação de emergência, em decorrência da pandemia de coronavírus, o número de equipes da autarquia em atuação foi reduzido. Parte permanece atuando em regime de plantão, na resolução de vazamentos, com prioridades para os de maior proporção, com potencial de causarem desabastecimento.

Também por conta do decreto, as equipes de fiscalização deixaram de circular pelas ruas. Apesar disso, Alexandre ressalta a importância do uso adequado. “Temos que tomar esse cuidado com a água, é preciso consciência”, ressalta Garcia. Desde a última segunda-feira, o atendimento presencial da autarquia foi suspenso. Em caso de urgência, é disponibilizado o atendimento via redes sociais e por telefones, que podem ser consultados em: https://portal.sanep.com.br/noticia/sanep-mantem-servicos-essenciais-em-funcionamento

Azonasul cobra celeridade
Na última segunda-feira, um ofício assinado pelo presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), o prefeito de Arroio Grande, Luis Pereira da Silva (PP), foi enviado ao governador do Estado, Eduardo Leite (PSDB). No documento, é solicitada rapidez quanto à interferência junto à Defesa Civil estadual e outros órgãos do Estado, em relação à liberação de recursos e produtos a serem destinados aos municípios e às famílias atingidas.

O texto também ressalta a efetivação das homologações dos decretos de grande parte dos municípios da Zona Sul, em nível estadual, mas que ainda não receberam nenhuma providência, como Cerrito. “As perdas serão enormes nas produções de todas as atividades do setor primário”, projeta o prefeito do município, Douglas Silveira (PP), ressaltando que o apoio poderia ampliar e agilizar o atendimento aos afetadas pela estiagem. O município tem decretada a situação de emergência desde 4 de fevereiro, sendo homologada pelo governo estadual e reconhecida em nível federal. No total, 180 famílias estão sem água para consumo e recebem água fornecida pela prefeitura por meio de dois caminhões-tanque. As perdas na agricultura são de ao menos R$ 18 milhões - a mais acentuada é na soja, com R$ 10 milhões. Nessas lavouras, a redução foi de 40% da produção, segundo o último boletim de perdas elaborado pela Emater.

Silveira lembra que, com a falta de apoio de outras esferas governamentais, os investimentos realizados para amenizar a situação da estiagem no município foram feitos com recursos da prefeitura. Até o momento, foram ao menos R$ 12 mil empenhados em horas-máquina para abertura de bebedouros, R$ 15 mil em caminhões-pipa e R$ 35 mil em combustível. “Certamente já devemos ter gastado mais”, afirma o chefe do Executivo de Cerrito. Ao governo federal, foi solicitado apoio no valor de R$ 96 mil.

Perdas regionais
Em Pelotas, a perda mais acentuada é no milho grão, que chega a 70%. “É uma planta que não aprofunda muito a raiz”, afirma o chefe do escritório municipal da Emater, Francisco Arruda. No milho silagem o percentual é de 20% e na soja, de 60%, a qual teve 15% da área colhida. Os produtores de tabaco, com 30%, e na olericultura, com 40%, também sofreram reduções, em relação ao planejamento inicial. Arruda lembra que houve ocorrências de chuvas no município, mas com diferentes intensidades e localizações.

O cenário de prejuízos também é notado em nível regional, onde as perdas são mais acentuadas no milho grão, com 66,14%. No milho silagem, o percentual chega a 55,1%, enquanto a 45,4% na soja. No tabaco, o total chega a 29,60%, e a 60% no feijão. As criações de leite, com diminuição média diária de 37,5%, e na pecuária de corte, com diminuição no peso dos bovinos entre dez e 20 quilos por cabeça, também sofreram com a estiagem.

Chuva retorna em abril
De acordo com a MetSul Meteorologia, a previsão para abril é que a ocorrência de chuvas passe a ser mais frequente, com precipitações mais volumosas em relação aos meses anteriores. Os índices, no entanto, não serão suficientes para reverter a estiagem, mas para atenuar parte dos efeitos.

Municípios em situação
de emergência
Amaral Ferrador**
Arroio do Padre*
Arroio Grande*
Candiota*
Canguçu**
Capão do Leão*
Cerrito**
Herval**
Morro Redondo**
Pedro Osório
Piratini***
Pedras Altas*
Pelotas
Pinheiro Machado**
São Lourenço do Sul**
São José do Norte
Turuçu

* Homologado pelo Estado
** Homologado pelo Estado e reconhecido pela União
*** Reconhecido pela União

Fonte: Defesa Civil

O município de Jaguarão decretou a situação na última segunda-feira, mas ainda não consta em lista da Defesa Civil. Santana da Boa Vista decretou, mas não deu continuidade ao processo.


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