Paralisação

Municipários protestam na frente da Prefeitura

Executivo ainda não enviou nenhuma proposta a categoria

25 de Maio de 2022 - 12h35 Corrigir A + A -
Caso Executivo não se manifeste as manifestações seguirão durante a semana  (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Caso Executivo não se manifeste as manifestações seguirão durante a semana (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Atualizada às 17h31min para acréscimo de informações

Sob gritos de "Paula, cadê você, eu vim aqui só pra te ver", centenas de servidores públicos do município se reuniram na manhã desta quarta-feira (25), na frente da prefeitura de Pelotas. O ato de reivindicação de reajuste salarial marcou o início da paralisação de três dias, aprovada por ampla maioria em assembleia do Sindicato dos Municipários (Simp) na tarde da última terça-feira.


Até o fechamento desta edição, a prefeitura ainda não havia encaminhado resposta à categoria, mantendo o posicionamento de se manifestar sobre o assunto até o final desta semana. Caso a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) não encaminhe a proposta aos trabalhadores, o sindicato pretende manter as manifestações no mesmo local, na quinta e na sexta-feira, com distribuição de panfletos.

Pelas redes sociais, Paula se manifestou sobre a paralisação dos municipários. "É nítida a opção do Simp pelo conflito. Não fora assim, não teriam paralisado as atividades antes de conhecerem a posição do governo. Se ainda não nos manifestamos é porque, num cenário de absoluta insegurança, procuramos alternativas para oferecer a melhor proposta possível", escreveu.

Conforme a diretoria do sindicato, um ofício sobre o reajuste foi enviado ao Executivo no dia 2 de maio. No dia 16, foi encaminhado novo e-mail reiterando o texto do início do mês. Conforme os servidores, somente na última sexta-feira a prefeitura teria respondido, indicando manifestação oficial durante esta semana, ou seja, até o dia 27. Em seguida, o Simp afirma ter sinalizou o recebimento e alertado sobre a data da assembleia, indicando que a proposta do governo poderia ser enviada à categora até terça-feira às 11h, o que não ocorreu.

Pedido do funcionalismo

Os servidores municipais reivindicam 20,09% de reajuste salarial. O valor seria a composição de 9,93%, equivalente ao acumulado da inflação medida pelo INPC dos anos de 2019 e 2020, e ainda o índice do ano de 2021, na ordem de 10,16%. Já o vale-alimentação passaria de R$ 270 para R$ 500, um aumento de 85%. De acordo com a presidente do Simp, Tatiane Rodrigues, a paralisação poderia ter sido evitada se a prefeitura tivesse respondido à proposta do sindicato. "Estamos falando de três anos sem reajuste, não são três dias. Seguiremos aqui até sermos ouvidos", sustenta.

Presentes na manifestação, as professoras do Colégio Pelotense Katia Schneider e Tânia Guimarães esperam que a proposta seja apresentada o mais rápido possível. "E esperamos que não nos tire mais nenhum direito. O que mais falta ela [Paula] nos tirar?", questionam. Para Tânia, a demora da resposta demonstra o descaso do governo com o funcionalismo que, no caso dela, trabalhou durante toda a pandemia. "Não nos enxergam como trabalhadores. Trabalhamos em casa, usando a nossa luz, nossa internet, nossa impressora e muitas vezes fazendo busca ativa de alunos que moram em locais mais periféricos."

Corte do ponto sinalizado

O Simp afirma ter recebido denúncias de servidores que estariam sendo ameaçados de corte de ponto e exoneração por suas chefias, caso aderissem à paralisação. Prints e áudios que circulam nas redes sociais mostram secretários e responsáveis de setor pedindo que as faltas sejam registradas e enviadas ao RH de cada pasta, afirmando que a postura será descontar os dias não trabalhados.

Uma servidora ouvida pela reportagem disse que as ameaças estariam ocorrendo através de grupos de WhatsApp. "Falaram que vão cortar esses dias e também o final de semana", relata. Outra afirma que no momento em que avisam adesão ao movimento já são alertadas sobre o desconto. "É uma forma de nos constranger. Falam para todos os colegas verem."

O vice-presidente do Simp, Tiago Botelho, critica as supostas ameaças de exoneração. "A exoneração de servidor público estatutário concursado só se dá através de uma instauração de um processo administrativo disciplinar cuja a pena teria que estar dentro de um critério de demissão. E, mesmo assim, se abre direito à ampla defesa", argumenta.

Serviços alterados

Devido à mobilização, diversos serviços prestados pelo município tiveram alteração de horário e de funcionamento nesta quarta. De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, 19 Unidades Básicas de Saúde (UBS) ficaram totalmente fechadas e 31 permaneceram abertas. A rede de atendimento psicossocial também se dividiu entre funcionamento normal, serviços suspensos e regime de plantão. As farmácias do Lindoia e do Simões Lopes fecharam as portas, mas as demais mantiveram atendimento normal. Na área da assistência social, os serviços foram mantidos, mas com redução de técnicos nos setores. As escolas ficaram abertas e as equipes diretivas ainda estão levantando o número de profissionais paralisados. Um novo balanço deverá sair na manhã desta quinta.

 

 


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