Ação

Mobilização para reerguer Beirute

Comunidade libanesa em Pelotas se organiza para ajudar a capital do Líbano após desastre na última semana

13 de Agosto de 2020 - 09h20 Corrigir A + A -
Doações de Pelotas seguem para Porto Alegre e depois São Paulo

Doações de Pelotas seguem para Porto Alegre e depois São Paulo

Primeiro avião da FAB com o material partiu nesta quarta-feira para o Líbano

Primeiro avião da FAB com o material partiu nesta quarta-feira para o Líbano

A forte explosão que atingiu Beirute, capital do Líbano, ecoou no mundo inteiro, inclusive em Pelotas. Os vídeos assustadores mostraram uma tragédia que vitimou 150 pessoas, deixou cerca de seis mil feridos e, pelo menos, 300 mil pessoas desabrigadas. Os impactos da destruição mobilizaram a comunidade libanesa presente no Brasil a somar esforços para a capital libanesa.

No Rio Grande do Sul, as ações de apoio a Beirute estão sendo organizadas em conjunto com as sociedades libanesas dos municípios. Em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Líbano de São Paulo e com a Associação Médica Líbano-Brasileira, as comunidades que existem no estado arrecadam doações para a compra de remédios e mantimentos. “A nossa Sociedade Libanesa de Pelotas, em parceria com a de Santa Maria, Passo Fundo e as irmãs maronitas gaúchas estão apoiando a medida para que possamos ajudar o máximo possível”, explica o presidente da Sociedade Libanesa de Pelotas e representante da Confederação Nacional das Entidades Líbano-Brasileiras (Confelibra), Alceu Gastaud Cheuiche.

As arrecadações em Pelotas são direcionadas à Câmara de Comércio de Porto Alegre e, posteriormente, repassadas para São Paulo. “Nós iremos levantar Beirute pela oitava vez. Ao longo de sua história, ela já caiu em função de guerras e disputas e vamos reerguê-la mais uma vez”, afirma Cheuiche. Para quem quiser contribuir, as doações podem ser feitas através do projeto Ação RS SOS Líbano, que disponibiliza a conta poupança 302324-9, agência 099, do banco Bradesco, para receber as quantias. Para ajudar, basta realizar o depósito e depois enviar o comprovante para o WhatsApp do consulado libanês no estado, pelo telefone + 55 (51) 999-818194, ou pelo e-mail consuladohonorariors@libano.org.br. O primeiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB) saiu nesta quarta-feira (12) em uma comitiva presidida pelo ex-presidente Michel Temer. Descendente de libaneses, ele foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro para chefiar a missão (leia mais na contracapa desta edição).

O Brasil é a maior comunidade libanesa do mundo. Atualmente, existem mais libaneses em terras brasileiras do que no Líbano. A população do país asiático soma quatro milhões de pessoas, enquanto que o número de libaneses e descendentes de libaneses no Brasil totaliza cerca de dez milhões de pessoas. O Rio Grande do Sul possui uma comunidade composta por aproximadamente 500 mil cidadãos, sendo que Pelotas, ao lado de Porto Alegre, é o município que mais abriga estas pessoas, em uma comunidade estimada em cinco mil cidadãos.

Nos rastros da tragédia

Para quem está no Líbano, a situação é de muita luta para recuperar o que foi perdido e de muita tristeza. A equipe do Diário Popular conversou com a libanesa que vive em Achrafieh, bairro fortemente atingido pela explosão em Beirute. Amiga pessoal do presidente da Sociedade Libanesa de Pelotas e apoiadora da entidade, ela preferiu não se identificar, mas relatou o momento da tragédia e como têm sido recebidos os esforços para a reconstrução da capital. “Eu estava em casa pouco antes da explosão. Minha mãe e eu estávamos tomando café. Resolvemos sair e, por volta das 18h06min, ouvimos um som muito forte, semelhante a um terremoto. Resolvemos então apertar o passo, sentimos os prédios residenciais tremendo. Ouvimos um segundo som, mais alto que o primeiro e o barulho dos estalos das portas e dos vidros se quebrando ficaram mais altos. Começamos a ouvir as pessoas gritando em desespero”, relata.

Seu depoimento tem um embasamento científico. Segundo a Nasa, dados de radar mostram mudanças na superfície do solo parecidas com as de um terremoto. A casa onde ela residia com a mãe, e que resolveram sair instantes antes da tragédia, foi completamente destruída. “Foi providência de Deus termos saído naquele momento. Minha mãe não queria sair comigo e, se tivéssemos ficado, estaríamos mortas. Eles destruíram nossos sonhos, nosso presente e nosso futuro, eles deslocaram famílias, eles deixaram crianças órfãs e destruíram os adultos. É muito triste tudo isso”, desabafa.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados