Protestos

Mobilização nacional chega a Pelotas e Rio Grande nesta quinta

Organização dos encontros será de forma pacífica; autoridades locais mobilizam-se para acompanhar as passeatas

19 de Junho de 2013 - 23h33 Corrigir A + A -
Cartazes pela cidade convocam a comunidade a participar do protesto (Foto: Jô Folha - DP)

Cartazes pela cidade convocam a comunidade a participar do protesto (Foto: Jô Folha - DP)

Por: Osiris Reis e Michele Ferreira

Chegou a vez dos pelotenses e rio-grandinos integrarem-se aos movimentos nacionais que tomam conta do país. Em Pelotas, mais de três mil pessoas são esperadas no Largo Edmar Fetter, ao lado do Mercado Central, a partir das 16h30min; em Rio Grande, a manifestação está marcada para as 17h, com previsão de saída às 18h do Largo Doutor Pio. Apesar dos encontros nas duas cidades serem considerados pacíficos pelos organizadores, as autoridades locais mobilizam-se para acompanhar as passeatas e prevenir incidentes que possam acontecer.

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Veja a lista de manifestações previstas em cidades fora do Brasil

O percurso ainda não está definido em Pelotas. O roteiro final da caminhada que deve percorrer as principais ruas do Centro da cidade deve ser votado em assembleia a partir das 16h30min. De acordo com uma das organizadoras do manifesto, Roberta Osandabaraz Rodrigues, além de apoiar os movimentos realizados no país desde a semana passada, a intenção é protestar contra a má utilização do dinheiro público. “Também temos uma pauta local, que reivindica qualidade no transporte público, maior frequência nos horários dos ônibus e o andamento da licitação do transporte coletivo”, projeta Roberta. Na última segunda-feira, o prefeito Eduardo Leite (PSDB) decretou a redução da tarifa do transporte coletivo urbano, que passou de R$ 2,75 a R$ 2,60. Os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro também reduziram as tarifas após os protestos.

Apesar do movimento ser pacífico, é impossível afirmar com certeza que não haverá incidentes violentos e investidas contra o patrimônio público. Como forma de prevenção, a organização do manifesto prestará esclarecimentos sobre a finalidade do protesto aos presentes. “A democracia brasileira abre espaço para qualquer tipo de manifestação. Bandeiras partidárias não serão barradas, mas espera-se bom senso dos participantes”, explica um dos organizadores, Allan Siqueira. Ao final do ato, uma pauta de reivindicações deve ser entregue ao chefe do Executivo.

Rio Grande
As reivindicações incluem o passe livre, redução do valor da passagem, fim do monopólio da Noiva do Mar, melhorias no transporte em Rio Grande e combate à corrupção sistêmica. Também fazem parte da pauta a transgressão dos direitos civis, repressão e violência desproporcionada contra os movimentos, Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37 (que retira o direito de investigação do Ministério Público) e os gastos com as obras da Copa do Mundo. Pela manhã de quarta-feira o site da Noiva do Mar foi hackeado: a área reservada a notícias foi invadida e continha mensagens a respeito da manifestação.

Até quarta-feira à tarde mais de oito mil pessoas haviam confirmado presença no evento. O trajeto divulgado pelo Movimento Livre Unificado deve ser pelas ruas General Neto, Benjamin Constant, avenida Silva Paes, rua General Neto, 24 de Maio, Luiz Lorea e retorno à General Neto.

Uma reflexão que precisa ser feita na sociedade
O que significam esses protestos e para onde caminham essas milhares de pessoas que emprestam o seu rosto à pátria, carente de cuidados? Na avaliação do professor de Direito de Resistência do Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), José Alcides Renner, há um descontentamento generalizado com a gestão do bem público. “As pessoas não acreditam mais que as soluções para o país possam ser encaminhadas através da política”, avalia o também professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Então, será o momento de os governantes voltarem-se à construção de uma reforma política e proporcionar à comunidade uma máquina pública mais transparente, partidos mais representativos e outras ferramentas eficazes de participação popular? Renner acredita que as manifestações são importantes, pois traduzem o descontentamento, mas as pautas devem voltar a ser debatidas de forma organizada através dos partidos, por exemplo. “É muito cedo para falar em impeachment da presidente. Parece que o movimento não é contra o governo, é uma inconformidade generalizada.”

O que pode ser analisado até agora perpassa a estagnação da democracia representativa, que precisa ser revigorada e reaberta ao debate. O professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Hemerson Pase, explica que mobilizações dessa natureza são carregadas de um sentido positivo de radicalização da democracia e ampliação dos espaços de discussão. “O grande recado é que apenas votar não é suficiente. A população precisa de outros mecanismos para se fazer presente na política”, avalia o especialista.

A importância das redes sociais
A pesquisadora e professora do Programa de Pós-graduação em Letras da UCPel, Raquel Recuero, explica que as redes sociais proporcionam uma inflamação conjunta da sociedade, que sai às ruas motivada ao perceber que outras pessoas também estão envolvidas no assunto e compartilham dos mesmos desejos. Por outro lado, observa que a agenda de reivindicações dos manifestantes no país não é homogênea, o que pode representar o enfraquecimento do movimento.

De acordo com Raquel - também professora dos cursos de Comunicação Social -, que junto com outros pesquisadores estuda a abordagem sobre as manifestações nas redes sociais, o estopim que desencadeou os atos em diversos estados foi a repressão violenta da polícia de São Paulo sobre a manifestação do último dia 13. “Por outro lado, o manifesto não levou junto a pauta do Movimento Passe Livre. Há muitas agendas e nenhuma agenda. Essa pluralidade exagerada permite que o ato possa tomar rumos que os próprios manifestantes não desejam”, avalia a especialista.

 


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