Alternativa

Mercado das bicicletas reage bem à pandemia

Empresas registram crescimento de 25% em vendas e consertos em comparação ao ano passado

04 de Agosto de 2020 - 08h44 Corrigir A + A -
Preferência. Veículos em duas rodas se tornaram opção de deslocamento ao trabalho (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Preferência. Veículos em duas rodas se tornaram opção de deslocamento ao trabalho (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A pandemia alterou as formas de locomoção. A circulação em ônibus ficou mais restrita, houve diminuição no número de carros com os decretos de circulação e um meio de transporte alternativo ganhou ainda mais espaço: as bicicletas. Elas ganharam adeptos entre aqueles que precisam trabalhar em meio a este período de isolamento e é utilizada por outros como uma distração para o atual momento, além de ser uma prática desportiva que evita aglomerações.

As empresas que comercializam e vendem bicicletas sentiram este impacto. Um estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou aumento de 2,1% no preço dos consertos das “magrelas”. Em Pelotas, também houve um crescimento na demanda dos consertos. Os pelotense procuraram as empresas para deixarem suas bicicletas em condições de uso para o cotidiano. “Muitas pessoas trouxeram para fazer manutenção. Nos encaminharam bicicletas mais antigas, outras que estavam há muito tempo paradas ou com outros problemas e consertamos. Houve um aumento considerável na demanda”, confirma o proprietário de uma loja especializada, Márcio Lopes.

Além das demandas de conserto, as vendas também deram um salto. As restrições das possibilidades de atividades físicas, a intensificação de compras no modelo de tele-entrega, além da inovação nas formas de locomoção ao trabalho foram alguns fatores que influenciaram. A estrutura da cidade, com várias ciclovias, é outra condição que favorece o uso do transporte. “Em relação ao ano passado, registramos uma crescente de 25%. As pessoas têm investido mais nas bicicletas. Muitos clientes ressaltam que o número de ciclovias e as boas condições que elas se encontram estimulam e proporcionam que usem as bicicletas”, afirma o proprietário de outra empresa especializada, João Luiz Casarin. Ele ainda destaca que houve um aumento tanto nos modelos infantis quanto nos adultos e, quanto aos tipos de transporte, foi percebido equilíbrio entre as mountains bike e as bicicletas de passeio. “Identificamos uma procura parelha. Me surpreendeu também a busca por modelos moutain bike. É um tipo de bicicleta pra quem vai andar pra fora, em estradas mais irregulares e esteve no mesmo nível de vendas que as de passeio”, afirma.

Na primeira empresa, que trabalha tanto com comercialização como conserto, esta melhora também foi percebida nas vendas. “É um conjunto de fatores que influencia. É um meio de transporte individual e benéfico pra saúde. Tivemos que fechar com o decreto de março, mas quando reabrimos, houve um crescimento enorme na demanda. Abril, maio e junho foram meses muito bons neste sentido. Nós estamos em um momento que só não vendemos mais porque as importadoras estão com algumas dificuldades de peças e produtos”, pontua Márcio Lopes.

O aquecimento do mercado das bicicletas é uma perspectiva que deve permanecer mesmo com o fim da pandemia. O isolamento social foi uma questão preponderante para estimular os pelotenses. “É um hábito que vem pra ficar. Acredito que o mercado vai crescer ainda mais. Temos cada vez mais novos ciclistas, que intensificaram o uso agora e que estão pegando o gosto pela atividade. Este cenário deve seguir em uma crescente. A gente percebe que é uma prática que vira rotina e, depois, passa a ser lazer”, aponta João.

O perfil nacional dos ciclistas

A Pesquisa Nacional Perfil do Ciclista, realizada em 2015, apontou que os maiores usuários desse modal estão na faixa de 25 a 34 anos (36,4%)

30% dos homens pedalam todos os dias

18,7% das mulheres pedalam diariamente

De forma geral, 73,6% dos ciclistas pedalam mais de cinco dias por semana e o tempo de deslocamento é de 30 minutos diários

Produção de bicicletas cresceu 117%

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou, em junho, alta de 117,3% em relação a maio, após fechar o mês com a fabricação total de 46.913 unidades. Em maio, quando as empresas voltavam gradualmente da paralisação causada pela pandemia, o segmento produziu 21.587 unidades.


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