Doações

Medicamentos que não precisam ir para o lixo

Farmácia Solidária visa auxiliar quem precisa de remédios e não tem condições de comprar; ação ainda não tem data para entrar em prática

19 de Outubro de 2021 - 08h31 Corrigir A + A -
Patrícia da Silva adotou a ideia e está a espera do projeto sair da papel para ajudar o próximo (Foto: Jô Folha - DP)

Patrícia da Silva adotou a ideia e está a espera do projeto sair da papel para ajudar o próximo (Foto: Jô Folha - DP)

Sancionado pela prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) há pouco mais de uma semana, o Programa Social Farmácia Solidária, está próximo de se tornar uma realidade em Pelotas. Será a 18º cidade gaúcha a contar com a iniciativa. Com o objetivo de estimular a captação e o reaproveitamento de medicamentos não utilizados e dentro do prazo de validade, o programa busca oferecer à população de baixa renda a oportunidade de acesso a remédios de forma gratuita.

Idealizado pela deputada estadual Fran Somensi (Republicanos), através da Lei 15.339/2019, 17 cidades gaúchas já contam com o projeto Farmácia Solidária, dentre elas Morro Redondo. Em Pelotas, o projeto aprovado pela Câmara e que recebeu aval da prefeitura partiu do vereador Jone Soares (PSDB). Segundo ele, a ideia é amenizar a dificuldade enfrentada pela população de baixa renda no acesso a medicamentos, sobretudo diante dos últimos reajustes nos preços.

Assim como nas demais cidades, em Pelotas o programa irá dedicar-se à captação de todo tipo de remédio, com exceção de pomadas. Estes devem manter-se dentro da validade e sem integridade violada. Conforme Soares, apesar da preocupação que existiu durante as discussões do projeto quanto aos cuidados na distribuição dos itens, haverá verificação de todos os fármacos. A proposta é que, antes de chegar a quem precisa, o medicamento deve passar por um cadastrado em um banco de dados e que, posteriormente, seja repassado à Secretaria de Assistência Social (SAS).

"O que apliquei na proposta foi justamente estes remédios serem direcionados a pessoas cadastradas no Cadastro Único via SAS. Eu acho que estes não podem ficar junto à Farmácia Municipal, até para que haja um controle maior", sustenta. Para que tenha acesso, o cidadão deverá deslocar-se até o prédio da pasta, apresentar o NIS, bem como a receita médica e fazer a retirada do medicamento, caso este esteja à disposição.

Primeira cidade do Estado a implementar a Farmácia Solidária, Farroupilha já supriu 23 mil receitas médicas, gratuitamente, gerando economia de cerca de R$ 3 milhões aos cofres públicos. "Na farmácia municipal, só podem ser fornecidos medicamentos que estejam na lista. A solidária não, qualquer medicamento que tenha em casa podem ser doados e repassados, atendendo uma quantidade maior de pessoas", argumenta o vereador.

Oportunidade de ajudar o próximo

Dentre as pessoas dispostas a doar, está Patrícia da Silva. Após passar por um período desempregada e necessitar da ajuda, a secretária resolveu estender a mão e olhar para aqueles que hoje precisam. "Há um tempo atrás eu não trabalhava e meus conhecidos me estenderam a mão e eu decidi dar continuidade a esta ação na zona mais carente do bairro. Além de roupas e alimentos, notamos que os principais pedidos eram remédios, então eu pedia uma receita para a comprovação. Diversos remédios pedidos eram muito caros, como para diabetes, hipertensão, convulsões e afins", conta.

Com a criação da Farmácia Solidária, Patrícia vê a possibilidade de expandir o trabalho já realizado, podendo atingir mais pessoas. "A minha mãe também era diabética, então sei bem o que é a situação, ainda mais a gente sendo humilde, então também tínhamos ajuda. Quando a gente passa por alguma dificuldade que entendemos a importância da doação e da ajuda."

Sem data para entrar em prática

Questionada, a secretária de saúde Roberta Paganini avalia a iniciativa como "muito positiva". Entretanto, afirma que ainda não existe data para que o programa seja colocado em prática.

"Como a lei é muito recente, ainda é necessário realizar um planejamento logístico para disponibilizar os medicamentos nas farmácias municipal e distrital", pondera. Conforme a secretária, o planejamento está sendo realizado e visa buscar formas de funcionamento do serviço, além de parcerias para a organização.


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