Saúde

Medicamentos básicos em falta nas farmácias distritais

Remédios como amoxicilina líquida, Paracetamol em comprimidos e Fluoxetina não estão disponíveis nas unidades do município

13 de Maio de 2022 - 10h13 Corrigir A + A -

Por Victoria Fonseca
web@diariopopular.com.br

Pacientes aguardam na fila para retirar medicamentos na farmácia Distrital da UBS Navegantes. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pacientes aguardam na fila para retirar medicamentos na farmácia Distrital da UBS Navegantes. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Vera Vieira aguarda para retirar os medicamentos para a filha de sete anos que está com problemas respiratórios 

 (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Vera Vieira aguarda para retirar os medicamentos para a filha de sete anos que está com problemas respiratórios (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Há cerca de três meses faltam medicamentos nas farmácias distritais. Em Pelotas, além da Farmácia Municipal, são sete unidades onde a população que não possui condições financeiras para comprar os medicamentos pode retirá-los. Analgésicos, antidepressivos, ansiolíticos, antibióticos e anticonvulsivos. Esses são os fármacos mais procurados pela comunidade e que não estão à disposição.


A situação é relatada por pacientes que buscam remédios na farmácia distrital da Unidade Básica de Saúde (UBS) Navegantes. Lá, a comerciante Schaine Vieira aguardava na fila com seu filho de um ano e quatro meses de idade no colo. Ela conta que era a segunda vez que ia ao local em busca de antibióticos para o pequeno, que está doente há algumas semanas.

Junto com a Schaine, estava a mãe Vera. Ela diz ter deixado a outra filha, de sete anos, sozinha em casa para ir à UBS verificar se há o medicamento, já que a menina está com problemas respiratórios. “A pequena está sozinha em casa porque eu tô na fila esperando para ver se tem o medicamento para ela. A criança, às vezes, tem crise de falta de ar. Já perdi as contas de quantas vezes eu venho aqui e nunca tem o remédio”, aponta. Após aguardar cerca de uma hora no local, as duas conseguiram quase todos os remédios necessários para o tratamento das crianças. Porém, ficou faltando o ferro em gotas.

Um dos medicamentos que está em falta e é comumente procurado é a amoxicilina líquida. O farmacêutico da UBS Navegantes afirma, inclusive, que o antibiótico está em falta há mais de dois meses.

endereço diferente, cena semelhante
Há mais de 60 dias que também não são entregues os medicamentos solicitados pela farmácia da UBS Cohab Guabiroba, mas a falta não tinha sido sentida pela unidade até o último mês, pois havia estoque. Segundo a fonte, que não quis ser identificada, os pedidos são efetuados à Farmácia Municipal toda semana, mas as solicitações não costumam ser atendidas.

Além da amoxicilina líquida, os medicamentos mais requisitados pelos pacientes, e que não estão sendo fornecidos, são o antidepressivo Fluoxetina, o Alendronato de sódio, utilizado no tratamento da osteoporose, o ansiolítico Diazepam e os analgésicos Paracetamol em comprimidos e AAS. O caso mais grave é o do medicamento utilizado no tratamento de epilepsia e transtorno bipolar, o Depakene, em falta há mais de três meses.

A palavra do Conselho de Saúde
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, César Lima, afirma que nem a metade das listas de medicamentos solicitadas pelas farmácias distritais é atendida. “Pedidos feitos pelas farmácias distritais à Central, muitas vezes, não são atendidos, nem 50%”.

Lima menciona ainda que, além de remédios, a população também não tem conseguido ter acesso a fraldas. “Outro caso muito grave são as fraldas que faltam aos usuários. As pessoas necessitam ligar várias vezes para saber se o material está disponível. Até mesmo os cadastros de novos interessados neste material estão suspensos”, conta.


O que diz a prefeitura
A coordenação de Assistência Farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirma a falta de alguns medicamentos na Farmácia Municipal e nas distritais. De acordo com a coordenação, o problema foi gerado, em parte, pois o registro de preços desses fármacos, feito através da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), sofreu atraso. Deveria ter sido homologado em abril e, agora, a previsão é de que seja até o final de maio. Outra questão que gerou falta de medicamentos está relacionada a fornecedores, que informaram que não fariam a entrega em função do reajuste dos valores dos produtos. Segundo a SMS, a previsão é de que a partir do prazo das entregas programadas, dentro de dez dias, o estoque de medicamentos esteja restabelecido.

A secretária de Saúde, Roberta Paganini, explica que a falta de fraldas e a não realização de novos cadastros é uma questão temporária. O material era adquirido através de um programa do Estado, que foi finalizado. A Secretaria está, portanto, reavaliando a lista de beneficiários e cruzando com os registrados no Cadastro Único para definir os critérios que serão considerados para o fornecimento dos itens. “É um trabalho bastante manual, de cruzamento de informações, por isso novos cadastros não estão sendo feitos neste momento. O objetivo é que aquelas pessoas que realmente precisam das fraldas, recebam o material”, declara Roberta.


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