Saúde

Média móvel de número de mamografias ainda está longe do ideal, alerta Femama

Apesar do crescimento nos últimos oito meses, número ainda está abaixo do esperado; exame é o mais importante instrumento de detecção precoce do câncer de mama

06 de Dezembro de 2021 - 17h35 Corrigir A + A -
Levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa em Gestão, Economia e Política do Programa de pós-graduação em Administração da PUC/SP, a pedido da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), mostra que a média móvel acumulada de 12 meses* do número de mamografias realizadas no Brasil, segundo o DataSUS -, após atingir um pico máximo de 3 milhões de mamografias em março de 2020, antes da pandemia do Covid-19, e cair a um mínimo de 1,7 milhão em março de 2021 - voltou a crescer. Entre março e outubro deste ano, a média móvel de 12 meses cresceu 40% - atingindo um volume de 2,4 milhões de exames realizados, mas ainda está distante do volume de exames anterior à pandemia e, muito menos, ao número ideal de exames. Os dados foram obtidos por meio de um cruzamento de dados base do Datasus e IBGE.
Para o Prof. Dr. Jorge Vieira da Silva, do Grupo de Pesquisa da PUC-SP, responsável pelo levantamento, "muitas mulheres deixaram de fazer o exame durante a pandemia e, para se chegar aos 3 milhões de antes da pandemia, a média móvel acumulada de 12 meses precisará aumentar em mais 600 mil exames, o que deverá ocorrer com o sucesso da vacinação e com as medidas preventivas contra a covid". Já o número ideal de exames, de acordo com o professor, é o objeto de estudo do Grupo de Pesquisa. A idade ideal para a realização do exame é tema de debate entre as instituições médicas. "O SUS realiza mamografias gratuitas em mulheres entre 50 e 69 anos, mas, para a Femama e outras instituições médicas nacionais e internacionais, não existe dúvidas de que a mamografia no Brasil deve ser feita a partir dos 40 anos", explica a mastologista Maira Caleffi, presidente Voluntária da FEMAMA e chefe do setor de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento.

"Esse crescimento na média nos traz otimismo, mas ainda nos mantém alertas, uma vez que o volume total é inferior ao adequado. É bom sempre frisar que os exames por imagem são um importante instrumento na detecção precoce da doença e que outubro, por ser um mês dedicado à conscientização do Câncer de Mama, sempre trouxe picos de volume de realização de mamografias", afirma a médica Maira Caleffi.

Os dados do levantamento, quando colocados no contexto do estudo online realizado pela FEMAMA ao longo do mês do outubro, corroboram ainda com a necessidade de que políticas públicas sigam sendo pautadas e que haja melhoria no acesso da mulher à saúde e aos exames de detecção precoce. "A nossa sondagem, que fez parte de nossa campanha As Três Perguntas que Salvam, apontaram que menos de 35% das brasileiras acima de 45 anos fizeram mamografia este ano e a principal justificativa dada por quem não realizou a mamografia foi não ter conseguido atendimento no SUS (25%)", conclui a doutora Maira.

*O termo "média móvel de 12 meses" é utilizado para facilitar a compreensão do gráfico e traz a somatória dos 12 meses anteriores ao mês de cálculo, por exemplo: o número de mamografias apresentado em outubro de 2021 se refere à somatória das mamografias realizadas pelo SUS de novembro de 2020 até outubro de 2021

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