Pandemia

Mais seis pessoas perdem a batalha para a Covid-19

Aumento no número de casos e procura por exames comprovam a alta circulação do vírus no município

08 de Março de 2021 - 21h41 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

A procura por exames aumentou cerca de 200% da primeira para a última semana do mês passado (Foto: Divulgação - DP)

A procura por exames aumentou cerca de 200% da primeira para a última semana do mês passado (Foto: Divulgação - DP)

Apesar dos avanços na vacinação e ampliação de leitos Covid, Pelotas segue perdendo muitas vidas para o Coronavírus. Nesta segunda-feira (8), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou a morte de mais seis pessoas em decorrência da doença. As vítimas foram três mulheres (63, 80 e 82 anos) e três homens (64, 67 e 72 anos). Com esses registros, o município chega a 396 óbitos.

A última semana registrou a terceira maior média diária de casos desde o início da pandemia. Foram 207 casos por dia, superada apenas pelas semanas de 7 a 13 de dezembro (307,71) e 30 de novembro a 6 de dezembro (211,29), ambas no período pós-eleitoral. Os números divulgados ontem apresentam uma pequena queda na média, com 137 novos casos. Mas um grande aumento na comparação com o número de casos da última segunda-feira (10), quando foram registrados apenas 48 positivos.

O aumento no número de casos comprova que o vírus está circulando de forma intensa na cidade. E um dado que corrobora com a avaliação é a procura por testes Covid. No relatório diário disponibilizado pela prefeitura consta também o número de exames que aguardam análise no Lacen/RS. Esse número, que chegou a ser 245 no dia 5 de fevereiro, teve pico de 1.015 na última terça-feira. Um laboratório privado, que realiza exames particulares no município, teve números baixos na procura pelos testes nas duas primeiras semanas de fevereiro, muito similar aos números de janeiro. Na terceira semana, no entanto, o aumento de 100% e de mais 50% na última. Com isso, a procura por exames aumentou cerca de 200% da primeira para a última semana do mês passado.

Em outro laboratório da rede privada, os registros mostram um decréscimo de 50% em janeiro e fevereiro de 2021 na comparação com novembro e dezembro de 2020. "Esses dados refletem bem o comportamento da não testagem, do menor medo da pandemia. Filtrando apenas os casos de Pelotas, temos em torno de 25% de casos positivos, uma taxa que permanece estável desde outubro do ano passado", explicou o diretor regional do estabelecimento, Rodrigo Siqueira.

O laboratório também registrou um aumento na procura por exames nas últimas semanas. De acordo com Siqueira, os três primeiros dias da semana passada somaram 25% das testagens de todo o mês de fevereiro. "Estamos percebendo um comportamento muito parecido no Brasil inteiro, a procura voltou a ser como era antes. Essa doença não é binária, ela é muito mais complexa. As pessoas acham que o laboratório vai dar uma resposta absoluta, mas com o coronavírus ainda não temos isso. Não tem como saber se esse aumento no número de casos foi o impacto do carnaval, não temos como saber quando a pessoa pegou o vírus. O comportamento dele é muito individualizado", completou.

Distanciamento e respeito aos protocolos

Pesquisador do Epicovid-19, o epidemiologista Fernando Celso Barros reitera a dificuldade que é determinar o comportamento do vírus. "Não dá para saber como vai ser a tendência nas próximas semanas, porque isso tudo depende do nível de contágio que tenha acontecido nesse último mês. Normalmente duas, três semanas depois do contágio começam as infecções, hospitalizações e etc. Então não dá para saber. Eu espero que já tenha passado o pior, mas nós não temos ideia se isso ainda pode piorar. E quanto tempo vai ficar, nós também não sabemos porque tudo depende do quanto as pessoas fazem de distanciamento social, que é a única maneira de evitar a infecção", disse

Segundo Barros, a melhor forma de contar o avanço da Covid-19 é respeitando os protocolos de distanciamento social. "O que existe mesmo é que não está havendo cuidando com as medidas de distanciamento, porque a doença não está sendo levada a sério entre os grupos mais jovens, especialmente. O que tem sido um enorme engano e está fazendo com que a infecção aumente, e a mortalidade também, em todos os grupos de idade."

Leitos Covid

De acordo com a SMS, Pelotas tem hoje 170 leitos para casos Covid, sendo 62 vagas de UTI, cinco leitos pediátricos de suporte ventilatório, 83 de enfermaria, dez de suporte ventilatório e dez pediátricos. Pelos números divulgados ontem pela Secretaria, o município tem 157 pacientes hospitalizados. Desse total, 55 estão em leitos de UTI.

Desde sábado, a Santa Casa colocou em operação quatro dos seis novos leitos. Os outros dois devem entrar em operação nos próximos dias. Todas essas novas vagas abertas pelo hospital são destinadas a pacientes que tenham Unimed. Já as seis novas vagas no HUSPF são destinadas a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).


Confira a distribuição dos leitos:

Santa Casa
UTI - 16 leitos
Enfermaria - 16 leitos

HE-UFPel
UTI - 10 leitos
Enfermaria - 10 leitos

Beneficência Portuguesa
UTI - 20 leitos
31 leitos de isolamento (enfermaria)

São Francisco de Paula
UTI - 16 leitos
Enfermaria - 9 leitos

Centro Covid
Emergência - 4 leitos de suporte ventilatório
Enfermaria - 6 leitos de suporte ventilatório
Enfermaria - 17 leitos
Pediátrico - 5 leitos de suporte ventilatório


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