Educação

Mais igualdade para os alunos da rede pública

Alunos das escolas públicas terão 90% das vagas para o PAVE; decisão tem como objetivo tornar mais justo o ingresso dos estudantes e valorizar a educação

21 de Agosto de 2018 - 09h32 Corrigir A + A -
O reitor, Pedro Curi Hallal, explicou que a decisão irá valorizar o ensino público. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O reitor, Pedro Curi Hallal, explicou que a decisão irá valorizar o ensino público. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em decisão unânime, foi aprovada na última quinta-feira (16) a mudança nos percentuais de vagas reservadas a estudantes de escolas públicas para o ingresso na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) por meio do Programa de Avaliação da Vida Escolar (PAVE) - responsável por 20% dos ingressantes da Universidade. A proposta visa readequar o acesso à Universidade, que até 2020 terá 90% das suas vagas destinada a esse público, via PAVE. 

A resolução aprovada pelo Conselho Universitário da UFPel (CONSUN) prevê uma mudança escalonada, que já tem início em 2018. Neste ano, 75% das vagas será destinada aos estudantes de escolas públicas. Já em 2019 serão 80%, e em 2020, os 90%. De acordo com o reitor, Pedro Curi Hallal, "não fazia sentido uma mudança abrupta". Dessa forma, a escolha pelo escalonamento se deu de acordo com a composição do PAVE. As provas são realizadas em três etapas, nos três anos do Ensino Médio.

De acordo com a 5ª CRE, Pelotas possui 21 escolas públicas (sendo que três estão localizadas na zona rural) com ensino médio e apenas nove privadas. Estudos constataram que mais de 90% dos estudantes de ensino médio na região de Pelotas estão matriculados em escolas públicas, mas apenas 50% das vagas eram destinadas a eles. É uma injustiça histórica que nunca foi percebida pela rede, então não houve reivindicações. "Sobrou para a nossa gestão ter que cobrir essa injustiça", disse.

Assim, o objetivo é aumentar o número de vagas para diminuir essa distorção e tornar o percentual de vagas ofertadas equivalente ao número de alunos. Hallal contou que a ideia existe desde antes de vencer o processo eleitoral para a reitoria, e que o tema veio à tona em uma reunião realizada com o professor Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Lá, a proporcionalidade sempre esteve presente.

A valorização do ensino público
Essa talvez seja, na visão do reitor, a decisão que teve a repercussão mais pesada desde que assumiu o cargo. A valorização do ensino público está em jogo: tendo mais acesso à universidade, a procura pelas escolas tende a crescer. Se a demanda cresce, a qualidade também, ou seja, eles irão se qualificar para atender mais pessoas.

É um desafio preencher as vagas do PAVE. 2017 teve 1601 estudantes da rede pública inscritos, o maior número já registrado, e agora, a UFPel busca trabalhar junto às escolas para promover ainda mais o conhecimento sobre o Programa. A Coordenação de Desenvolvimento de Concursos (COODEC) realiza visitas para divulgar e incentivar as inscrições. Quanto à rede privada, Pedro Hallal afirma que o PAVE é bem divulgado nessas escolas. A Universidade vai garantir que elas tenham 10% de vagas, o que corresponde ao número de estudantes.

A ideia é que a concorrência seja justa, com alunos disputando com outros que tiveram o mesmo ensino. O reitor afirmou que estão criando oportunidades, sem a ideia de meritocracia, e "corrigindo a distorção" existente. Algumas reclamações de mães e pais de alunos da rede privada foram ouvidas. Eles acreditam que seus filhos terão menos chances de entrar na Universidade, mas ele afirma que entende que fiquem chateados, mas "tem que se pensar no coletivo".

Para o futuro, será proposta uma discussão quanto à reserva de vagas destinadas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Recepção
A decisão do Conselho Universitário foi recebida com entusiasmo pelos estudantes do Colégio Municipal Pelotense. Carlos Barz, diretor do turno da manhã, contou que as escolas da rede pública lutavam por isso e sempre cobravam da Reitoria, já que possuem um número maior de alunos.

O diretor ainda contou que eles imaginavam que os pedidos não seriam atendidos, mas ficaram contentes. "Do jeito que estava não era justo", disse.


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