Pandemia

Luz no combate ao vírus

UFPel desenvolve torre com ultravioleta que inativa o coronavírus nos ambientes; equipamento está pronto e será instalado na Odonto

28 de Novembro de 2020 - 08h46 Corrigir A + A -
A invenção já está disponível no mercado e pode ser adquirida direto na universidade

A invenção já está disponível no mercado e pode ser adquirida direto na universidade

Professor Mário Moreira, ao centro,  e os técnicos  Vinícius Becker e Cristian Fernandes são os autores do projeto

Professor Mário Moreira, ao centro, e os técnicos Vinícius Becker e Cristian Fernandes são os autores do projeto

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), através do Departamento de Física, criou um equipamento capaz de inativar o novo coronavírus nos ambientes. A criação, que consiste em uma torre de luz ultravioleta, tem o propósito de higienizar espaços, como por exemplo os hospitalares. Depois de testes, o objeto já está pronto e aprovado. Agora, os criadores aguardam uma série de reformas em uma sala da Faculdade de Odontologia, local que irá abrigar e utilizar a invenção.

O professor do departamento de Física e um dos criadores do equipamento, Mário Moreira, conta que as primeiras ideias surgiram justamente por acreditar que o dever da comunidade científica é colaborar. “Como nossa área permite muitos conhecimentos em faixas de luz, como a ultravioleta, resolvemos apostar nessa ideia”, diz o docente. Ele explica que a luz ultravioleta é extremamente energética e libera UVA, UVB e UVC. Entretanto, o UVC é bloqueado pela camada de ozônio, pois ele destrói a camada lipídica, e por isso existe vida no planeta. Assim como o UVC destrói a gordura de seres vivos ele também é capaz de romper a ligação “timina - timina” do coronavírus. “Ele destrói a coroa do vírus”, completa. Desse modo, o novo vírus não consegue se ligar a outra molécula e acaba sendo desativado.

A ideia

A intenção é utilizar o UVC para combater a Covid-19 em ambientes hospitalares, salas de exames e procedimentos e até consultórios médicos e odontológicos. No início do projeto, os idealizadores perceberam que algo parecido já estava sendo comercializado. Porém, o equipamento contém apenas um ponto de luz com alta potência para ficar no meio da peça que deverá ser desinfetada. Então, eles identificaram que locais com mais sombreamento, como a parte traseira das máquinas de exames e embaixo dos leitos permaneceria contaminado. “A partir disso, preparamos um aparelho com multipontos e com ajuste de altura, assim, a luz é melhor distribuída no ambiente”. Com os testes, o professor, junto com os técnicos Cristian Fernandes e Vinicius Becker, percebeu que os espaços sombreados precisam de cinco cinco vezes mais tempo de irradiação que o local que recebeu luz direta

Além disso, a torre desenvolvida pela UFPel lê a potência da luz e só desliga quando alcança a quantidade de radiação suficiente para destruir o vírus, que é de 500mW. Já no que está sendo comercializado esse tempo é pré estabelecido por quem opera o equipamento. Moreira esclarece que a torre conta com sistema de segurança para que quem esteja usando não seja prejudicado e alerta que a luz ultravioleta UVC é capaz de causa cegueira e até câncer de pele.

Nesse momento, a torre já está pronta e aguarda uma reforma que está sendo feita em uma sala da Faculdade de Odontologia para ser instalada. O professor conta que a faculdade é a principal interessada, já que com a criação poderá oferecer um alto nível de segurança aos pacientes. O equipamento seguirá sendo utilizado mesmo após a vacinação, já que ele também é capaz de anular outros vírus, fungos e bactérias.

Quem tiver interesse em adquirir o equipamento pode entrar em contato com a UFPel. Moreira explica que eles irão mapear o local onde a luz será usada, passar o orçamento e desenvolver a máquina. Ele cita como principais exemplos os consultórios médicos e odontológicos, mas garante que outros segmentos também podem utilizar, exceto empresas do ramo alimentício, que armazenem alimentos não embalados. Sobre os valores, o docente destaca o baixo custo, mas só mediante uma avaliação para informar o preço exato.


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