Religião

Luta pela igualdade ganha Comitê Municipal do Povo de Terreiro

Rio Grande é a primeira cidade do Estado a instituir grupo

26 de Agosto de 2014 - 21h04 Corrigir A + A -

Através do decreto 12.905, de junho de 2014, Rio Grande é o único município gaúcho a enxergar a luta do povo terreiro com olhos mais atentos. A comunidade terreira vem comemorando desde então a instituição do Comitê Municipal do Povo de Terreiro de Rio Grande e passa a enfrentar e preservar com mais estímulo as causas da população e a cultura africana. No início desta semana mais um passo importante foi dado em conjunto com o Executivo: a nomeação dos membros do comitê. A espera agora é pela criação do Conselho Municipal.

A principal finalidade do Comitê é debater e solucionar desafios que a população negra, mesmo com o passar dos anos, sofre. Racismo, intolerância religiosa e desigualdade social são as principais causas levantadas pelos grupos terreiros. Segundo um dos integrantes do Comitê, Chendler Siqueira, não vão haver limites para os esforços do grupo na busca de direitos iguais. “Nossa principal meta é acabar com a visão distorcida e racista que nossa sociedade ainda nos enxerga”, afirma. Uma das maiores preocupações do povo terreiro é que ações de violência que já ocorreram em outros Estados cheguem ao município e região. “Não admitiremos atos como queima e invasão de terreiros, proibição de culto e de crença ou expulsão de determinada sociedade”, conta Siqueira.

Resgate cultural
Além de lutar pelas causas do povo, o Comitê tem como meta resgatar a memória histórica, cultural e social dos africanos. Ainda, forma-se uma ponte direta com o Executivo para medidas contra discriminação racial, xenofobia e intolerância religiosa. Através do Comitê, os integrantes ajudaram também a instrumentalizar a criação do que anseiam: o Conselho Municipal. As medidas que até agora foram tomadas já são comemoradas com muita felicidade pelos participantes. “Não poderia ser diferente, uma vez que Rio Grande é a cidade berço das religiões de matriz africana no Estado, a administração realmente tem sua visão voltada ao povo e suas dificuldades”, comemora Chendler.

Os participantes do Comitê foram designados por já serem engajados em lutas do povo terreiro. Os 22 integrantes prestam serviço público, sem remuneração e foram indicados pela prefeitura, pelo Conselho Estadual e pelos membros da comissão que pediu a criação. Os mesmos têm o prazo de dois meses para apresentar a proposta de criação do Conselho.

 

 


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